Archive for Maio, 2007

Tapa na Orelha - O baixio e suas bestas

Há tempos um filme não mexia tanto comigo como Baixio das Bestas, de Cláudio Assis. Sei que aqui o espaço é de música, mas como o filme é pernambucano, a trilha sonora é feita por gente da terra e China faz uma ponta como ator, achei que valia duas palavrinhas sobre o longa.
Acho que não é novidade pra ninguém que Baixio das Bestas venceu o Festival de Brasília do ano passado. E que foi vaiado e aplaudido com a mesma intensidade. Vendo o filme dá para saber bem o porquê. Ele é o espelho refletido na tela de nossa realidade. Mostra a Zona da Mata sem qualquer lirismo ou concessão. É o retrato ampliado da miséria humana. Cláudio Assis foi acusado de fazer o filme para chocar, de apelar para a violência em nome do grotesco. É justamente aí que reside toda a crueza e tristeza do filme: nele não há nada de inventado. O velho que prostitui a neta adolescente; o filhinho de papai que estuda no Recife e passa os finais-de-semana na casa da mãe, fazendo dela uma escrava; o delinqüente juvenil que espanta o tédio espancando prostitutas, tudo isso não é novidade no sertão. O que choca é ver tamanha brutalidade na tela do cinema. Muita gente (a maioria) sai de casa para o cinema para se distrair, para achar uma fonte de escape, para comer pipoca e esquecer da vida. Acho que foram essas pessoas que vaiaram o filme. O único motivo que conheço para o filme ser vaiado é o total desconhecimento por parte do público da realidade nordestina. Vi o filme com uma pessoa que não gostou dele. Mas não gostou justamente pelo motivo inverso: era realidade demais para uma noite de Sexta.
Tem outra coisa um pouco mais delicada: não gostamos que nossas mazelas e nosso subdesenvolvimento sejam mostrados em todo o país. Fere nosso orgulho. Ainda mais quando toda a crítica é unânime em apontar Baixio das Bestas como um dos melhores filmes nacionais dos últimos tempos. É nossa imagem refletida, ampliada e premiada para todo mundo ver…
Cinema tem obrigação de cumprir uma função social? Não, nenhuma. E é por isso que eu também saio de casa para comer pipoca e esquecer da vida. Mas é um alento quando aparece no mercado um diretor como Cláudio Assis, que não faz concessões e usa sua arte para denunciar a miséria humana. Gostar ou não do filme é uma questão de estética e repertório pessoal. Negar sua veracidade é de uma burrice sem fim. Ou cinismo, o que é ainda pior.
Ah, ia esquecendo: a trilha sonora é de Pupillo. China se sai bem como ator. E uma música do Devotos ilustra umas das cenas do longa. .

Kaiser e Os Intrusos

Beto Kaiser e banda Mucica se apresentam sexta-feira, dia 01/06, no Pedra de Toque. Os Intrusos também estarão por lá. O serviço segue abaixo.

R$ 10,00
Pedra de Toque Bar e Restaurante
Rua João Tude de Melo, 77
Shopping Parnamirim
Horário: 23h
Fones 32677188 - 30742183(reserva)
*O Bar estará aberto a partir das 21h

Otto no MPB Petrobrás

Não apostava muito no último show que Otto fez quinta passada no Teatro da UFPE. Dois motivos: primeiro porque ainda tinha lembrança do último show que ele fez lá e estava quase vazio; segundo porque a divulgação fraca trazia no ar um clima de deja vu. Fomos naquela de “ver coé”, com expectativa baixa, eu e Guilherme, junto com uma amiga dessas meio obcecadas pelo bicho que pula. “Porque não nasci Alessandra Negrini?” foi a frase da noite. O descompromisso rendeu a primeira mancada da noite: perdemos o show de abertura do Vates & Violas. Banda escolhida para literalmente abrir a temporada do MPB Petrobrás esse ano.

Acabou que o show de Otto foi uma ótima surpresa. Apesar de estar com um disco novo na manga, que segundo entrevista dada a RollingStone foi feito totalmente sozinho, só ele e um laptop, ele ainda está no mesmo formato do MTV Apresenta. Começa sentado, no batuque, segue para a Jambroband. Tive a oportunidade de ver esse mesmo show umas cinco ou seis vezes em cidades diferentes e foi curioso perceber que, com o tempo, o número de percussão usada foi diminuindo. Minha aposta é que isso aumentou o pique do show.

Sendo o repertório de um DVD que faz apanhado da carreira de Otto, a noite foi recheada de hits. De Anjos do Asfalto à Bob, ele tinha essa única carta na manga – o descompromisso em testar músicas novas - para instigar o público. Chutando por alto, deviam ter cerca de 400 pessoas no teatro. Número bem bom, suficiente para dar aquela sensação de casa cheia. (Só de informação, vale registrar que o teatro inteiro tem capacidade para 1900 pessoas, contando com aquela parte superior).

