Cobertura: Nação Zumbi no Nascedouro de Peixinhos
O melhor show de 2007 aconteceu no dia 21 de dezembro. A julgar pela atração, a Nação Zumbi, nenhuma novidade. O que deixou todo mundo de queixo caído foi o local: o Nascedouro de Peixinhos. Em show gratuito e pouco divulgado (quem quisesse ir precisava pegar seu ingresso na Fábrica Tacaruna. À imprensa, bastava o credenciamento), o Nascedouro se mostrou o lugar perfeito para shows de médio porte e revelou ser, de longe, o local com a melhor acústica de Pernambuco.
Com um amplo espaço em sua entrada dedicado ao comércio de bebidas e de roupas, e um anfiteatro com capacidade para umas 1500 pessoas, as perguntas mais ouvidas da noite eram duas: “Vocês já conheciam o lugar? Já sacaram a acústica perfeita?”. Um privilegiado público formado por produtores, artistas (Siba e Ortinho), jornalistas e a população do bairro de Peixinhos presenciou ontem um momento histórico e que talvez sirva como divisor de águas na história recente da música pernambucana. E, melhor de tudo, a maior das constatações: nenhuma briga, para acabar de vez com todos os estereótipos e preconceitos.
O show começou com a exibição, em duplo telão atrás do palco, do clipe de Bossa Nostra. Logo depois a Nação Zumbi entrou em cena e executou a própria ao vivo, provando que se trata do primeiro hit extraído de Fome de Tudo. A banda parecia plena de felicidade ao tocar em um dos seus bairros de origem – o outro é Rio Doce -. Idealizado por Toca Ogan e Gilmar Bola 8, e com organização da própria galera de Peixinhos (Fequinho, do Etnia, entre eles), seria injusto tacar aqui um adjetivo menor do que “perfeito” para descrever a apresentação de ontem.
Logo depois veio Hoje, Amanhã e Depois, e o primeiro momento de catarse, com o público beirando as raias da loucura, tudo transcorrendo no maior clima de paz. Aí tocaram Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada, e a primeira roda de pogo foi aberta. Seguiu-se então, em homenagem a Chico Science, uma sessão de canções de sua época, todas repaginadas, em arranjos caprichados e jazzisticos: Risoflora, Maracatu de Tiro Certeiro, Etnia e Coco Dub. Não se sabia quem era o mais feliz no palco: Lucio Maia, em dedicação absoluta; Jorge Du Peixe, transbordando orgulho local; Toca Ogan, que deu um show à parte de dança e sorrisos, ou Gilmar Bola 8, caprichando nas batidas solo e na interação com o público.
Anunciaram a saideira, com No Olimpo. E então voltaram para a seqüência matadora, com versões com andamento mais lento e forte para A Cidade, Manguetown (que contou com a invasão de um Ortinho alucinado no palco, imitando o caranguejo que Chico imitava tão bem) e Quando a Maré Encher. Nesta última, só não entrou na roda quem já morreu. Inclusive este que vos tecla. Daí em diante ainda teve Macô, Maracatu Atômico e tantas outras.
A banda saiu do palco feliz da vida (”felicidade” é a palavra que melhor expressa o que foi a noite de ontem), o público deixou o local chapado de alegria e o jornalista aqui bobo feito criança por ter “roubado” o set-list do show (uma pequena lembrança para meus futuros netos, que só não foi autografada por excessos de pudores meus). Confere aí abaixo o que você perdeu. Ou o que, assim como eu, teve a sorte de testemunhar e de um dia contar para os filhos.
Set-list
Bossa Nostra
Hoje, Amanhã e Depois
Infeste
Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada
Risoflora
Inferno
Tiro Certeiro
Carnaval
Memorando
Fome de Tudo
Etnia
Blunt of Judah
Coco Dub
A Cidade
Manguetown
Quando a Maré Encher
Macô
E etc, etc, etc…




