Archive for Março, 2008

Conheça “as piores músicas do mundo”

Irresistível para os apreciadores do melhor do pior. William P., produtor do Mr. Mouse, criou um blog que reúne o que de pior, segundo ele, chega às suas mãos quando o assunto é música. O resultado é divertidíssimo. Intitulado “As piores músicas do mundo”, o espaço abriga o que de melhor o pior é capaz de produzir. Confira com seus próprios ouvidos!

http://aspioresmusicasdomundo.blogspot.com/

Tapa na Orelha - Pernambuco sem Textículos - parte 2

Foi um leitor que deu a dica: existe uma página onde é possível baixar o segundo disco do Textículos de Mary, “Bissexuástica”, de 2003. Lá também pode ser encontrado vasto material sobre a banda.

Segue o link:

http://sombarato.blogspot.com/2007/07/textculos-de-mary-e-banda-das-cachorra.html

Textículos de Mary e a banda das cachorra - Bissexuástica[2003]

“Renascidos do inferno da indústria fonográfica, não sem seqüelas psicológicas como esperado, mas como sombras ressurgidas na noite; estão de volta para a “cena recifense”, após exílio e ostracismo, os Textículos de Mary & a Banda d’As Cachorra. Agora apresentando, sua já mastigada segunda fase, Bissexuástica. Onde a diversão torna-se sintoma e a doença, um processo massificado e totalitário: mídia, sociopatia e nazifascismo mascarados de discurso de vítima. O êmbolo da seringa no retorno da pressão: no que agora chamaremos de hittler-rock”.

Tapa na Orelha - Pernambuco sem Textículos

Toda vez que escuto o álbum “Textículos de Mary e a Banda das Cachorras” bate uma sensação de incredulidade, de indignação. Como uma banda tão boa e ousada morreu tão jovem e com tanto ainda por realizar? Decidi então republicar aqui um artigo que escrevi para a revista Galpão do Rock, em novembro de 2005. Segue o texto abaixo na íntegra.

Pernambuco sem Textículos

Há um ano o rock pernambucano perdia boa parte de sua graça, irreverência, rebeldia, inteligência e transgressão, palavras que combinam tão bem com o universo rock n’roll.
No dia 29 de julho de 2004, em uma noite inusitada no Teatro do Parque, uma das bandas mais interessantes a surgir no país decidiu interromper de forma precoce a sua carreira. Sem encontrar espaço para tocar na cidade, o Textículos de Mary preferiu encerrar suas atividades. Cansou do amadorismo e da caretice que imperam em Pernambuco. Encheu o saco de ficar sem receber cachê, do público que não entendia sua proposta e de todas as portas fechadas durante os pouco mais de quatro anos de história. E que história!

O Textículo de Mary era um grupo liderado por três homossexuais assumidos. Tocavam com fantasias esdrúxulas e simulavam orgias em suas apresentações. Visualmente, era uma espécie de Kiss gay. Por conta das performances para lá de ousadas, o grupo sempre dividiu opiniões. Os mais bem-humorados encaravam tudo como pura e simples anarquia, assim como o rock, de maneira geral, deve ser encarado. Já a ala conservadora, predominante em Pernambuco e no restante do país, achava aquilo a mais pura sem-vergonhice, safadeza, coisa do demo. Nem uma coisa nem outra.

A banda tinha uma proposta diferente: chamar a atenção para o desconhecido através de recursos teatrais. A música era apenas um dos múltiplos aspectos de um projeto multimídia que acabou não vingando. Pelo menos deixaram um registro sonoro. Em 2002, foi lançado o impecável “Textículos de Mary e a Banda das Cachorras”, disco que saiu pela Deckdisc e contou com a produção de Rafael Ramos. Em 12 faixas, Chupeta (vocais), Silene Lapadinha (vocais), Lollypop (vocais), Bambi (guitarra e vocais), Dúbia Keitesuelen (baixo), Scarlet Cavalera (bateria), Loiranêgra (percussão) e Kaiadroga (guitarra) destilam humor, inteligência, ironia e sarcasmo. Brincam com o preconceito gerando ainda mais preconceito. Falam de temáticas gays e contam histórias que beiram o surrealismo, como a do travesti Natasha Orloff, que foi educado em um colégio stalinista de linha militar na antiga União Soviética e se prostituía para garantir o sustento na atual Ucrânia capitalista, que um dia fora república da antiga URSS.

Por um breve momento, o rock foi mais rock do que nunca em Pernambuco. Até o dia em que o fantasma do conservadorismo pôs fim à uma banda que sabia contar histórias e que fez história.

Cobertura: Dead Fish no Armazém 14

Noite de hardcore no Armazém 14, situado ao lado do Marco Zero, onde Cristo estava sendo ressucitado na ‘Paixão de Cristo do Recife’, quase na mesma hora do show. Com um público renovado, cerca de 1.200 pessoas, entre jovens debutantes em shows da Dead Fish e seguidores da banda desde os primordios.

Perdi os primeiros shows, quando consegui entrar estava rolando a Tribo Suburbana. A banda é do Alto José do Pinho, apesar dos 10 anos, essa foi a primeira vez que vi eles tocando. O som é “Manguebeat” com hardcore, mas sem personalidade. Curiosa foi a participação de Rodrigo, vocalista do Dead Fish, numa versão de Da Lama ao Caos, onde ambos cantores não sabiam toda a letra da música.

Depois deles veio o show da Dillema, outra banda local, que faz um hardcore melódico na linha do Dead Fish. Não consegui entender a maioria das letras, mas a presença de palco e o instrumental não fez feio.