Tocar no Recife tem um sentido especial para Otto. Raramente ele encontra tantos amigos na platéia. Gente feito Bactéria, do Mundo Livre (que também estava nos últimos dois shows de Otto que eu assisti); Fábio Trummer, do Eddie; Ortinho; os irmãos e até os vizinhos. Com isso, o nível de empolgação dele estoura no medidor. Ele pula pra caramba, corre feito um louco de lá para cá, tira a camisa e, para tristeza da amiga que acompanhava, não deixa nunca a calça cair.

Essa empolgação também aumenta entre as músicas. Isso costuma ser a maior crítica e também o maior elogio a Otto – sou do segundo time – quando ele se dana a falar todo tipo de viagem que surge na cabeça na hora. Começa nos ônibus da Cidade Universitária (esse papo ele já tinha falado antes, outras vezes) termina de maneira imprevisível nos tubarões tomando conta de Boa Viagem. A banda – formada por metade do Cidadão Instigado, parte do Instituto e da antiga Nação, a Lamento Negro – parece se divertir mais que o público. A cara de ansiedade deles é enorme na expectativa da próxima viagem.

Todo esse clima para cima fez o que deve ter sido o melhor show de Otto que já vi. Ele está menos tenso, mais a vontade, num meio termo certo entre sobriedade e chapação. Tranqüilo o suficiente para pedir um baseado ao público, sem precisar explicar que não faz apologia as drogas. Aliás, foi ele mesmo que notou a melhor surpresa da noite, o fato de que seu público está totalmente renovado, com caras novas que ainda engatinhavam quando a cena de 90 se formava na cidade. Feito eu, por exemplo.

A noite de Otto, banda, amigos e quem mais ficou esperto na mensagem, terminou no bar Capitão Lima, com discotecagem de Ganjamen.

Pop Out: Mapeando a capital da Catalunha

MAPEANDO A CAPITAL DA CATALUNHA

“Quiero tu alma
Quiero comer tu cabeza
Salir de casa para correr la presa
Quiero estar contigo em la mesa
Para comer el pez com tu cabeza
Yo… no tengo prisa para ponerme sobre ti
Yo… no quiero nada expeto cagarme em ti”

Madame Mim, em “Fiebre de Tu Mente”

Uêpa! Chega mais, pode entrar… Not paid nothing, baby!

Bem-vindo ao Pop Out! Nunca viu a coluna aí, não? A comunicação é direta, através dos comments. E querendo entrar em contato com este colunista aqui (sugestões, críticas, palpites, etc) é só anotar o e-mail deste pedaço: cleytonb@bol.com.br. Vai lá, manda vê!

Barcelona é a capital da Catalunha, uma comunidade autônoma da Espanha (pegando carona no Wikipedia), da comarca do Barcelonès e da província. É onde se encontra as instituições mais importantes do governo da Espanha. Barcelona é a cidade mais cosmópolita do planeta. Uma capital sonora que extrai das pessoas, através da música, um sentimento ambíguo, exato e gigantesco. Um mês e quatro dias, armazenando sons na capital da Catalunha é o suficiente para saber que o endereço, de fato, não é tão relevante. O que vale mesmo é a música de gente como Los Rotos, Playmates, Soulmate, Grillos e, mais ainda, Agustí Martínez. Existe mesmo uma inclanação por parte dos espanhóis em seguir a estrada que leva ao indie rock, ao indie pop ou ao indie qualquer… Qualquer sei lá o quê, mas existem também outros rumos espalhados nos clubes e bares de todo o país, muitas experiências musicais e, Barcelona contudo, tem entre as mangas diversos nomes escondidos. Estilos improvisados - trip hop, new-folk, drum’n’bass, eletrônico abstrato e hip-hop - por exemplo, são especialmente todos explorados em Barcelona: o território é vasto. Ao mesmo tempo é fácil não ficar sabendo da existências de algumas bandas, ver surgir certos grupos esplêndidos ou então deixar passar alguns nomes.

