Cobertura Goiânia Noise 2007
Viajar até Goiânia não é tarefa fácil. Nosso vôo fez uma conexão louca em São Paulo e, no total, foram quase sete horas em transito. Chegamos num aeroporto super simples da capital de Goiás onde um receptivo do festival nos aguardava. Plaquinha e van identificada. Coisa fina, já adiantando que estávamos perto de ver uma estrutura gigante.
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Ficamos todos no Hotel Augustus, que fica no centro de Goiânia. O lugar virou uma mini republica do rock independente nacional durante vários dias. De cara, reencontro com os colegas da Trama Virtual, Marcos Bragatto, bandas, produtores de outros festivais. Vibe perfeita era palavra de ordem no Noise. Aqui do Recife, além de eu e Guilherme, estavam lá Jarmeson (Coquetel Molotov), Paulo André (Abril pro Rock) e Roger (Sopa Diário). De estados vizinhos tinha Felipe Gurgel (Fortaleza / Soma / O Garfo), Rafael (Hey Ho Rockbar); Anderson Foca (DoSol / Natal) e acho que só.
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Três dias antes o Noise foi centro de vários debates. Infelizmente perdemos todos. Dos que vieram, ficaram Dago (Trama Virtual), Miranda (Ídolos), Terence (Alto Falante) e o pessoal da Abrafin. Na sexta-feira em diante, as tardes foram ocupadas por coletivas. Assisti apenas a primeira, onde anunciavam o CASAS, Associação de Casas Noturnas no Brasil. É fruto de provocação do Espaço Cubo de Cuiabá.
A idéia deles é muito legal. Um sistema de moeda de troca para as casas de shows que não podem pagar cachê. Acaba forçando que façam uma articulação com outros agentes, como estúdios de ensaio e lojas de instrumento. Vamos ver se vai dar certo. Cinco casas encabeçam a idéia: A Obra (BH), Noise 3D (CE), DoSol Rockbar (RN), Espaço Fora do Eixo (MT) e… ehr, outro que esqueci o nome.
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O Centro Cultural Oscar Niemeyer é foda. Lugar gigante, arquitetura impressionante, tudo preparado para o festival com banners, balões e palcos. Os shows principais eram num anfiteatro subterrâneo, os secundários num menor, armado do lado de fora. Cercando tudo estavam bares e vários stands com vendas de camisas, discos, vinis (muita raridade, a maioria bem caro), zines, apetrechos e etc. Comprei uma camisa no stand do Diabo Quatro!
Na parte de lanches, eles tinham uma novidade que precisa se implementada aqui. Um hambúrguer empanado! No lugar de pão, a cobertura empanada e, dentro, outros recheios. Delícia, comi uns 15.
O mais legal de todo esse espaço de circulação era o Rock Lab Mobile Studio. Um mini estúdio de gravação onde as bandas tinham uma hora para gravar ao vivo, in loco. Tudo sob os cuidados de Gustavo Vazques, do MQN, que depois fez a mixagem de todo o material. As bandas precisavam se inscrever antes e, de 50, eles selecionaram dez para participar da novidade.
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Foram 41 shows e não lembro de ter visto nenhum ruim. Comentar um a um seria trabalho ingrato e repetitivo. Da sexta-feira, os melhores foram: Diego Moraes (selecionado pela Trama Virtual), o guri se garante num misto de Vanguart encontra Zeca Vianna da Volver; Superguidis, mesmo com o som quase sabotado pela mesa que tirou a guitarra e as vozes da banda; Violins, com direito a comoção geral pela galera que acompanhava da frente do palco; e Haxinixins, mods paulistas com um moog dando chamar ao rock sessentista.
Dos óbvios, que já sabia que seria bom e não provaram contrário: MQN, muito divertido ver eles finalmente em casa. Fabrício Nobre se sentia em família xingando a mãe de todo mundo. Moveis Coloniais de Acaju, com o já tradicional show foda deles; The DT’s, banda gringa de hard rock com uma vocalista que se garante MUITO e Pato Fu. Na verdade achei o show deles regular.
Do sábado, o Pelvs (RJ) surpreendeu. No show que fizeram no Coquetel Molotov eu achei eles um saco. Agora mudaram para o outro extremo do meu gosto. Mechanics fez um dos melhores shows de todo o festival, com uma performance quase escatológica. Dois caras trocavam tapas no palco antes da banda entrar. No fim, um comia o cabelo do outro. Tu agüentava? Teve gente lá quase vomitando.
Júpiter Maçã e Cordel fecharam a noite. O primeiro com um show foda de bom. Muito melhor do que fez no Recife. Flávio Basso (que antes de ser Júpiter, tocava na lendária Cascaveletes) estava mais descontraído, menos noiado, Parecia realmente interessado em tocar ali. Mas era festão do patrão (Monstro Discos), então acho que ele não queria fazer feio. Cordel fechou a noite para um público mais esquisito – vale lembrara que antes era Korzus – e mostrou que, onde eles passam, arrastam multidões.
O domingo foi o melhor dia. Não por acaso, já estava cheio antes das 20h (a média foi de três mil pessoas por dia). Black Drawing Chalks lavou a alma de um disco que eu não tinha gostado tanto. Segurou bem a onda para quem tocou em plena luz do sol. Rollin’ Chamas, The Name, Ecos Falsos, Damn Laser Vampires, Macaco Bong e Pata de Elefante foi uma seqüência inteira de bons shows. Com exceção dos dois últimos, que foram realmente excelentes. Se nos próximos meses você esbarrar com um festival com alguma dessas bandas, vá lá ver. Sério.
Essa noite também foi a do Battles. Banda norte-americana, que cresce cada vez mais no índice de notícias sobre músicas. Show fantástico, daqueles que se leva para casa e conta para os netos. Diria que foi o momento único do Noise, que nenhum outro festival vai poder ter igual. Bom de chorar.
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Não tem essa coisa de “dia do” no Noise. Mundo Livre toca junto com Sepultura, Cordel com o Korzus e tudo rola em sintonia. Fred 04 fez metaleiro dançar; Lirinha causou o mesmo efeito boquiaberto com o público mais rock. A recepção em Goiânia é o bolo da cereja no festival. As tribos somos noise.