A noite contou também com a participação da Magüerbes, direto de Americana, interior de São Paulo. A banda fez um som pesado com um vocal bem agudo, bem diferente da som do album “Modelo de Prova“. O show empolgou a galera e esquentou para a atração principal da noite, a Dead Fish.

Dead Fish é agora um quarteto, mais cru e direto ao vivo. Philippe segurou bem a onda sozinho na guitarra, principalmente nas músicas antigas da banda. Após mais de uma hora e meia de show, moshes, gritos, muita roda de pogo e 28 músicas de todas as fases da banda.

O inicio do show foi insano com Zero e Um e seguindo por clássicos como Modificar, Linear, Mulheres Negras, Cidadão Padrão, A Cura e Proprietários do Terceiro Mundo, todas acompanhadas em coro pela platéia. Veio então a passagem burocrática e um tanto chata do show, com a execução de Venceremos, música inédita da banda que virá no CD novo ainda esse ano. Do novo cd, foram tocadas 3 músicas, a primeira tem o nome provisório de Fazendo Cocô e a outra: Pegboy. Eu gostei das músicas, esse novo disco parece ser mais cru, com a cara atual da banda ao vivo.

Em Didático, rolou uma briga na platéia, depois de mais uma invasão do palco, coisa que a banda tentou evitar desde o começo do show. Vale destacar também o bom trabalho da equipe da produção tentando evitar que os invasores de palco atrapalhassem o show. A participação de um cara em Iceberg também merece destaque, cantando a música Leão do Norte de Lenine (“Eu sou mameluco, sou de Casa Forte, sou de Pernambuco, sou Leão do Norte”).

A qualidade da banda é inquestionável, eles só evoluiram musicalmente ao longo de todos esses anos. Bem Vindo ao Clube, Afasia e Sonho Médio foram tocadas com perfeição, mas o show só voltou a pegar fogo com Tão Iguais, Escapando, Por paz, Senhor Seu Troco, Queda Livre e Urgência que encaminharam o final do show. Pra fechar Fragmentos de um Conflito iminente, onde rolou a maior roda da noite, e um dos maiores clássicos da banda: Molotov!

Rodrigo e seus companheiros conseguiram fazer um ótimo show e deixar o público cansado, quebrado e com um sorriso no rosto. Tirando o problema com os banheiros, o evento foi bem organizado, o som estava bom, a segurança também. Parabéns aos produtores do evento e bandas participantes.

Por Diego “Insane Tokmonkey Albuquerque, colaborador do RecifeRock!

Entrevista Dead Fish: “Dead Fish está Mais Pesado e mais Rápido!”

Dead FIsh

Banda que está há 14 anos na ativa, a Dead Fish, talvez o maior nome do hardcore nacional, faz show hoje à noite no Recife. A banda se apresenta no Armazém 14, junto com diversas outras bandas da cena local e a Mangüerbes de São Paulo. Nosso colaborador, Diego Alburquerque, entrevistou por e-mail o vocalista da Dead Fish, Rodrigo, que falou um pouco sobre a trajetória dele, a expectativa pro show de hoje e projetos futuros da Dead Fish.

Qual expectativa de estar de volta ao Recife?! Conhece alguma banda local de HC atual?!
Sempre é bom tocar ai, o público é bem caloroso e receptivo.
Eu ainda ouço Devotos de vez em quando, mas ando bem desatualizado do hc dai de vocês, vai ser uma boa oportunidade pra ver coisas novas ai.
Conheci um pianista estes dias dai pela internet (Nota do Editor: O pianista Vítor Araújo), um gurizinho, molequinho mesmo, achei ele do caralho.

Vocês continuam escutando muito HC nacional underground?! Cite alguma das novas bandas que você acha ter destaque.
Escuto pouca coisa de Punk rock nacional ultimamente, o que escuto é o que sempre escutei como Noção de Nada, Mukeka di Rato, Street Bulldogs.

Como está a receptividade do “quarteto” nos shows?! Qual a principal diferença para a banda?!
Têm sido bons os shows com esta formação, acho que está mais pesado e talvez mais rápido, tenho me divertido mais que antes. Não sei se o público tem sentido isso.

O que mudou do Rodrigo do Sirva-se e no Dead Fish pro atual?! As influências novas?!
Porra, muita coisa mudou eu tinha 16 agora tenho 35, já deixei de acreditar em um monte de coisas, depois voltei a acreditar em algumas, ouvi muita coisa diferente nos últimos 14 anos, passei a ouvir coisas que nunca pensei que fosse ouvir, aprendi muita coisa na estrada e na vida, desaprendi outras… Acho que isso influencia no que escrevo.

Quais os projetos futuros da banda?! Existe algum trabalho a ser lançado?
Estamos fazendo um cd novo que deve sair em Maio ou Junho, temos vários sons prontos, inclusive vamos tocar uns dois sons novos no show dai.
Este ano quero conhecer lugares que ainda não fomos tocando, tipo Porto Velho, Montevidéu ou o interior dai e do Ceará.

Mandem algum recado pra galera…
Quem for ao show levem suas energias positivas pra uma festa divertida e barulhenta, espero que gostem. Muito obrigado Pernambuco!

Serviço:
Dead Fish no Recife

Quinta (20/03) 22h
Armazém 14 (Recife Antigo)
R$ 15,00 (na Disco de Ouro e Bob Nick) - Info: 3423.3345 / 9638.0787
Dead Fish
(ES), Maguerbes (SP), Dillema, Bon Vivant, Pump, Tribo Suburbana, Hady e Allana

Dead Fish

Entrevista concedida a Diego Albuquerque, colaborador do RecifeRock!