Mapa de Barcelona

Se você tentasse seguir o caminho de Barcelona com o dedo indicador no mapa da música, uma estrada ampla e especial se abriria. Completamente planejada, mas sem muita passagens ou pegadas, é a rota que te daria acesso a nomes como Iba Andando (quarteto que segue o emblema indie-pop de valencia dos anos 90), Top Models (banda encantadora, às vezes flerta com um som garageiro, por outras com um coro à la Beach Boys, que solta guitarras de rock and boogie, mete um iê-iê ou abre um toque lo-fi e coro femenino à moda country), Hule (este quarteto propõe um indie rock, mas disfarça com noise e riffs lentos de guitarra, e um pop relax, com uma voz suaaaaave, um teclado de fundo e letras engajadas). Caso você quisesse sair da cidade, seria bom acompanhar os Niño y Pistola da Galiza, mais precisamente de Baiona, municipio da área metropolitana de Vigo. Os Niño y Pistola dão mostras de como ser uma banda de pop acústico que não poucas vezes vai ter seu som comparado ao som dos escoceses Belle & Sebastian.

Aqui, na capital da Catalunha, as bandas (independentes) são tão esquecidas e locais quanto as de qualquer outra capital do mundo, mas carregam uma idéia global. Trabalham cada uma com o intuito de ser igual as outras, ou seja, nem melhor nem pior. Embora destacando diferenças incessantes no som de cada grupo, acredito que eles dividem a mesma atitude, proporcionando uma falta de interesse por parte da indústria fonografica e da música pop. Para usar uma expressão politicamente correta: no cenário underground de Barcelona não existe “salvações do rock”, e sim bandas suntuosas. Nesta cidade o termo Creative Commons não é estranho ou desconhecido entre os músicos. O interesse vem desde a infância. Os olhos de cada criança brilham ao entender o que é sonoridade, o que é sample, o que é guitar hero e… De quando em quando com particularidades contagiantes, feito um “bad boy” com headphones enfiados na orelha, ou um “indiekid” tristonho usando sapatos DM (Doctor Martins) e anoraks (roupas com capuz). É curioso: Barcelona tem seu mapa musical desenhado frequentemente, renovando-se a cada ano. Aquele que tentar percorrer esse jardim secreto, corre o risco de não achar mais o caminho de casa.

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ENTREVISTA - MADAME MIM

Vamos que vamos, pois quem fica parado é pôster pregado na parede! Hoje tem entrevista. E aí, conhece Madame Mim, projeto solo de Mariana Eva? Bem, se você não sabe quem ela é… Fique tranqüilo. O Pop Out apresenta para você:

Mariana Eva, ou carinhosamente, Eva, é uma argentina super envolvida com a música, isto é, ela é (junto com o Superputo), Madame Mim, banda que acabou de finalizar seu segundo CD, que, além de mesclar electro-punk com rock latino, faz de suas letras um minúsculo mosaico de sentimentos e prazeres: ora sexuais, ora mórbidos. Não para por aí… No Brasil, Eva foi componente de uma banda punk de garotas que se tornou lenda no underground carioca dos anos 90: o Pólux. Ela participou dos discos Brazil, The Women’s Voice lançado em Londres, Lucky Strike Lab Music, Djavan Na Pista e em 2005 lançou seu primeiro trabalho solo Eu Mim Meu pela gravadora Lua Music. Esse CD, de porte experimental, descrito pela crítica como “pop pervertido” teve participação de diversos músicos e produtores de peso como Rodrigo Campello que também produziu o CD Na Paz da Fernanda Abreu. Jr. Tostoi que fez parcerias com Lenine, Adriana Calcanhoto, Jards Macale. Carlos Trilha que cuidou do disco Canções dentro da noite escura de Lobão e que anda tocando com Marisa Monte.

Além das apresentações, tanto no Rio quanto em Buenos Aires, Madame Mim marcou presença em muitas festas raves como DJ durante a composição do segundo disco. Isso resultou um amadurecimento no “lulling” das pistas de dança e seu set de novidades latinas foi foderoso para seu trabalho como artista e também ajudou a distinguir o novo formato de seu atual show que se resume em apenas duas pessoas no palco. Madame Mim Provoca com risadinhas maliciosas, arremessa efeitos na voz e toca guitarra com uma sensualidade fora do comum e, seu partner, o Superputo, toca teclado e afrouxa as bases com intervenções eletrônicas ao vivo, tornando cada apresentação orgânica e inesquecível. No dia 19 de maio, uma noite como outra qualquer, tivemos uma conversa por telefone. Eu, em Barcelona, Mariana Eva em São Paulo onde ela tem uma agenda repleta de shows.

