Maquinado na festa do Sapo Cururu

Na sexta-feira, dia 02, a festa do Sapo Cururu - que todo ano acontece paralelo ao CinePE - traz apresentação da banda Maquinado, de Lúcio Maia. Vai ser a segunda apresentação da banda do guitarrista da Nação Zumbi no Recife. O primeiro foi no Abril Pro Rock do ano retrasado, mas ainda não era com a formação oficial, além de ter sido anterior ao lançamento do disco e do clipe que passa a cada dois segundos na MTV :)

Abaixo segue o release da festa:

Mais de duas décadas fechado, o Cine Olinda, localizado no Sítio Histórico da Cidade Patrimônio da Humanidade, terá sessão especial na próxima sexta-feira, dia 2 de maio. Embora a reforma do prédio não esteja concluída, o local vai abrigar a mostra de cinema Sapo Cururu. O filme Diário de Sintra, de Paula Gaitán, e o show do Maquinado, projeto do músico Lúcio Maia, da banda Nação Zumbi, são as principais atrações da noite. Oportunidade imperdível para as gerações mais novas de pernambucanos que nunca entraram no histórico cinema do Carmo.

Inédito no Recife, o filme de Paula Gaitán foi lançado em setembro do ano passado e exibido em algumas capitais brasileiras e fora do País. Serão mostrados também dois curta-metragens. No final, está programada a entrega do Prêmio Sapo Cururu, concedido a pessoas de destaque no cenário artístico pernambucano.

Terminadas as projeções e a premiação, a festa continua no Clube Atlântico, vizinho do Cine Olinda. Com o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), será aberta uma passagem entre os prédios para que o público possa circular nos dois espaços. Antes dos músicos do Maquinado subirem ao palco, o DJ Rossi Love vai colocar som. Enquanto rolar música, serão exibidos vídeos selecionados no You Tube. A produção do Sapo Cururu vai criar um link para que qualquer pessoa que fez um filme (em câmeras digitais, em celulares) envie seu trabalho para ser mostrado durante a noite.

Serviço
O quê: Mostra de Cinema Sapo Cururu
Quando: 2 de maio, sexta-feira, a partir das 20h
Onde: Cine Olinda e Clube Atlântico, no Carmo, em Olinda-PE
Ingressos: R$ 15

Cobertura: Abril pro Rock - Gamma Ray e Helloween

Cobertura feita por Bruno Arrais

Chevrolet Hall, 27 de abril de 2008, última noite da 16ª edição do festival Abril Pro Rock; um domingo – dia um pouco inconveniente para sair de casa à noite para um festival de rock, ainda mais pela enorme quantidade de chuva despejada dos céus. Mesmo assim, cerca de cinco mil pessoas de toda a região Nordeste reuniram-se na casa de show para assistir às apresentações de duas das mais antigas e influentes bandas de um nicho muito caro aos apreciadores do heavy metal: o heavy melódico.

Ao Helloween podemos atribuir a criação desse gênero. Foram eles que em meados da década de 80 trouxeram à vida os álbuns que definiriam os caminhos a serem trilhados por milhares de bandas seguidoras do estilo em todo o mundo. Já o Gamma Ray é uma banda mais “nova”, formada por Kai Hansen – fundador do Helloween –, que no final do ano de 1988 deixou a banda incomodado com o caminho que ela vinha trilhando – grandes turnês, envolvimento de membros com drogas, desentendimentos pessoais entre os integrantes etc.

Durante toda a década de 90 essas duas bandas levaram suas carreiras num certo clima de rivalidade; uma coisa meio Beatles e Rolling Stones – guardadas as devidas proporções – do metal. Mas, agora, 20 anos depois, as duas uniram forças para viajar pelo mundo tocando juntas na turnê Hellish Rock ‘07 / ‘08.

No último mês a turnê tomou o rumo da América do Sul, com passagem pelo Brasil, incluindo Recife em seu roteiro de viagem; o que nos trás de volta ao Chevrolet Hall na noite do domingo 27.

Às 19h já havia uma grande concentração de headbangers na entrada da casa de shows. Às 20h o público adentrou as portas para assistir à apresentação. Havia um clima de grande expectativa, bem como de confraternização, afinal de contas as duas bandas eram velhas conhecidas do público pernambucano (e alagoano e baiano e paraibano…) e a vinda delas era esperada há mais de 15 anos – falo por experiência própria. Este evento foi, para a maioria do público ali presente, a realização de um sonho antigo.

