Archive for Maio, 2007

Sábado Mangue: Baque Makossa e Carfax

O Gosto Novo da Novidade

Carfax no Sábado Mangue

A chuva deu trégua e o povo apareceu. Depois de alguns fins-de-semana sem muito movimento na noite recifense, o Sábado Mangue no Pátio de São Pedro fez todo mundo se reencontrar pra ouvir rock’n’roll. E eu não estou falando da primeira banda da noite, Baque Makossa.

Cheguei na metade desse show. Já tinha ouvido uma ou outra música da banda, mas nunca tinha ouvido ao vivo. O som é aquele mais-que-batido samba-rock que fez muito sucesso há uns anos atrás, mas que já deu tudo o que tinha que dar. Os músicos, todos aparentemente bem alimentados, cantam que “o preço do feijão não cabe na música”. E eu fiquei pensando que era a essa música que não cabia (mais) em lugar nenhum. Ouvi um pouco, mas depois não me dei ao trabalho de ficar atenta ao show, pois foi muito previsível. O som tem influências do mangue, da cultura popular e toda a herança que Chico Science deixou quando se foi. Só que, como minha mãe sempre diz, “se você ganha, não dá valor: você deve conquistar”. Eles querem inovar, mas não vão conseguir enquanto fizerem o que muita gente já fez (melhor) antes.

Apesar disso, teve gente que estava lá pra se divertir e, quem não tinha problema com samba-rock, assim o fez. O show foi longo e quando se pensava que tinha acabado, voltou.

Só perto de meia-noite a Carfax subiu ao palco. O show foi dividido em três partes e a primeira tratava do CD O Gosta Antigo da Novidade. Ou seja, começaram com a seqüência Aqui, Ali ou Em Qualquer Lugar, Retalhos e Ainda Queima” pra levantar as mais de 300 pessoas no Pátio. Tendo os fãs mais fiéis dentre as bandas de rock do Recife, foi o momento da Carfax ouvir letras cantadas em coro.

Apesar de ter um público poucas vezes visto num Sábado Mangue comum, a dança não foi o ponto alto do pessoal. Principalmente na segunda parte, com a participação da Orquestra Biscoito Recheado (naipe de metais incorporado à banda para projeto 100 Anos de Frevo, mas que acabou extendendo os vínculos) na qual a Carfax mostrou um lado obscuro. Afinal, se o rock sempre foi considerado um filho bastardo da música, o que é o frevo para um roqueiro? O resultado foi ótimo, por que desconcertou o público (de uma maneira boa) e ainda deu pra homenagear as mães presentes (era véspera de dia das mães) com um frevo-canção.

Na terceira parte, as músicas novas. Antes do show eu encontrei a vocalista Iana e a primeira coisa que ela disse foi “estou tão ansiosa para ver a reação das pessoas nas músicas novas”. Em geral, uma banda cria, ensaia, ensaia, ensaia, apresenta e fica na expectativa da resposta. No caso do Carfax, aposto que Iana não se desapontou. Dos caminhos que a banda percorreu no primeiro CD, eles escolheram o que eu considero o mais legal para explorar e seguir adiante: um grunge de bater cabeça com letras abstratas, porém palpáveis. Não deixaram passar em branco a experiência com o frevo e incluíram um trompete numa das músicas. A banda estava tão empolgada que foi notável a dedicação que dispuseram na construção desta nova fase, bem mais madura e sem preconceitos. Ouvi dizer que a qualidade do som não estava das melhores, mas eu nem notei por que o show foi tão legal que me distraiu. Assim como a maioria do público, que ouviu com atenção e aplaudiu com vigor ao final de cada música. Foi, com certeza, o melhor show da Carfax que já vi.

Fotos do Carfax no Sábado Mangue:

Set list da Carfax:
Aqui, Ali ou Em Qualquer Lugar
Retalhos
Ainda Queima
Alegoria
Pega Ladrão
Corpo Fechado (Participação da Orquestra Biscoito Recheado)
Voltei Recife (Participação da Orquestra Biscoito Recheado)
Lili… (Participação da Orquestra Biscoito Recheado)
Ieh Ieh Ieh!!! (música nova)
O Triste (música nova)
Nitro (música nova)

CARFAX NO SÁBADO MANGUE
data: 05/05/2007 (Sábado) - local: Pátio de São Pedro
com as bandas Carfax e Baque Makossa
Resenha por Sofia Egito (palco 1)
Fotos (ruins) por Guilherme Moura

Cotação: 4/5 (bom)

RESENHA: Mellotrons - Mellotrons

Mellotrons - Mellotrons - 2006

Mellotrons - Mellotrons (2006/Independente)