Madame Mim - Foto de Daniela Dacorso

Seu trajeto com a música não vem de hoje. No Brasil, fez parte de uma banda punk de meninas que ficou marcada no “underground” carioca dos anos 90, o Pólux. Na época o grupo fez mais de 250 shows, tocou em diversos eventos e festivais como o Abril pro Rock, Humaita Pra Peixe, Motim, Planet Fashion, Festa do Zine 02 Neurônio e até abriu o show da banda alemã de digital hardcore Atari Teenage Riot. Quando você descobriu que a sua parada era música?
Foi de um dia pro outro. Eu era atriz, fazia teatro e dança, mas sempre fui rodeada de amigos músicos. Um dia, numa mesa de bar, uns amigos me botaram uma pilha de fazer uma banda de meninas. Três dias depois, estava no show do Wander Wildner no Rio, conheci a Bianca e a chamei pra tocar comigo. Quero dizer “tocar” comigo por que nenhuma das duas tocava nada. A gente foi aprendendo com o Polux, compondo juntas com os shows. Foi um processo totalmente punk, “do it yourself”. Eu lembro que como não sabia as cifras inventei um método pra me fazer entender e escrever minhas músicas. Eu dei número pras cordas em vez de letras. Funcionou super bem!

Uma pergunta que já lhe fizeram umas “100.000″ vezes, de onde vem o nome Madame Mim?
Bom, primeiro veio só o “Mim”, de uma letra de música. já tinha algumas músicas e ainda não tinha o nome do trabalho. A música era “Hoje” que está no meu primeiro CD Eu Mim Meu e na letra dizia: “…um pedaço de mim terminou…”. Enfim, peguei o “Mim” pra ser o nome do meu projeto solo, achei que “Mim” tinha a ver com eu mesma (risos). Depois o trabalho foi para outro lugar totalmente diferente do que era o “Mim” e não dava pra manter o mesmo nome já que o som havia mudado tanto, então como eu tinha virado madame (mais risos), transformei o “Mim” em “Madame Mim”.

Neste segundo CD, a banda traz uma mistura de electro-punk com rock latino, uma pitada de cumbia eletrônica e mais uma série de novidades para as pistas de dança. Foi uma transformação do primeiro pro segundo CD da artista Mariana Eva?
Transformacão total. No Eu Mim Meu eu comecei a flertar com o
eletrônico. Tinha saido do punk rock e aos poucos fui explorando esse universo. Fui me apaixonando, tocando em festas aqui e em Buenos Aires como DJ e acabou sendo um processo natural mudar o som.

Nas novas composições, Madame Mim conta com a parceria do produtor e baterista Vig que já habitou no Brasil e tocou com Lobão, Sergio Dias e Gilberto Gil, mas atualmente mora em Londres onde toca do underground ao mainstream como ao lado de Eminem, Avril Lavigne, e já até trabalhou com o produtor Tom Aitkenhead do Bloc Party. Então, a pergunta é: como é trabalhar ao lado de Vig?
Bom, não é bem trabalhar ao lado por que ele mora do outro lado do oceâno atlântico. Nós compomos pela internet. Ele faz lá, manda pra cá, eu faço aqui, mando pra lá. Mas sempre mantemos um cronômetro do tempo gasto em cada composição, o arquivo sempre vai junto com o tempo gasto ao lado. Tipo, demorei 45 minutos para fazer esse loop e oteclado e, assim, vai até completar as duas horas por que no fim das contas uma música não pode demorar mais do que isso pra ser composta. Faz parte dos meus dogmas.

Os dogmas são…
Dois. O primeiro fala do tempo pra compor uma música, que não pode demorar mais do que duas horas. Tem que ligar o despertador e terminar como ficou. O segundo fala do não uso do computador, tem que gravar tudo ao vivo, usando equipamentos eletrônicos digitais, claro, mas sem o computador e seus plugins envolvidos. Ainda nos dogmas não podemos fazer teclados que não possam ser tocados com dois dedos e ensaiar só no dia anterior ao show.

E aí, sendo assim tão bonita (leia-se sexy!), você já teve algum
problema durante os shows com rapazes grosseiros?

Obrigada! Nunca tive nenhum problema (risos).

Como tem sido os shows ao vivo?
Ótimos, simples e contagiosos. É muito legal ver o público pulando
junto com você!

Ouvi dizer que você é uma argentina que passou a vida entre Buenos Aires, Rio de Janeiro, San Francisco (CA) e que agora está definitivamente em São Paulo. Primeiramente, por que você saiu da Argentina e, segundo, o que você está fazendo em SP?
Foi muito legal morar em todos esses lugares, cada um me influenciou de uma maneira. Agora estou em SP e está sendo uma experiência incrível!

Agora, fale-me sobre o Superputo, já que ele não está sendo entrevistado.
O Superputo é o meu parceiro, compõe e toca ao vivo comigo. Ele é da indústria de games, trabalhou nos USA e na Coréia, não tem muita paciência pra música, ensaios, e tal… Ele só topou fazer este projeto por causa dos dogmas. Assim fica bem mais divertido!

