Archive for janeiro, 2008

Programação Rec-Beat 2008

A coletiva terminou agora pouco. Deu um monte de gente (para quem não se ligou, era aberta ao público também lá na Livraria Cultura). Segue ai a programação dos dois palcos do festival esse ano. Uma notícia legal é que o Devotos, que havia cancelado, agora confirmou que fará sua festa lá no Rec-Beat.

Programação Rec-beat 2008

Sábado - 02/02
20h00 - Ramma Seca
21h00 - Júlia Says
22h00 - Os Outros (RJ)
23h00 - QG Imperial & Ras Bernardo (SP / RJ)
00h30 - Devotos & Clemente (Inocentes e Plebe Rude/SP) - Comemorando 20 anos da Devotos.
01h00 Tenda Eletrônica com Renato L, DJ Ricardo Imperatore / ButecoEletro (RJ) e VJ Mácio Almeida.

Domingo - 03/02
20h00 - Trio Pouca Chinfra e a Cozinha
21h00 - Orquestra Contemporânea de Olinda
22h00 - Marina de La Riva (SP)
23h00 - boTECOeletro (RJ)
00h30 - Móveis Coloniais de Acaju (DF)
01h00 Tenda Eletrônica com Dj Rossi Love / Dj PretaOne, DJ Zegon (Zé Gonzáles/SP) e VJ Marcelo Lira.

Segunda - 04/02
17h00 - Recbitinho - Carroça de Mamulengo (CE)
20h00 - Isaar
21h00 - Metaleiras da Amazônia (PA)
22h00 - Fino Coletivo & Davi Morais (RJ)
23h00 - Chris Murray & Firebug (Canadá / SP)
00h30 - Pânico (Chile)
01h00 Tenda Eletrônica com DJ George Activ (SP), DJ Tudo (SP) e VJ Retinantz.

Terça - 05/02
19h20 - Bande Ciné
20h00 - Les Frères Guissé (Senegal)
21h00 - Porcas Borboletas (MG)
22h 00- Lucy and the Popsonics (DF)
23h00 - Orquestra Típica Fernandez Fierro (Argentina)
00h15 - Pato Fu (MG)
01h00 Tenda Eletrônica com DJ 440, DJ Catarina Dee Franjah, DJ Buguinha Dub + Vitrola Adubada + MC e VJ Yellow

REC-BEAT NO NASCEDOURO DE PEIXINHOS

Domingo - 03/02
15h00 - Maracatu Nação Axé da Lua
16h30 - Etnia
17h10 - QG Imperial & Ras Bernardo (SP / RJ)
18h30 - Samba de Coco Raízes de Arcoverde

Segunda - 04/02
15h00 - Afoxé Oyá Alaxé
16h30 - Magnatas da Beira Mar
17h10 - boTECOeletro (RJ)
18h30 - Devotos

Terça - 05/02
14h00 - Troça Abanadores do Arruda
15h00 - Combo Percussivo
16h00 - Carroça de Mamulengo (CE)
17h00 - Chris Murray & Firebug (Canadá / SP)
18h30 - Cordel do Fogo Encantado

Primeiro curso de Produção Fonográfica do Nordeste

A faculdade Barros Melo (Aeso) lançou a primeira graduação em Produção Fonográfica do Nordeste. Isso é legal porque cria uma profissionalização que não existe na cidade até então. É geralmente bem complicado para gente nova entrar nessa área, porque não existia nenhum parâmetro além da própria experiência no mercado de trabalho. Em Salvador, o curso de Produção Cultural da UFBA é sempre visto como um dos melhores reforços que a cena local recebeu.

Só lembrando, a Aeso é uma faculdade que sempre teve iniciativas ligadas a área de música. Além do concurso Microfonia, que escolha uma banda de estudantes para tocar no Abril pro Rock, ela arrendou recentemente por cinco anos o Cinema São Luiz. Na reforma prevista para março, o lugar vai se transformar num centro cultural que, além de exibir filmes, também terá shows (e teatro, e exposição de artes).

As inscrições do vestibular ainda estão rolando. Quem quiser mais informações, tem tudo em detalhes no endereço www.barrosmelo.edu.br

Abaixo vocês conferem a grade do curso:

1º. período
Produção Fonográfica
Teoria da Imagem
Introdução ao Som
Ética e Legislação
Percepção Rítmica
Teoria e Harmonia Musical I
Indústria Fonográfica

2 º. período
Audiovisual I
Eletricidade e Eletrônica
Física do Som
Prod. Divulg. e Distrib. de Música na Internet
Prática Narrativa
Produção Musical
Teoria e Harmonia Musical II

3º. período
Audiovisual II
Eletrônica para Áudio
Métodos e Técnicas de Pesquisa
Introdução a Hardwares e Softwares de Música
Elaboração de Projetos e Produtos Culturais
Tecnicas de Gravacao
Empreendedorismo

