Cobertura: Matanza na Nox

Parece que finalmente deu certo. A Nox, boate que se transforma numa das melhores casas de shows do Recife, ao que tudo indica, virou o novo point roqueiro da cidade. Foi tremendamente gratificante ver tal local ser inundado por rodas-de-pogo, mosh e toda a bagunça organizada que costuma caracterizar todo velho e bom show de rock. Mas foi tamanha a “desordem” que Jimmy quase sai do sério e perde a esportiva – logo ele – com o público local.
Outro feito digno de nota foi que dessa vez não ficamos enclausurados vítimas dos fumantes. Estes podiam aplacar a  secura no andar superior, com teto aberto e ambiente mais adequado para soltarem a fumaça que tanto impregna os pulmões alheios.

Coube ao excepcional AMP abrir a noite. Banda que despeja ainda mais peso ao já invocado Queens of The Stone Age (principal influência deles), trata-se de um grupo que dispara hoje no Recife os riffs mais encorpados, barulhentos, virulentos e esporrentos que você possa imaginar. A seqüência de abertura formada pelo trio “Ataque Dos Aliens”, “Billy” e “Acidez” demarca logo o território da AMP: uma banda cujo maior prazer parece ser estourar os tímpanos alheios com as melhores e mais fortes pegadas que o rock duro tem a oferecer. Marcelo Gomão, da Vamoz!, não resistiu e deu uma canjinha com sua guitarra. Enfim, foi o show que Paulo André simplesmente não poderia ter perdido (sério, meu amigo). Depois do show, feliz da vida, o baixista Dudu me explicava o método construtivista de composição da banda, e dizia já ter treze músicas prontas para o CD que deve ver a luz do dia em breve. Não perca o próximo show deles.

Não chega a ser novidade para ninguém que o Devotos é fã dos Smiths e do rock nacional dos anos 80. Tanto que desde 1994, Cannibal (aqui tocando bateria) e Celo Brown (que troca as baquetas pelos vocais) mantém em ativa a B.U., banda dedicada à faceta Legião Urbana deles. É justamente aí que reside o problema: tudo que soa absolutamente espontâneo e natural no hardcore do Devotos se transforma numa forçada de barra das brabas com a B.U., que fica bem preso ao formato pré-estabelecido por nomes como Nenhum de Nós e Uns e Outros. Desafinam horrores em algumas passagens, e se Cannibal trata de levar a coisa toda na mais pura diversão, Celo parece levar bem a sério seu papel de frontman, caprichando na canastrice e nos passinhos a la Jim Morrison. Como brincadeira até que dá para passar. Mas a sensação (e unanimidade entre os presentes) foi a de que não seria nada desagradável se eles tocassem do nada algo de sua banda de origem. “Toca hardcore!” foi o grito que mais imperou no show deles, assim como o “toca Raul!” tão repetido pelos chatos de plantão em qualquer show em território nacional.

Depois foi a vez do show mais confuso da noite. O baiano Vinil 69 subiu ao palco com o público dividido: metade queria conferir a sonoridade setentista da banda enquanto a outra metade dos presentes rezava para o show acabar logo (fãs do Matanza, há de se justificar). “Cai a Noite”,“Luzes da Cabeça” e “Dentro de Você” mostraram uma mistura interessantíssima de rock de raiz com sopros. Também não tiveram o menor constrangimento em mandar covers dos Stones e dos The Kinks (“You Really Got Me”, que à primeira vista mais parecia algo do Offspring). Fecharam com a ótima “Copo D’água”, que serviu para deixar o público, já extremamente numeroso então, ainda mais sedento de Matanza.

A noite era definitivamente dele. Jimmy, com seu jeitão de “sai da frente que estou passando, porra!”, comandou um festival de roda-de-pogo, mosh e histeria roqueira coletiva como há muito não se via por essas praias. Já na segunda música, a impagável “Mesa de Saloon”, o recado foi dado. “Se algum veadinho insistir em subir no palco vai levar porrada de verdade”. A ameaça pareceu inútil, e boa parte do público continuou se dedicando ao esporte de invadir o palco alheio. Até que, com muito “bom-humor” e uma boa dose de sarcasmo, o “irlandês” disse que levaria a coisa até as últimas conseqüências, nem que saísse dali direto pra uma delegacia – ele como acusado de agressão, que fique claro -. Foi a senha para a galera continuar a diversão longe do seu território. Até a equipe que filmava parte da série MTV Família com o grupo pareceu amedrontada. Mas a roda continuou firme, forte e linda. Patifarias de alto calibre como “Rio de Whisky”, “Santa Madre Cassino”, “A Arte do Insulto” e “Clube dos Canalhas” serviram para instaurar uma espécie de caos organizado na platéia, onde o único engraçadinho que tentou alguma confusão foi logo detido pelos seguranças da casa.
Antes de “Bom é Quando Faz Mal”, Jimmy pergunta à banda e ao público o que é de fato “bom” para eles. Um inevitável coro de apologia à genitália feminina ecoou por toda a Nox. E vieram então os melhores momentos da noite: “Ela Roubou Meu Caminhão” (letra que Wando passará o resto de seus dias roendo os cotovelos de inveja por não ter escrito) e “Eu Não Gosto de Ninguém”. E voltaram todos felizes e satisfeitos para casa.

Fica um apelo aos produtores locais: mais shows na Nox, por favor! Obrigado.      