Ouça o som da Madame em http://www.myspace.com/mimadame

Agradecimentos: Viviane Menezes, Daniela Dacorso, Vig, Lua Music, Globo Online e Uol

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PRIMAVERA SOUND FESTIVAL 2007

Primavera Sound, no Pop Out, só daqui a duas semanas (direto do Parc del Fòrum, Barcelona). O evento promete diversão, entretenimento e muita música. Haja vodka torrante e tapas aquecedores! Eu, claro, ofereço a cobertura do festival através de descrições minuciosas. Sinceramente, eu não estou nem aí para essa volta dos Smashing Pumpkins (atração principal do dia 31 de maio). Acho um saco quando uma banda que já fez história resolve voltar. Pensei isso dos Stooges, antes pensei isso dos Sex Pistols, depois pensei isso dos Jesus & The Mary Chain, e agora estou pensando isso dos Smashing Pumpkins (nada mais justo).

Primavera Sound Festival 2007

Fala aí: na sua opinião, eu devo assistir a abertura do festival com os Pumpkins e depois aturar White Stripes ou devo chegar na hora do show de Slint (para relaxar um pouco antes do show do Melvins)? Devo ir no dia 01 de junho para me jogar na Tenda Eletrônica ao som de Diplo e Bonde do Rolê? Sim, o terceiro dia vai bombar com Sonic Youth, The Long Blondes, Klaxons, Múm, Grizzly Bear… Só digo uma coisa: o próximo Pop Out vai está o pipoco do trovão! Aguarde! Eu também vou falar da festa de despedida, que traz Of Montreal, Erol Alkan, The Orchids, Malajube, Apostle Of Hustle, Apse, Southern Arts Society.

Chega por hoje
Adiós amigos

Por Cleiton Brito

Pop Out: Top 10

TOP 10

“I need the good and old times
And it was you who came around”

Vamoz!, em “Target of Rock”

Olá! Hoje é dia de mais uma coluna gringa. Hoje é dia de Pop Out. Deixa eu me despreguiçar, arregaçar as mangas e apontar o lápis. Prontinho.

Enquanto bombaram as notícias “Madonna vai a África fazer compras”, “top Kate Moss assina (por US$ 6 milhões!!) coleção para rede de lojas inglesas Topshop e cai doidona nas baladas”, ou “Patricinha Paris Hilton dá um rolê no show do CSS”, eu fiquei encarregado de assumir uma missão muito ingrata: escolher dez CDs. É quase impossível para alguém que gosta mesmo de música dizer o que gosta mais. E sem querer começar a coluna com uma lista exaustiva de nomes de bandas recifenses, vou assim, limitar-me à resenhar alguns discos, por ordem muitas vezes não cronológica, de diversos grupos que de alguma maneira contribuem para a evolução e dignificação do cenário musical do Recife. Eu, de fato, sou daqueles que sempre junta as palavras “my” e “space” só para ver que bicho vai dá. E também compro e recebo alguns CDs. Ah, que saudade incrível dos meus seis/sete anos de idade, tempo em que eu só fazia brincar com minha coleção de Playmobil vestido com uma roupa de “Homem-Aranha” improvisada. Até senti falta da Nave Espacial da Xuxa. Nada de listas, tarefas… Bem, vou deixar de moleza e começar logo.

Vamoz! ao vivo no Downtown

Vamoz!
Damned Rock ‘n’ Roll (Coquetel Molotov | Fire Baby Records| Monstro Discos)

Já vemos que não é nenhuma novidade falar sobre esse segundo CD da banda Vamoz!, mas assim como no primeiro To The Gig On The Road (2003), podemos ligar tudo às influências legais que o grupo têm do Pixies, Wilco, Teenage Fanclub e todas essas bandas de indie rrrock e country alternativo que lhe vem a cabeça. É um disco que foi lançado por três selos e, além disso, também é um DVD (o qual não vou fazer um comentário sequer). Damned Rock ‘n’ Roll é um CD bem produzido, com dedos cirúrgicos em cada música. Neste disco você encontra um fator que eles vieram mantendo desde aqueles tempos em que explicavam que o nome da banda é um convite ao rock: a necessidade de fazer um som sincero.

Escute: Vamoz! - Target of Rock

Os Insites
Os Insites (Independente)

Do Recife destaco também Os Insites: um grupo de quatro amigos apaixonados pelo rock ‘n’ roll dos anos 60. Munidos de todas as parafernálias sonoras e não sonoras que remetem ao espírito vibrante daquela época, Os Insites, liderados por André Conserva (guitarra e voz), recentemente “lançaram” um CD-R. Com muito esforço e dedicação, o disco foi produzido nos estúdios Âncora e Cardozo Records e, ainda digo mais, foi masterizado por Neilton da Devotos. A primeira fatia do bolo vai para a boa faixa de abertura “Expandindo”. A segunda fica (claro, o CD só tem essas duas faixas!) para “Vá em frente, pire à esquerda” que lembra bastante os anos dourados. A banda é única em descarregar riffs e brincar aos berros com citações em clima retrô. Também, pudera: Os Insites revisam o passado!