4º. período
Acústica em Estúdios de Gravação I
Conexões e Montagem de Sistemas de Sonorização
Pós-Produção - Mixagem I
Sonorização e efeitos de som para vídeo e cinema
Téc. de Mics., Criação de Efeito e Proces. de Áudio
Workstations Digitais - Ênfase em Protools
Projeto Experimental I
Estágio Supervisionado I

5 º. período
Acústica ao Ar Livre
Acústica em Estúdios de Gravação II
Masterização e Finalização
Música Eletrônica - Programação e Síntese de Som
Pós-Produção - Mixagem II
Tópicos Especiais
Projeto Experimental II
Estágio Supervisionado II

Programação do Pré Amp 2008

Saiu hoje, junto com a programação completa do Carnaval no Recife. (Vai ter Nação Zumbi no Galo da Madrugada! Depois colocamos tudo completo aqui). Não acompanhei muito as polêmicas no posto aqui do RecifeRock!, mas segue a grade:

Domingo | 27/01
17h - Maracatu Porto Rico
18h - Mingau de Cachorro
19h - Estado Civil
20h - Alex Corezzi
21h - Banda de Pife Princesa do Agreste
22h - Coco Raízes Arcoverde

Segunda-feira | 28/01
19h - Afoxé Oyá Alaxé
20h - Mandracatu
21h - Anhuma
22h - Andaluza
23h - Nanica Papaya
00h - Tiger

Terça-feira | 29/01
19h - Coletivo Frevo
20h - Brasáfica
21h - Kana Kaiana
22h - Vamoz
23h - Viruz
00h - Os Cachorros

Quarta-feira | 30/01
19h - Samba A Turma Saberé
20h - Cassio Sette
21h - Adriana BB
22h - Comunidade Azougue
23h - Lady Murphy
00h - Eddie

Local: Rua da Moeda (Centro)

[ Programação atualizada ]

Cobertura: Pitty no Clube Português

Pitty está cansada do papel de Pitty. Sua performance no Clube Português deixou claro que ela já não se sente confortável no papel de principal estrela do rock nacional, que não tem mais tanta paciência assim com os fãs e que no fundo parece estar louca de vontade de chutar o balde, mandar tudo às favas e começar do zero, voltar a fita e fazer tudo diferente…
Mas comecemos pelo começo…

Os portões do Clube Português foram abertos pouco depois das 20h. Uma fila imensa de adolescentes se estendia da Av. Agamenos Magalhães e dobrava o Mc Donald’s, dando a nítida impressão de que o local teria sua lotação esgotada. Apesar dos 1.200 ingressos vendidos antecipadamente, não foi o caso. Ainda que o “estouro da boiada” assustasse a princípio: adolescentes de preto correndo para frente do palco, alguns munidos com presentes para seu objeto de adoração, como bonecas e cartas com quilométricos “eu te amo”. Muitos pais acompanhando as filhas, boa parte deles constrangido, dando a desculpa da vez: “sou pai, só vim por causa da minha filha”. E, melhor de tudo, os guris acabaram se revelando um público educado e extremamente receptivo com as atrações de abertura, que pouco tinham a ver esteticamente com a roqueira baiana – exceção feita a Carfax -.

Nem o som local que amplificava em volume máximo o In Rainbows, do Radiohead, causou estranhamento. Tampouco a atração mais “disforme” da noite, o River Raid, teve problemas com a platéia. Munidos de três guitarras e com frases de efeito tipo “é rock na veia”, conquistaram fácil o público, mesmo com uma sonoridade que contrastava em peso e volume com a atração principal. Banda que trafega entre o pop e o rock um pouco mais pesado, o River Raid dá a impressão de prometer muito mais do que acaba cumprindo. Suas músicas sugerem um clímax que não chega nunca, e a sensação que passa é a do puro desperdício: não dá para entender bem o que três guitarras fazem ali, já que elas não mudam muita coisa no resultado final. É uma banda competente, mas que poderia render muito mais com a formação que apresenta. No fim das contas, o River Raid teve a recepção mais fria da noite, ainda que tenha agradado a gurizada.

Na seqüência veio o rock duro do Vamoz!, que foi muito bem assimilado pelo público. Ciente de que estava tocando para uma platéia que não era a sua, Gomão caprichou na farofa: fez pose, quebrou a corda da guitarra, esbanjou simpatia e conseguiu até o acompanhamento de palmas em uma das músicas. Os melhores momentos acabaram vindo com “Big League”, “Can I Drive?” e “Damned Rock n’ Roll”. Show correto, mas extremamente deslocado, no local e na companhia errados.