Finalmente, às 21h, aproximadamente, os alto-falantes anunciaram a primeira banda a subir ao palco: Gamma Ray. Quando as cortinas se abriram, todos os presentes saudaram a banda com grande calor. E eles abriram o set com Into the Storm, primeira faixa do último disco, Land of the Free 2, que foi seguida pela clássica Heaven Can Wait – do álbum Heading for Tomorrow, seu debut –, que fez a platéia vibrar mais ainda e cantar junto cada palavra da letra. E foi uma noite de clássicos. Kai Hansen e seus companheiros executaram músicas de toda sua carreira, prestigiando o público com suas favoritas e deixando todos muito satisfeitos.

Para mim, particularmente, um dos grandes momentos do show se deu quando o Gamma Ray tocou Land of the Free – na minha humilde opinião seu clássico maior –, emendando-a com a espetacular Heavy Metal Universe, dando a costumeira parada para que a platéia cantasse em uníssono o refrão “It´s a Heavy Metal Universe!!!” e batesse palmas. Nesse momento Hansen tomou nas mãos uma bandeira do Brasil e disse que era a bandeira do universo do metal, cativando de vez – se é que era necessário – o público. Outro grande momento foi a execução de Ride the Sky, música do disco Walls of Jericho, primeiro LP do Helloween, de 1985. Com esta música o Gamma Ray incendiou a platéia, que se espremeu o mais próximo possível do palco, completamente bestificada, cantando a plenos pulmões.

Foi um grande show, em que a banda mostrou que, apesar de somar aproximadamente duas décadas de estrada, continua em grande forma, pronta para encarar mais duas décadas de composição, gravação e turnês; como também mostraria o Helloween, em seguida. Amém.

Após um breve, mas tenso, momento de espera, a apresentação do Helloween fez a alegria dos presentes, muitos dos quais, fãs da banda por mais de vinte anos; metaleiros das antigas. Andi Deris, Michael Weikath, Markus Groβkopf e os “novatos” Sascha Gerstner (guitarra) e Dani Löble (bateria), fizeram uma apresentação impecável, digna de uma carreira sólida de quase três décadas de existência.

A exemplo do Gamma Ray, a apresentação do Helloween prestigiou o público com músicas de todas as fases de sua carreira. A abertura foi feita com a canção épica de mais de 13 minutos Halloween, do álbum clássico Keeper of the Seven Keys, Part 1, pondo imediatamente abaixo o Chevrolet Hall.  Na seqüência, Sole Survivor, primeiro hit da Era Deris, música ultra-pesada que levou os bangers à loucura, deixando muitos, mais veteranos como eu, com uma baita dor no pescoço.

E foi uma verdadeira celebração, hit atrás de hit: March of Time (Keeper 2); a nova As Long As I Fall, primeiro single retirado do álbum Gambling With the Devil, que agitou principalmente os fãs mais novos; outra do Keeper 1, a balada A Tale That Wasn’t Right; seguida de um solo de bateria endiabrado de Dani Löble, que aproveitou inclusive para nos prestar uma homenagem incluindo ritmos brasileiros em seu solo; King For a Thousand Years, do recente Keepers of the Seven Keys – The Legacy; Eagle Fly Free, levou todo mundo à loucura, cantando e batendo palmas; depois The Bells From the Seven Hells; I Wish I Could Fly; e, para “encerrar”, outro clássico da Era Kiske, a faixa 5 do Keeper of the Seven Keys, Part 2, Dr. Stein.

A banda saiu do palco deixando o público sedento por mais, gritando “Happy, happy, Helloween” e “Helloween, helloween”. Após alguns minutos voltaram e executaram um longo medley que felizmente aplacou a sede dos fãs: I Can / Where the Rain Grows / Perfect Gentleman / Power / Keeper of the Seven Keys. Ao fim do medley, abandonaram o palco novamente, deixando o público em grande expectativa, pois a tour Hellish Rock trazia uma “surpresa” especial: uma apresentação conjunta das duas bandas.