Sobre Hugo Montarroyos

Jornalista que precisa adicionar suas Informações biográficas :)

15 Comentários

  • damaged
    28 de fevereiro (quinta-feira) | Permalink |

    Um cara subiu no palco cambaleando e esbarrou no amplificador do Donida, que quase jogava a sua guitarra pro lado pra ir bater no cara, foi por pouco. É realmente uma merda isso, a banda querendo tocar e os caras atrapalhando.
    A segunda música do show foi Interceptor V6 e não Mesa de Saloon. O pessoal acha que o Matanza é só o Jimmy, mas na verdade o Donida que é o “Matanza” de verdade.
    Eu achei o primeiro show deles na Nox bem melhor que esse de ontem, tanto de repertório quanto de público, tinha gente que só foi pra arrumar briga.

  • Tárcio Fonseca
    28 de fevereiro (quinta-feira) | Permalink |

    Esse lance dos caras que tavam arrumando briga foi uma bosta. Eram dois, ambos na faixa dos trinta anos e com porte de rato de academia. Quase que ia rolando bosta entre eles, eu e Diego, já que estávamos com uma amiga nossa encostada no bar, de frente ao palco e esses caras estavam próximos a nós, empurrando todo mundo pra roda e olhando feio pra quem achasse ruim. Toda vez que armavam tumulto tínhamos que fazer uma barreira na frente para ela não acabar machucada. Acabou que falamos com o segurança, ele não fez porra nenhuma e tivemos que sair do lugar pra não acontecer nada pior. De boa que o que tava mais passando pela minha cabeça enquanto rolava isso era pegar uma garrafa de cerveja vazia em cima do balcão, quebrá-la e enfiar no ombro de um daqueles filhos da puta.

  • Wasted
    28 de fevereiro (quinta-feira) | Permalink |

    o show foi massa, fico feliz de ter ido muita gente. Porém tem esse lance aí desses pit-boys… é o mal de ser na nox que, diga-se de passagem, é um lugar do caralho pra show. Disparado o melhor daqui de Recife atualmente…

  • Wasted
    28 de fevereiro (quinta-feira) | Permalink |

    Concordo com damaged, o Donida carrega o matanza nas costas… Na minha opinião, Jimmy só é o cara certo pra o posto que ocupa. Algo relevante também…

  • foca
    29 de fevereiro (sexta-feira) | Permalink |

    o AMP é uma das bandas pernambucanas confirmada no festvial dosol 2008.

  • 29 de fevereiro (sexta-feira) | Permalink |

    kd as fotos dos shows?

  • draknine
    29 de fevereiro (sexta-feira) | Permalink |

    quem perdeu perdeu! jimmy e foda e o show foi implesmente perfeito!!! puta q pario, foi foda!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • 29 de fevereiro (sexta-feira) | Permalink |

    matanza eh ruim pow!!!

  • rick
    29 de fevereiro (sexta-feira) | Permalink |

    muito ruim!

    som fraco!

  • venta
    1 de março (sábado) | Permalink |

    matanza eh ruim pow!!! (2)

  • damaged
    1 de março (sábado) | Permalink |

    Ruim é aquela BU, que banda ruim do caralho!!!

  • Herbert
    3 de março (segunda-feira) | Permalink |

    Damaged ! Acho q se o Donida toma uma atitude de bater no cara q subiu no palco e esbarrou no seu amplificador (claro q ele como músico quer fazer o melhor) ele ñ deveria tá tocando hardcore e sim MPB, e participei em vários momentos da roda (e pelo menos eu) não vi nada d mais acontecer, infelizmente pra quem não gosta de pogo não deveria ir no show de hardcore pra ver uma banda tocando de perto do palco. Há e quando rolar um show da mukeka di rato, DFC ou RDP aí vc vai ver realmente o q é uma roda de pogo. E as fotos do show kd ? ? ?

  • damaged
    3 de março (segunda-feira) | Permalink |

    Herbert, o que eu sei é que parece que o Matanza não curte mosh, sempre atrapalha a banda, e deve ser uma merda. o Donida não bateu no cara, mas quase, até parou de tocar sua guitarra por uns 10 segundos de tão puto que ficou, acontece.

  • Dudu
    3 de março (segunda-feira) | Permalink |

    Amp faz show terça dia 4 de março.. no UK pub!

  • 19 de junho (quinta-feira) | Permalink |

    ….(¨`·.·´¨)
    …..`·.¸.·´
    matanza
    ….(¨`·.·´¨)
    …..`·.¸.·´
    te
    ….(¨`·.·´¨)
    …..`·.¸.·´
    amo
    ….(¨`·.·´¨)
    …..`·.¸.·´

    tbm
    ….(¨`·.·´¨)
    …..`·.¸.·´

    a maria
    ….(¨`·.·´¨)
    …..`·.¸.·´

    elisa
    ….(¨`·.·´¨)
    …..`·.¸.·´

    rosa
    quando vai ser o dia do proximo show???

Um Trackback

  • 29 de fevereiro (sexta-feira) | Permalink |

    [...] Outro feito digno de nota foi que dessa vez não ficamos enclausurados vítimas dos fumantes. Estes podiam aplacar a  secura no andar superior, com teto aberto e ambiente mais adequado para soltarem a fumaça que tanto impregna os pulmões alheios. LEIA O RESTANTE DO TEXTO CLICANDO AQUI. [...]

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