Escute: Os Insites - Expandindo

The Dead Superstars
Orange Girls In The Blue City (Bazuka Discos)

Segundo as más línguas (aquelas que escorrem muito veneno!), eles são uma espécie de “Sonic Youth Wannabe”, mas está na cara que as influências da banda partem do rock dos anos 90. São de Recife, mas cantam em inglês (qual é o problema?), e de vez em quando fazem parceria com outro grupo que também não canta na língua pátria: o Sweet Fanny Adams. Duas guitarras fuzzys e sólidas arrasando com os seus ouvidos, e um baixo simples marcando uma bateria propícia. No show você pode olhar do lado e vê um magro empolgado usando óculos de grau e com os cabelos encaracolados. Caso olhar do outro vê uma indiezinha nipônica. Adiante você vai encarar um “zulu” grandalhão e modernizado que parece ter saído de um desenho do cartunista Jamie Hewlett, e olhando para frente vai vê um carinha (que adora uma camiseta quadriculada), cantando de olhos bem fechados como se fosse o Black Francis, e já tão concentrado tocando o seu instrumento ele não consegue se mexer tanto. The Dead Superstars é partidário do shoegazer, o mesmo tipo de som que marcou (e ainda marca) a primeira fase do Mellotrons e que faz My Blood Valentine e Dinossauro Jr. não parar de ser cool. Não importa o que dizem: Recife precisa deles.

Escute: The Dead Superstars - Electrotank

Rádio de Outono
Rádio de Outono (Coquetel Molotov)

Quem ainda não ouviu o primeiro EP da Rádio de Outono levanta a mão! Todo mundo ouviu, não é? Mas enquanto o próximo não vem este aqui vai continuar na minha prateleira. Comprei o disco na festa de lançamento em 2006 por causa do Coquetel Molotov. Quase tudo que o Coquetel lança eu costumo verificar (o pessoal lá tem bom gosto!), achei que não fosse gamar neste “EPzinho”, mas ele é demais e Rdo é um ótimo exemplo de como uma banda pop sofisticada deveria ser: estilosa e retrô.

Escute: Rádio de Outono - Sabe-tudo

Monodecks
Reverbera na Caverna (Independente)

Esse single foi “lançado” numa tiragem super limitada pela própria banda. O disquinho não tem capa, ele vem protegido por um papel branco, e é sem dúvida uma produção promocional, ou seja, Reverbera na Caverna foi distribuido gratuitamente para alguns sortudos (eu, inclusive!) durante o Porto Musical, evento que antecede o Carnaval da cidade. Eu poderia até tentar citar algumas influências do Monodecks para lhe instigar a ouvir esse disco, mas não sei se vai adiantar. Faça o seguinte: você curte Brian Eno, Syd Barret e Slint? Escute o CD. Gosta de Sun Ra e Walter Franco? Escute mais ainda. Assimila tudo que é experimental ao gênero post-rock? Escute… Agora.

Escute: Monodecks - Trêmulo

Amps & Lina
Enfim (Independente)

Enfim. Eu lembro que ouvi este disco por causa da vocalista Luciana Medeiros (um doce de pessoa!). Cada canção que entrava era uma tijolada na minha cabeça, pois eu não sabia se amava ou odiava. De um lado as influências bacanas que eles têm do Arcade Fire, Breeders , Structures, Cat Power. Do outro a qualidade do EP que não saiu das melhores. Tomara que o Amps & Lina, a banda das antigas (como diria Rogê de Renor!), lance um novo trabalho logo e que faça dele um produto pop rock daqueles bem produzidão.

Escute: Amps & Lina - Enfim

Baixe o disco inteiro em www.myspace.com/ampslina

Mula Manca & a Fabulosa Figura
Amor e Pastel (Independente)

O título do CD é um tanto aliciador: refere-se aos contos amorosos e histórias do dia - a - dia, que terminam esterilizadas nos jornais diários e revistas de fofoca. Mas não confunda… Esse disco do Mula Manca & a Fabulosa Figura não é um pastelão de piegas. Tanto os arranjos como melodias e letras, denotam um resultado de altíssimo grau de qualidade, beleza, etc. Amor e Pastel é um disco para ser apreciado com cautela. Essa foi a primeira impressão que eu tive quando me deparei com este álbum. Aqui, além do nome, o Mula Manca assassina o ar quixotesco e acata a novela romântica e, o que é melhor, sem receio.