E como prometido, após um breve intervalo ao fim do show do Helloween, as duas bandas subiram juntas no palco para o êxtase de seus fãs, antigos e novos. Foi um verdadeiro encontro de titãs, jamais visto no Recife. Já fui a muitos shows de Heavy Metal aqui na cidade – Angra (com e sem André Matos e companhia), Merciful Fate, Blind Guardian, Stratovarius, Blaze, Di´Anno etc. –, mas nenhum foi tão gratificante quanto este. Juntas, as duas bandas tocaram dois dos maiores clássicos do Helloween, da época em que Kai Hansen ainda integrava a banda: Future World e I Want Out. Foi o momento mais belo de toda a noite, em especial quando Kai Hansen e Michael Weikath tocaram o duelo de guitarras de Future World lado a lado, com grandes sorrisos nos rotos.

Uma noite inesquecível como Recife nunca viu. Uma noite para guardar na memória e torcer que não demore mais 15 anos para que se repita. Torçamos para que os produtores locais continuem acreditando no verdadeiro rock e proporcionem mais espetáculos dessa magnitude com maior freqüência. Stay heavy!

Participe do 1º Fórum de Produção Fonográfica Barros Melo

Será realizado, entre os dias 22 e 24 de abril, na AESO, o I Fonograma,- Fórum de Produção Fonográfica Barros Melo, evento que reunirá palestras de especialistas em produção fonográfica em Pernambuco. Entre os palestrantes, estarão presentes Silvério Pessoa, Lula Queiroga, Leo D. e William Paiva (Mr. Mouse), e representantes dos estúdios Fabrica, Carranca e Muzak, entre outros. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do site www.barrosmelo.edu.br. Abaixo você confere a programação completa e maiores informações sobre o evento.    

          

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Dia 22.04 – Terça-feira
PRODUCAO SONORA E AUDIOVISUAL
Mediador: Pedro Severian(AESO-Barros Melo)
Palestrantes:
- Carlos Borges(Carranca-Onomatopeia)
-Rodrigo Coelho(Sonic.OS)
-Lula Queiroga(Luni)
-Caca Barreto(Muzak-Candeeiro)

Dia 23.04 – Quarta-feira
GRAVACAO DE DISCOS E DISTRIBUICAO MUSICAL
Mediador : Bruno Nogueira (AESO)
Palestrantes:
-Pablo Lopes( Fabrica-Buzzina)
-Marcelo Soares(Muzak-Candeeiro)
-Prof . Adriano Araújo(AESO-Araujo e Soares associados)
- Silvério Pessoa

Dia 24.04 – Quinta- feira
ESTUDIOS DE GRAVACAO – TECNICA E NEGOCIOS
Mediador: Marcos Toledo(Jornal do Commercio)
Palestrantes:
- Luizinho Referencia (MW Studio)
- Gera Vieira( Carranca-Onomatopeia)
- Leo D. e Willian Paiva(Mr. Mouse)

 

Serviço:
1º Fonograma - Fórum de Produção Fonográfica Barros Melo
Dias: 22, 23 e 24 de abril de 2008
Local: Cineteatro AESO/Barros Melo (1º andar)
Av. Transamazônica, 405, Jardim Brasil II, Olinda.
Horário: 8h45 às 13h
Programação e Inscrições Gratuitas:
www.barrosmelo.edu.br
Coordenação: Prof. Gustavo H Almeida
Realização: Curso de Produção Fonográfica Barros Melo
Promoção: Faculdades Integradas Barros Melo

Volver na Rolling Stone de Abril

A banda pernambucana Volver é destaque da edição de Abril da revista Rolling Stone. Eles aparecem na seção “Acontece”, que pode ser conferida neste link:

http://www.rollingstone.com.br/materia.aspx?idItem=2285&titulo=Quase+Um++I%c3%aa-i%c3%aa-i%c3%aa&Session=Acontece#

Caso você seja muito preguiçoso para acessar o link, a gente facilita e republica aqui o texto do jornalista Bruno Dias sobre a banda, que, em maio, deve lançar o segundo disco, “Acima da Chuva”. Abaixo, a matéria:

Quase Um Iê-iê-iê
Bruno Dias
VOLVER: letras românticas e pé na jovem guarda
Quando formou o Volver em Recife, em 2003, o vocalista/guitarrista Bruno Souto não imaginava que a gravação do primeiro CD demo da banda renderia tantos frutos. “Aquele disco foi escolhido um dos melhores do ano por diversos veículos importantes. Algum tempo depois, vencemos o concurso Microfonia [para novos artistas de Pernambuco], disputando com quase 400 bandas. Com o dinheiro do prêmio, gravamos nosso disco de estréia, Canções Perdidas Num Canto Qualquer”, comemora.
O álbum, lançado em 2005 pelo selo Senhor F, abriu espaço para que os pernambucanos Bruno, Fernando Barreto (baixo) e Zeca Viana (bateria) viajassem o Brasil e ganhassem espaço com sua mescla de jovem guarda, novo rock (Strokes e Los Hermanos) e letras de amor melodiosas – mistura esta que repercutiu em outros territórios. “O Canções Perdidas foi escolhido o melhor disco do ano por um site da Espanha. Nossas músicas estão tocando nas rádios de lá”, conta o vocalista. Outras conseqüências da estréia em disco bem-sucedida foi a participação no tributo a Odair José, Vou Tirar Você Desse Lugar (com a faixa “Vou Contar de Um a Três”) e a chance de tocar lado a lado a um dos maiores ídolos do grupo, o vocalista gaúcho Frank Jorge (da Graforréia Xilarmônica), no festival Abril Pro Rock 2006.
O novo álbum (previamente batizado de Acima da Chuva e previsto para maio) terá 11 músicas e reflete o amadurecimento musical do Volver. “Foi um passo à frente nos arranjos, nas canções, nas letras”, assume Bruno. “Particularmente, acho que estou me aproximando, cada vez mais, do nível de música que sei que posso fazer.”
     

Entrevista - Lobão

Minutos antes de subir ao palco para seu show no Abril pro Rock, Lobão concedeu ao RecifeRock! a entrevista abaixo. Educado, bem-humorado e feliz da vida, o cantor falou de detalhes da produção de seu “Acústico MTV”, da criação de um programa com músicas ao vivo na emissora no qual será o apresentador e de como sua obra passou a ser encarada pelo público desde o lançamento do Acústico.
 

Eu tive oportunidade de ver a sua passagem de som, e você estava tão concentrado que acho que nem percebeu que os portões foram abertos ao público com você ainda passando o som.

Lobão - Sabe o que aconteceu? Nosso equipamento foi extraviado. Perdemos a tarde inteira. A gente chegou no Recife e teve a notícia de que o equipamento não veio. E a gente não sabia em que lugar do Brasil o equipamento estava, se numa aeronave que estava indo pra Amazônia ou pro Rio Grande do Sul. E correu o risco muito sério de a gente não poder tocar. Aí o equipamento chegou no último momento. Então a gente tinha só 15 minutos para passar o som. Só dispúnhamos daquele momento. Então eu não podia me dar ao luxo de ver nada além da minha função ali naquela hora.

Mas você chegou a perceber que tinham uns 40 “privilegiados” ali vendo a passagem?

Lobão – Eles aplaudiram, né? (risos). Foram bem simpáticos. Mas é que eu estou muito concentrado. Sabe o quê que é? (faz expressão séria). Eu estou querendo muito mostrar esse show porque as pessoas disseram: “ah, o Lobão fez um acústico e tal”, mas só que esse acústico tem um diferencial. Como é que nenhum crítico sacou que a sonoridade dos violões é uma coisa animal? E eu acho que esse show do Abril pro Rock tem uma visibilidade, tem muita gente de imprensa. E a gente quer mostrar que não é uma coisa normal. Você pode ver que a gente vai tocar depois de um monte de gente com guitarra. E vamos nos garantir! A pressão vai ser intensa.

O seu acústico serviu entre outras coisas para dar uma maior visibilidade a um material seu dos últimos dez anos da sua obra que ficou meio ofuscado no universo independente. Você tem sentido uma resposta popular a músicas como, por exemplo, “A Vida é Doce”, que não tocou nas rádios na época de seu lançamento?