O disco de estréia do Mellotrons sofre de um problema curioso: é “apenas” o registro da primeira fase da carreira da banda. O Mellotrons de hoje já não tem mais nada a ver com o grupo que toca no álbum. Eles mudaram o estilo e trocaram as referências. Agora, a banda canta em português e bebe na fonte do mineiro clube da esquina. Qual o problema? A princípio, nenhum. Mas a verdade é que o disco já nasce com sabor de águas passadas. Será difícil ouvir ao vivo o mesmo Mellotrons do primeiro disco. Aí fica a dúvida se tal atitude é corajosa ou equivocada. Porque o disco beira a perfeição. Bem tocado, gravado e arranjado, o CD traz o grupo apostando nas microfonias e distorções como instrumentos a mais em sua formação. E as influências de outrora estão todas ali: My Bloody Valentine, Radiohead, Smiths e Nada Surf. Tem pinta de disco gringo, e talvez por isso eles tenham deixado essa fase para trás. Recife (o Brasil) ainda é cruel com esse tipo de som e com quem canta em inglês. E é engraçado, pois temos aqui o melhor disco de estréia de uma banda pernambucana desde o primeiro álbum do Vamoz! A vantagem de levar quase uma década para entrar em estúdio é que quando você o faz já está com repertório amadurecido e sabendo exatamente o que quer. Embora aqui seja o caso de dizer que o álbum passou do seu tempo, já que a banda adotou outra linha estética. Apesar do problema temporal, o que já era muito bom ao vivo ficou ainda melhor em disco. Evening ganhou o auxílio de palmas e ficou mais pesada. You and I e Slow Motion cresceram assustadoramente em estúdio. E a opção de jogar camadas noise em partes mais melódicas reforça a saudade que não sabemos ainda ao certo se devemos sentir.

Enfim, um disco perfeito de uma banda que não existe mais. Ou existe? O que ainda irrita um pouco no Mellotrons é uma certa atitude indie/blasé. A capa é ininteligível. Não dá nem para ler direito o nome da banda. O encarte também não ajuda. Quem não conhece o grupo será obrigado a adivinhar o nome das músicas. Apenas um “mellotrons” minúsculo enfeita a lateral do disco. Ok, é bonitinho, é diferente e tal, mas é também de uma inutilidade gritante. Se a intenção era não vender nenhuma cópía, acertaram em cheio. Uma pena, pois a música deles deveria ser compartilhada com todos.

Cotação: Bom (4/5)

Escute: Mellotrons - Evening

Escute: Mellotrons - Tongue

Melltrons (foto de divulgação)

Pop Out: Antes que o mundo exploda

ANTES QUE O MUNDO EXPLODA

“You hate that burning feeling
But you love that feeling you hate
You wake! Are you dying or killing?
You will always feel the same”

Mellotrons, em “Tongue”

Direto de Barcelona, Espanha

Salve o mundo, salve a não-tão-nova cena musical pernambucana e, antes que o mundo exploda, resolvi começar essa coluna já dizendo a que vim: muito rock. Depois de noites mal dormidas esperando o meu visto de trabalho sair, aqui estou: em Barcelona. Longe dos rios, das pontes e dos overdrives, mas muito bem, obrigado. É isso aí, a partir de agora você vai ficar a par de tudo o que acontece por aqui na capital da Catalunha. Ok, ok. O que isso tem a ver com a não-tão-nova cena musical pernambucana? Bem, esse colunista aqui… É recifense e embora estando longe ele quer manter o contato com esse cenário (paradão!) que ele gosta muito. Já que ultrapassei fronteiras e tive que deixar a cidade por um tempo. Vou deixar de blá blá blá e apresentar a coluna que (até agora não sei por que) resolvi chamar de Pop Out.

Só para você ter uma idéia do que será a tal Pop Out, e o que afinal eu vou transmitir daqui, vai uma notícia:

PRIMAVERA SOUND 2007
De 31 de Maio a 2 de Junho, em Barcelona, no Parc del Fòrum, acontece o Primavera Sound Festival 2007. Como já foi dito, o festival acontece no Parc del Fórum(para quê repetir?), que foi construído para o Fórum Universal das Culturas em 2004, com uma arquitectónica bastante atual. Localizado no Mar Mediterrâneo, o recinto possui as condições perfeitas para suportar grandes eventos deste calibre: três palcos, com um especial destaque para o anfiteatro ao ar livre. Veja só! Esta é uma zona privilegiada porque existe uma boa rede de meios de transporte para a zona centro. Não posso perder! Estou aqui roendo as unhas para que esse dia chegue rapidamente. Sem mais, dá uma olhada no Line Up:

Estrella Damm

31/05: The Smashing Pumpkins, The White Stripes, Slint performing Spiderland, Melvins performing Houdini, Dirty Three performing Ocean Songs, Explosions In The Sky, Herman Düne, Fennesz & Mike Patton, Comets On Fire performing Blue Cathedral, Justice, Girl Talk, Fujiya & Miyagi, Bola, Ghouls´n´Ghosts, Parenthetical Girls, Alexander Tucker, Veracruz, Za, The Light Brigade, Anticonceptivas

01/06: The Fall, Maxïmo Park, Los Planetas, Spiritualized acoustic mainlines, Modest Mouse, Built To Spill, Billy Bragg, Blonde Redhead, Band Of Horses, Low, The Rakes, Barry Adamson, Girls Against Boys, Beirut, Portastatic, Sr. Chinarro, Black Lips, Hot Chip, Black Mountain, David Thomas Broughton, Mus, Jay Reatard, Brightblack Morning Light, Death Vessel, Half Foot Outside, Ginferno, X-Wife, Plastic D´Amour, Chromeo, Errors, Evripidis And His Tragedies, One-Two, People Are Germs, AA Tigre, How Dare You!
Tenda Eletrônica: Diplo, Umek, Luke Slater, Kid Koala, Technasia, Bonde Do Role, Dj Yoda, Reinhard Voigt, Spank Rock, Toktok

02/06: Wilco, Sonic Youth performing Daydream Nation, Patti Smith, The Good The, Bad & The Queen, Buzzcocks, Jonathan Richman, Isis, Robyn Hitchcock And, The Venus 3, The Long Blondes, Architecture In Helsinki, Pelican, Múm, Shannon Wright, Ted Leo & The Pharmacists, Klaxons, The Durutti Column, Standstill, The Apples In Stereo, Battles, Lisabö, Kimya Dawson, Matt Elliott & his orchestra, Grupo De Expertos Solynieve, Grizzly Bear, Oakley Hall, Shitdisco, Thee Earls, Ovni, Raülmoya y el Trío Miniña, Koacha, Peluze, 6PM, Man Like Me, Le Pianc
Tenda eletrônica: Hell, Erol Alkan, Nathan Fake, Ivan Smagghe, Luomo, Play Paul, Dominik Eulberg, David Carretta, Oliver Huntemann, Mijk Van Dijk

03/06: Festa de despedida: Of Montreal, Erol Alkan, The Orchids, Malajube, Apostle Of Hustle, Apse, Southern Arts Society

Pronto. já falei demais do Primavera Sound Festival 2007 nessa coluna. Mas ainda acho que está faltando alguma coisa… já sei:

Sweet Fanny Adams ao vivo na Nox

RRRRRROCK E MAIS RRRROCK
Alguém aí já ouviu “Pretending” do Sweet Fanny Adams? É uma canção e tanto para embalar uma noite, não? Ouvindo não dá pra pensar em outra coisa a não ser em rrrock e sexo. Sweet Fanny Adams é uma banda que frequentou (com certeza!) a escolinha The Stooges, e que poderia ser comparada (hoje em dia, é óbvio) com os jovens do Arctic Monkeys que também frequentaram essas aulas. Os jovens do Sweet Fanny Adams, entretanto, mereciam um pouco do hype que o quarteto inglês tem/teve. Mas como em Recife não existe isso, misture o fraseado das guitarras, o compasso instigante da bateria, o baixo ganchudo, e a voz anasalada (à la Iggy Pop, claro!) com o alto nível de alcohol e dance ao som, de “Pretending”, até cansar. Como diz o meu chapa Lúcio Ribeiro: este planeta precisa de festa. E colocando palavras na boca do moço: este planeta precisa de Sweet Fanny Adams!

Ouça Sweet Fanny Adams - Pretending:

*Por hoje é só.

Por Cleyton Brito

PE no Rock divulga as 12 bandas da Seletiva Garanhuns

A primeira seletiva para participar do festival Pe no Rock será no Pau Pombo, em Garanhuns, dia 26 de maio. Serão 12 bandas se apresentando, junto com Os Cachorros fechando a noite. Dessas, quatro serão selecionadas para o festival em setembro.

Abaixo, o release da produção com o nome das escolhidas:

Conforme anunciamos, segue a relação das bandas que irão participar da seletiva do PE no ROCK 2007 em Garanhuns (Parque Euclides Dourado), no dia 26 de maio, a partir das 20h, ao final da Seletiva teremos o show da banda Os Cachorros, de cada seletiva saem 4 bandas para participar do PE no ROCK, como forma de premiação as bandas saem de sua cidade com todas as despesas pagas inclusive recebendo Cachêt, para se apresentar no Evento marcado para o dia 28 e 29 de setembro, na Praça do Marco Zero. maiores informações www.penorock.com.br.