Baixe o disco completo em www.mulamanca.com

Asteróide B-612
Rua da Aurora Boreal (Independente)

O que eu queria mesmo era andar por alguma rua desconhecida de Barcelona, mas não há lugares assim por aqui. É melhor ir direto ao ponto, isto é, Recife (PE). Então, vou começar a andar por uma rua bastante movimentada, Rua da Aurora Boreal. Não é uma rua glamourosa frequentada por superstars, e sim o novo EP do Asteróide B - 612 (que acabou de ser lançado). Ele fica logo depois de Imoral, Cara de Pau e Sem Vergonha – é só seguir a via fodida e diminuir um pouco a velocidade para não passar direto. É uma área mais calma do que a primeira, mas não pense que é decente, moral ou dentro dos padrões. Bebida e sexo ainda são os pensamentos que lhe surgem ao ouvir as faixas cantadas aqui nas redondezas por Zeca Viana (guitarra e voz). Quando eu passei por “Laser Bill” senti de longe o cheiro de cachaça. Quando eu medi pelos riffs rrrock desta canção, de Rua da Aurora Boreal saquei que o bom do Asteróide B - 612 é que a banda está mais próxima da tosqueira de outrora como o udi-grudi que da zoeira contemporânea do indie rock.

Baixe o disco completo em www.myspace.com/ab612rock

Erasto Vasconcelos
Jornal da Palmeira (Candeeiro)

Senhor de talento, bom coração e que denota espírito é o tal de Erasto Vasconcelos. Com uma experiência medonha, mas nem um pouco angustiado, ele sempre usufruiu da admiração dos músicos de sua e de nossa época. Entretanto, somente nessa década, quando perto dos 60 anos de idade lhe veio o reconhecimento. Jornal da Palmeira é o seu disco de estréia, lançado em meados de 2005. Por que ouvir? Este CD não apenas revela um homem de 59 anos, mas um mestre sem tamanho, que enfim teve o seu trabalho musical distribuído de forma decente pelo o mundo. E já que eu não achei nenhuma canção do homem na net… Vou terminar dizendo que a faixa “O Baile (Betinha)” é perfeita para dançar.

Diversitrônica
Diversitrônica (Independente)

Não conhecia Diversitrônica até pouco tempo atrás. Quando saquei pela primeira vez achei uma frialdade mecânica, mas festiva. Agora torço por eles, é uma grande banda e, acima de tudo, bastante divertida. Esse EP homônimo é bom por que tem Kraftwerk em sua essência, e isso fica cristalino em cada faixa (Jamming Session, Elefante E Castelo, Pastilhas Elasticas, Tarde). Nada de Atari, MSX, Sega, Nintendo ou Jaspion. Aqui, tudo vem do Kraftwerk: é a Mãe Germânia substituindo a Mãe África. Está mais do que no ponto. Diversitrônica tem de levar sua inquietude sonora e seu minimalismo para além das fronteiras de Pernambuco. E tenho dito.

Diversitrônica - Elefante e Castelo

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PRIMAVERA SOUND FESTIVAL 2007

Nessa época do ano em Barcelona os dias são frios (daqueles que lhe fazem tremer) e ensolarados também. As folhas das árvores caem pelas calçadas, e todo cachecol é pouco quando se quer sair de casa. Você aprecia as ruas e as lindas cafeterias, anda de bicicleta e aguarda ansiosamente o Primavera Sound Festival, evento que se realiza aqui em Barcelona, durante três dias no Parc del Fòrum. Como sempre, o Primavera Sound mostrará o melhor da música internacional: Sonic Youth, The White Stripes, Mike Patton, Patti Smith e os renascidos Smashing Pumpkins serão os grandes ganchos para esta edição (e eu vou está lá, papai!). Mas, antes do festival, eu tenho uma série de concertos “pré” para assistir. Na verdade, são três e eu nem sei se vou para todos. Entretanto, fico pensando: seria bom que os festivais daí de Recife também tivessem um aquecimento (não global, certo?) do gênero. Por aqui (além das futuras coqueluches!), vai rolar, no dia 28, às 21:00h, show de Nueva Vulcano (esses catalães têm já dois álbuns editados – Principal Primera e Juego Entropico, intercalados por dois EPs intitulados Sobremesa e Sagrada Familia, ambos de 2004), Estrategia Lo Capto! (trio que acata as grandes tradições do underground valenciano), e Lavodrama (suas canções passeiam por um lugar que te faz lembrar do Foo Fighters ou Kerosene 454). Já no dia 29 tem Centro-Matic (tecladinho enfeitado do Texas), The Sadies (filhotes de Neil Young) e, por último, no dia 30 (um dia antes do festival, mamãe!), teremos At Swim Two Birds (o som é bom, e o nome corresponde a um livro do escritor irlandês Flann O’Brien), Oslø Telescopic (banda com influências de rock, hip-hop passando pela disco-music) Gnac (as músicas são instrumentais, com instrumentos tão variados como piano, xilofone, guitarra, orgão e outros muitas vezes indecifráveis). Parece até Carnaval. É muita festa, baby! Vou até preparar os confetes. Blah!

