I MOSTRA PERNAMBUCANA DE CLIPES
No final da tarde deste último Sábado (16), por volta das 18h, o coletivo Coquetel Molotov realizou a I Mostra Pernambucana de Clipes na Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Center Recife, em Boa Viagem. Como prometido, foram exibidos alguns videos enviados pelas próprias bandas (leia-se poucos, pois deu para notar que muitos não enviaram material) e uma “pré” de alguns nunca exibidos publicamente a exemplo de “Autumm Nights”, do The Dead Superstars, “Träneblut”, do Grilowsky e o interessante “Doce e Salgado”, do Profiterolis. Uma atitude e tanto, pois não faz muito tempo que produzir um videoclipe e em seguida enviá-lo rapidinho para a MTV na intenção do clipe ser executado na TV era indispensável. Mas hoje, já vemos que a prioridade da Music Television Brasileira deixou de ser os videoclipes e, por tanto, as bandas independentes ficaram sem ter onde mostrar suas produções. Mais que isso: ficaram sem direção e um tanto desamparadas.
Entrementes, na vontade de prestigiar e também de apresentar ao público do Recife essa produção mais que local, o Coquetel Molotov promoveu essa mostra. Na platéia, além de artistas locais (entenda-se os próprios produtores e integrantes das próprias bandas que tinham seus clipes prestes a serem rodados), pouquíssimos curiosos interessados em assistir a mostra, já que o público recifense vem se mostrando cada vez mais omisso às produções da sua própria cidade. O espaço Manoel Bandeira da livraria tem suporte para apenas 50/60 pessoas sentadas, e ainda assim muitas cadeiras permaneceram vazias até o final da mostra.
No início “A historia do boi tatau” do Parafusa. Um clipe bem sublime (equivalente a música). Depois a tosqueira (e das mais pesadas, diga-se de passagem) de “Gatinha comunista” dos hereges Geladeira Metal. Um dos momentos que poderia ter sido um dos mais aguardados foi a exibição do clipe de “Tongue”, dos Mellotrons (dirigido por Raul Luna), uma vez que a música marca a primeira fase da banda, a que chamamos de shoegazer. Lembrando que “Tongue” é mais anos 80 que qualquer outra coisa. “Tongue” remete bastante ao pós-punk – palavrinha chic no último, em alta graças a não-tão-novas bandas como Franz Ferdinand, Maxïmo Park, The Killers e Bloc Party. Quanto ao clipe, ele alinha - entre uma imagem corrida e outra - sessões eróticas tal como manda a letra da canção.
Diversas surpresas poderiam trazer novos sentidos para a mostra, caso o público tivesse comparecido, mas não foi o caso. Na seleção de clipes, porém, o time do Coquetel Molotov fez a sua parte, procurando escolher algumas produções que não poderiam deixar de serem exibidas mais uma vez como “Paulo André não me ouve” da banda The Playboys, além, é lógico, de clipes não muito vistos por aqui nas redondezas, a exemplo de “Space Bolero” do Asteróide B-612. A programação, que durou mais ou menos 60 minutos, foi sem dúvida inesquecível para uma minoria que quis presenciar de uma vez por todas e agora mesmo, trabalhos bem feitos. Junta-se a isso, bandas dos mais variados gêneros (Vamoz!, Volver, Conceição Tchubas, Monodecks, entre outros) constando no setlyst. Não tem mistério. É como está escrito no anúncio da divulgação do evento, os critérios para escolher a programação foram, no mínimo, gosto apurado e, em primeiro lugar, criatividade. Bacana, não?
Por Cleyton Brito