Lobão – É impressionante porque a gente tem feito shows e as pessoas cantam “El Desdichado”. A gente tocou em Belo Horizonte e só viu as pessoas cantando (imita o som da multidão cantando) “Eu sou o poderoso…” a letra toda! “A Vida é Doce”, “A Queda”, que o caras se amarram. “Você e a Noite Escura”, que todo mundo adora. “O Mistério”. Porra, tá muito legal! Na verdade, na verdade… (pausa) com este acústico a gravadora quer atingir o público “adulto-contemporâneo”, que é um eufemismo pra “careta”. Então a gente começou a tocar pra adulto-contemporâneo” e era tudo vazio, um público quarentão sentado nas mesas. E graças a Deus neste acústico não dá pra ter nostalgia. O som é muito pesado. E a gente tem uma proposta de linguagem de violão. É uma proposta, cara! É uma linguagem moderna. As pessoas não estão entendendo que não é só uma releitura. E as pessoas quando pensam em releitura pensam que é sempre pra menos. E não é assim. É pancada! A linguagem dos violões, ela foi toda muito elaborada, ela está ali, e os caras tocam pra caralho! E as pessoas não percebem isso. Eu falei outro dia com um crítico que eu não vou dizer o nome, e ele falou: “mas eu ouvi o seu disco e não achei nada demais”. E eu falei assim: “você não reparou que o som processado dos violões tem uns…”, e ele falou “ah, mas isso não me interessa, eu não entendo nada disso”. E eu falei: “porra, se você não entende nada disso, quem é que vai entender? Se você é o crítico musical…”.

Por falar nisso, quantos violões você usa no show?

Lobão – Hoje eu estou tocando pouco. Eu vou tocar com quatro violões. A tendência agora é a gente secar mais porque não queremos viajar com violões de cinco mil dólares e arriscar a ser tudo extraviado.

A sua revista, a “OutraCoisa”, está se mudando pra São Paulo agora. Você está mais distante dela ultimamente, do preparo de cada edição?

Lobão – Não, na verdade eu estou deixando ela crescer. Normalmente eu a edito quando eu quero. Mas agora o que vai acontecer é que eu também me mudei pra São Paulo. E como eu estou na MTV, a gente está pensando em fazer um programa musical de banda que eu vou apresentar lá. Então a gente vai fazer um link com a revista. E ver se consegue fortalecer essa cena que está muito caída. A MTV está muito decidida a mudar o perfil, em colocar mais clipe no ar, de ter mais jornalismo. Tem uma cultura lá de informação pedagógica mesmo, de ensinar as pessoas sobre música e cultura pop de uma forma que não seja pedante, que não seja careta e que as pessoas curtam aprender pra poder entender. Senão a gente vai ficar cantando numa língua morta, porque as pessoas não entendem. A gente está tomando esse cuidado. E vamos ver…Porque eu estava falando aqui anteriormente: você no dia de hoje, enquanto artista, tem que ser multifacetado, ser muito esperto e ficar sempre muito atento com o que está acontecendo e saber de tudo que se passa ao seu redor. E como eu não toco no rádio, cara, as pessoas estão adorando meu debate na tv. Tem muita gente que vem ver meu show por causa do “Debate MTV”. Então a gente tem que rebolar. Porque não se toca na rádio. A rádio não está fechada apenas para mim, mas para todo o segmento. E olha que “Eu vou Te Levar” tem 120 mil downloads lá no Youtube e o disco vendeu 20 mil cópias. Foi o grande fracasso de vendas de um Acústico…o que vendeu menos vendeu 800 mil cópias, pra você ter uma idéia. E eu vendi 20 mil entre DVDs e CDs! Aí eu fui fazer um GNT agora e eles pediram para eu levar três músicas para o expectador escolher. E aí eu escolhi “Rádio Blá”, “Por Tudo que For” e “Eu Vou te Levar”, ou seja, dois mega hits e o “Eu Vou te Levar”. E “Eu Vou te Levar” ganhou com 53%. E aí você pensa: “aonde é que esses caras estão ouvindo essa música, se a gente não toca em lugar nenhum?”. É um mistério, né? Mas pra mim está sendo ótimo. Eu estou me divertindo muito. Porque os caras pensam que eu vou morrer, e pô, faz trinta anos que eu estou pra morrer, né? (risos). “Agora ele foi!” (risos). Eu vi um cara da “Veja” dizendo “agora que a Terra seja grata!”, quando eu fiz o Acústico. Aí ganhamos um Grammy, né? Aí ganhamos prêmio de melhor disco de rock. Ganhamos prêmio de melhor evento nacional do ano. E ganhamos melhor DVD! Isso pra mim é o que importa. Porque eu estou com o meu material, muito bem cuidado, que custou mais de um milhão e duzentos mil. Foi uma mega-produção. A gente fez um tratamento super decente para as minhas músicas, um puta arranjo, e está tudo registrado. E é isso que importa.