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ROCK COM CARA DE LEGUMES, MAS BEM CARNAL

The Evens (divulgação)

Recentemente, a nova banda do ícone do punk Ian MacKaye, The Evens, formada pelo mesmo e sua esposa Amy Farina passou pelo Recife, exibindo suas músicas de igual para igual mesmo tocando (num PUB com direito a clone de chopp e tudo mais!) instrumentos opostos e bradando algo do tipo “silêncio, seus merdas! Nos deixem tocar (como se fosse um João Gilberto Straight Edge)!” para uma platéia que bebe e fala demasiadamente. Depois desse episódio… A canção “Eventually” do excelente Get Evens (Dischord), passou a circular no meu aparelho de som e - ops! - no meu iPod. O diálogo guitarra/bateria em compassos diferentes, o refrão forte e a pegada hard-folk dessa música me lembra muito os primeiros álbuns de PJ Harvey, Minutemen e, óbvio, Minor Threat e Fugazi. Não preciso dizer mais nada. Diabolus in musica!

Um beijo para Mariana Fontes e isso é tudo
Tchau

Por Cleyton Brito

Tapa na Orelha - Por que nos odiamos tanto?

A idéia já estava rondando minha cabeça há algum tempo, mas tomou corpo de vez depois da repercussão do show do Fiddy no Abril pro Rock. Seguinte: por que será que todo o meio musical se odeia? Exagero? Então vamos enumerar os fatos.

1. Jornalistas se odeiam – parte da nata da crítica musical do Brasil troca insultos diariamente no orkut. E insultos pesados.

2. Bandas se odeiam – aqui a coisa é mais sutil e discreta, mas a verdade é que muitos grupos daqui não se bicam.

3. Produtores se odeiam – acho que nem preciso citar exemplos aqui.

4. O público se odeia – basta dar uma pequena olhada nos comentários do site. Punk não gosta de indie, que não gosta de nada que faz sucesso, que não gosta de metaleiro, que não gosta de quem gosta de pop, que não gosta do público de música eletrônica. E todos os citados acima odeiam emo.

5. Todas as combinações possíveis dos quatro grupos acima são válidas.

Não estou querendo levantar a bandeira da paz, até porque não tenho cacife para tal. É apenas a constatação de um fenômeno que me deixou intrigado: por que tanta agressividade? Por que tanto ódio gratuito? Fora o grupo três, que é mais fácil de explicar, tenho uma teoria para os demais. A coisa era um pouco mais velada na era pre-internet. A comunicação entre leitores, jornalistas e bandas era mais difícil. Com o advento da intenet, a coisa pipocou de vez. É muito fácil ser corajoso atrás de um computador e usando um pseudônimo. Algumas pessoas mostram o que têm de pior na internet. Sem falar que acabamos assumindo outra personalidade no manuseio do teclado. O jornalista André Forastieri escreveu na edição de abril da Bizz que sempre foi um sujeito pacato no trato pessoal, mas que se descobriu valente e insolente diante do teclado. O mesmo acontece comigo. Sou sossegado pessoalmente e me transformo quando escrevo.

Mas a mudança de personalidade na internet é apenas um elemento aqui. Música é uma atividade que mexe com vaidade, ego, orgulho e sensibilidade. A linha que separa esses elementos da irracionalidade é muito tênue. E aí você junta todas essas características em pessoas com interesses diferentes: a banda, que quer mostrar que é boa de fato; o jornalista, que deseja provar que escreve melhor e entende mais de música do que o seu colega de outro veículo; os produtores, que querem convencer a todos que produzem “o melhor e maior” festival do Brasil; e o público, que quer um atestado de credibilidade de seu bom (e “melhor”) gosto via matérias. E ai de quem escrever uma vírgula que entre em conflito com seu refinado e irrefutável gosto. É difícil admitir, mas a verdade é que todos se odeiam. Toda classe enumerada acima é odiada por todas as outras. O que isso tem de racional? Nada. Afinal, música envolve tudo, menos racionalidade.

Eu? Eu não odeio ninguém, mas não vou com a cara de um representante de um dos grupos acima. Quem? Não conto nem sob tortura.

Paz!