Quem pegou carona legal no público de Pitty e se deu muitíssimo bem foi a Carfax. Sabendo que o jogo valia muito, entraram em cena esbanjando disposição, carisma e garra, cantando com a alma e se aproveitando ao máximo da arrebatadora receptividade do público. Abriram com “Ainda Queima”, principal hit. Mas foi com a nova “Yeah, Yeah, Yeah!” que tiveram seu apogeu: todo o Clube Português cantando o refrão “Eu falo mais alto para você entender”, que acabou se convertendo na síntese do show deles: falaram muito alto e foram generosamente entendidos. O final, que beirou a catarse, veio com uma versão repaginada e cheia de efeitos para “Pega Ladrão”. Lindo de ver…Ganharam a noite e de tabela o público de Pitty.

Mas a noite era indiscutivelmente dela. Mal começou a tocar, e a invasão tomou conta do palco. Parecia cena de clipe trash: mocinhas de saia com as perninhas balançando sendo retiradas nos ombros dos seguranças. As músicas eram cantadas em uníssono uma a uma, e os seguranças precisavam justificar em dobro o pão nosso (deles) da noite: não tiveram um só instante de sossego. Envergando uma guitarra, Pitty foi fortemente agarrada por uma fã, que só desgrudou dela depois que os seguranças intervieram. Na mesma hora soltou um PUTA QUE PARIU que exprimia todo o seu desconforto com a posição de musa do rock. Após a música, o recado revoltado para os fãs: “Existem várias formas de demonstrar amor, e a maior delas se chama respeito! Só para explicar o que aconteceu aqui…” E seguiu com seu repertório de hits: “Anacrônico”, “Admirável Chip Novo”, “Equalize”. E a cada uma delas Pitty se distanciava cada vez mais de seu refrão mais conhecido, aquele do “o importante é ser você…”, de “Máscara”. Até que tentou se posicionar em alguns momentos, vertendo Bad Brains em ritmo de reggae e no cover de “Highway to Hell”, de um AC/DC que poucos pareciam conhecer ali.

O público de Pitty não é o mesmo de quando ela tocou há três anos no Abril pro Rock. Aquele cresceu, e hoje deve preferir Chico Buarque ou até um metal extremo. O atual está na faixa dos 14 aos 17 anos e é predominantemente feminino, e leva o refrão de “Máscara” às últimas conseqüências: menina beijando menina e menino se pegando com menino, em uma prova cabal de que o amor fala mais alto, mesmo que seja “estranho ou bizarro”. O que no fim das contas não é. Estranho e bizarro mesmo é constatar que Pitty cansou da personagem que ela mesma criou.

E a pergunta que não quer calar é: até quando ela vai conseguir renovar seu público? Porque o do Clube Português, daqui a três anos, não vai estar nem aí para ela, e sentirá até mesmo uma ponta de vergonha por um dia ter sido fã de Pitty. É assim que o jogo funciona. Mesmo (e principalmente) que seja estranho, bizarro, bizarro…               

Tapa na Orelha - Apostas para 2008.

É complicado fazer previsões. Sobretudo se o assunto for música ou futebol. Mas não posso deixar de fazer as minhas, mesmo sabendo do risco de alguma banda acabar antes do final do primeiro semestre ou de alguém se converter e criar um grupo gospel até lá. Enfim, de tudo que vi e ouvi em 2007, eis as minhas apostas para 2008:

Amps & Lina: além de ter relançado o excelente Curva e Linha, a banda se mostrou madura ao vivo e no auge de sua criatividade.

AMP: banda formada pelos ex-Astronautas Dudu (baixo) e Djalma (guitarra). Uma maçaroca sonora ambulante tipo Queens of The Stone Age, com uma pegada furiosa e detentores, de longe, do título de melhor show de estréia que já vi de uma banda pernambucana.

Júlia Says: lançou um belo ep e fez um excelente show no Pátio do Rock. Resta saber se vai suportar a pressão de tanto falatório em cima dela em tão pouco tempo de carreira.

Mormaço: um dos melhores shows do ano, testemunhado por quase ninguém, as cinco da matina no espaço aberto do Armazém 14. Foi o suficiente para perceber talento e futuro garantido no cenário local.

Project 666: quem melhor faz metal hoje em Pernambuco. Sem contar que são organizados e extremamente dedicados. Vão continuar fazendo barulho em 2008.

Risko h.c.: Moleques que gostam de Ratos de Porão e de Mukeka di Rato, seguem a linha dos mestres citados e possuem boas chances de azucrinas os ouvidos alheios durante o ano. Altamente recomendável.

Tabacos de Guevara: Não dá para ignorar uma banda que compõe uma música intitulada “O Meu Amigo Imaginário Não Gosta de Mim”. Letras irônicas e influências que vão de Vanguart até Chico Buarque.

Continuo apostando em:

Fiddy: Impressionante como toda banda que debuta no Abril pro Rock dá uma relaxada depois, como se já tivera atingido o ápice de sua carreira e não tivesse mais nada de relevante a fazer. Não é assim que funciona. Se acordarem, ainda dá um bom caldo.

Monomotores: idem.

E vocês? Apostam em quem?