Atenciosamente,
Sávio Figueiredo

Bandas Selecionadas para a Seletiva Garanhuns:

Neander (Garanhuns/PE)
Estado Suicida (Garanhuns/PE)
Terreiro Cibernetico (Garanhuns/PE)
Killer (Lajedo/PE)
Sobreviventes do IDR (Caruaru/PE)
Kinto Karma (Caruaru/PE)
Alkymenia (Caruaru/PE)
Pernamuamba (Garanhuns/PE)
Muendas de Pernambuco (Garanhuns/PE)
Sertão Catingoso (São João/PE)
Rogerio e os Cabras (Garanhuns/PE)
Zé Romão (Quilombola Castainho/PE)

PE no Rock 2007

Tapa na Orelha - Uivo mutante

Ontem Lobão se apresentou no Domingão do Faustão. Tocou as músicas de seu acústico e conversou sobre o universo da independência. Já sei que isso vai gerar a maior polêmica, pois todo mundo espera que Lobão permaneça escondido no underground. Se esquecem que, há sete anos, no auge do discurso contra as gravadoras, Lobão foi divulgar A Vida é Doce no mesmo programa.
Eu achei a performance de Lobão e banda linda. Fiquei feliz por saber que pelo menos uma vez na vida a audiência de Faustão consumiu algo com conteúdo. Por saber que Lobão atingiu um público muito maior do que o do o universo independente. Nem achei constrangedor aquelas bailarinas de academia de musculação dançando aquelas coreografias ridículas ao som de Me Chama. Mas confesso que teve uma coisa que me deixou com uma pulga atrás da orelha: achei incoerente ele ir a um programa que tem a reputação de cobrar 40 mil reais das atrações que passam por lá. Lobão passou os últimos dez anos erguendo a bandeira da luta contra o jabá, e foi tocar justo em um programa que cobra jabá.
Acho muito justo que Lobão volte ao primeiro time. Que retorne à uma grande gravadora e que colha os frutos e louros de dez anos de ótimos serviços prestados no mundo independente. Mas acho que ele virou refém do seu próprio discurso. Vai ter que passar o resto da vida se justificando, principalmente para o público mais xiita, que representa, digamos assim, 80% dos consumidores de rock. Sei que o objetivo de qualquer artista é atingir o maior número de pessoas possível. Até escrevi uma coluna em sua defesa, dizendo que ele está mais do que certo em gravar um Acústico e voltar a freqüentar as paradas de sucesso. Mas acho que a apresentação no Faustão não foi uma boa idéia. Sempre vai ficar no ar aquela pergunta: a gravadora desembolsou os 40 paus para o velho lobo se apresentar lá? Complicado.

Tia Rita

Foi publicada na edição de ontem da Folha de São Paulo uma entrevista de página inteira com Rita Lee. O gancho para a matéria era o lançamento de três DVDs temáticos da cantora, mas o foco de interesse mesmo era a relação dela com os Mutantes. Como Rita, já há um bom tempo, só concede entrevista para veículos impressos via e-mail, acabou dando algumas respostas bem engraçadas. Em determinado momento, perguntam se ela já viu uma apresentação da nova fase dos Mutantes e se existe alguma possibilidade dela fazer algum show com eles. A resposta: “Não vi nada e não pretendo fazer nenhum show com eles. Mas, se me pagarem 1000000000000000000000000000000000000000000000000 zilhões de euros, até posso considerar a idéia”. E, em uma declaração registada em um dos DVDs, ela explica sua saída dos Mutantes. “Fui expulsa dos Mutantes. Cheguei um dia para o ensaio e estava um clima de enterro. O Arnaldo falou: ‘Agora vamos fazer música progressiva. Você não toca bem nenhum instrumento, então está fora’. Fiquei chocadísima. Mas o meu orgulho foi tão grande, engoli o eu tinha de engolir e fui embora. Depois é que fiquei bastante magoada. Uma raiva de ver a cegueira deles. Vai ficar imitando Emerson, Lake & Palmer? Vai ficar imitando Yes? Os mutantes sempre foram deboche. Depois, com o tempo, fiquei mais aliviada por ter sido expulsa”.
A questão aqui é: já pensou se essa mulher muda de idéia. Ao mesmo tempo em que terá gente ajoelhada e chorando dando graças aos céus, surgirá a já conhecida patrulha ideológica munida com seus cartazes de “vendida” em praça pública. Declarações como as de Ria e as de Lobão são sensacionais. Mas eles acabam virando reféns delas pelo resto da vida.