Archive for abril, 2008

Cobertura: Abril pro Rock 2008 - Segundo dia

A cobertura dos shows do palco 2 foi feita por Paulo Floro, editor da excelente revista eletrônica “O Grito” www.revistaogrito.com 

Chevrolet Hall, por volta das 17h. Com os portões ainda fechados, a banda que acompanha Lobão em seu Acústico MTV passa o som. Correndo contra o tempo, uma vez que o vôo que trazia Lobão e banda atrasou, assim como a liberação de todos os instrumentos de seu show no aeroporto, o cantor carioca tenta ser rápido. Na “platéia”, apenas alguns jornalistas privilegiados em ver tal cena, a maioria deles impressionado com a quantidade e diversidade de violões a serem usados. Largadão, de bermuda e camisa branca, fone de ouvido, Lobão arranha riffs de “A Vida é Doce”, “Essa Noite Não”, “Vou te Levar”. Os portões são abertos enquanto ele ainda está passando o som. O inevitável acontece: o público, que ia entrando aos poucos, se maravilha com a cena. Uma moça loira pede para eu tirar uma foto dela tendo como pano de fundo Lobão ao violão. A cena se repete com outras pessoas. De repente, o lobo sentencia: “estou me dando por satisfeito. Acho que é isso. Estou empolgado”. Aplausos. Jornalistas e público aplaudem um pequeno esboço do que seria o show de nove horas mais tarde. Lobão agradece com a cabeça, e diz a um dos músicos que está bastante entusiasmado com o show.

É um Lobão de fato empolgado que encontro por volta das três da manhã em seu camarim. Solícito, educado e inteligentíssimo, faz questão de atender ao repórter de um site com um gravadorzinho na mão com a mesma atenção que dedicou às duas emissoras de TV que o entrevistaram antes de mim. Satisfeito e feliz com o depoimento gravado (que você confere em breve aqui), desço para ver o show.

Pausa para uma breve volta no tempo. Em sua primeira perna (os dois primeiros dias) a grande atenção do festival, quem diria, acabou se voltando toda para Céu. Boa parte do público de cerca de quatro mil pessoas (tinha pelo menos o dobro de gente do dia anterior) foi ao APR naquela noite apenas para vê-la. E saiu bem satisfeita com o que viu. Mas, tecnicamente falando, quem mais chamou os holofotes para si foi o surpreendente show do Superguidis no palco dois e a inacreditável apresentação da banda neozelandesa The Datsuns, que infelizmente pegou um público já massacrado pela maratona imposta pelas 12 atrações anteriores. E, diga-se de passagem, o Chevrolet Hall não tratou lá com muito respeito o público do festival.

Aos fatos: um espetinho, de frango ou de carne, custava três reais. O mesmo preço era cobrado pela cerveja. O refrigerante era vendido por R$2,50, enquanto que a água tinha o preço desértico de dois reais. Ou seja, a situação não era fácil. Caso o cidadão não tivesse a carteira recheada, corria o sério risco de passar sede ou fome. E muitos passaram. Em evento que durou quase doze horas e que contou com 15 atrações, era impossível não sentir sede ou fome entre um show e outro…No pavilhão do Centro de Convenções, ao menos, as coisas eram mais baratas.

Aos shows:

Palco 2 - por Paulo Floro 

Há quem diga - pejorativamente - que o Sweet Fanny Adams tem um som “tipo exportação”. E esta é uma feliz constatação: nenhum elemento de suas músicas remetem a algo feito aqui. Suas referências indie-rock se apresentam desde o visual até os riffs, mostrando uma preocupação estética como dificilmente se vê entre bandas estreantes brasileiras.

O SFA lançou esta semana o novo EP “Fanny You’re No Fun” pelo selo Bazuka Discos e tocaram neste show do Abril todas as faixas do disco. Houve alguns problemas técnicos, mas nada que comprometesse o resultado final. E para quem reclamasse de pouca presença de palco da banda, houve até um convite para garotas subirem no palco em “C’Mon Girls”. No entanto, só uma reinou no palco enquanto filmava os integrantes. 

E parecia que neste sábado o palco 2 preenchia a proposta de renovação de bandas e vitrine dos novos nomes da cena independente. O Violins, de Goiania desfilou seu rock em português e conseguiu agradar aos fãs. São as letras o que mais chama atenção na banda. As composições de Beto Cupertino são de uma sofisticação quase inédita no rock independente nacional. O público se esvaziava porque, apesar das guitarras contagiantes, o Violins não são daqueles que conquistam à primeira audição.

A expectativa do show seguinte fez todos se aproximarem do palco antes mesmo de CéU no palco principal terminar de cantar. Era Vitor Araújo e seu piano, desde já a atração mais inusitada na história do Abril Pro Rock. Vitor faz cara de gozo, joga o cabelo e sobra afetação em sua apresentação. É o que está chamando a atenção de todo o país: seu jeito de performer dá nova vida a um instrumento tão hostilizado pela música pop. E ele não se satisfaz apenas com o instrumento, não cabe no formato banquinho-piano. 

Após cada música, lá está Vitor falando com o público, tentando ser polêmico (”quem quer ouvir música pernambucana nas rádios?”) e gerando ansiedade para sua própria apresentação (”quem sabe eu toco aquela música do Radiohead?”). De fato, seu show emociona. Mesmo sob um calor desgraçado, num formato que destoava de todo o festival, ninguém arredou o pé. Tudo tão impressioante que descontamos até o falatório. Nada que um consultor de imagem não resolva. 

Com dual-disc lançado este mês pela Deck-disc e apresentações pelo país, Vitor, de 18 anos tem tudo para ser fenômeno pop de 2008. 

As bandas seguintes, Rockassetes, de Aracaju, e Superguidis, do Rio Grande do Sul fizeram apresentações que poderiam passar despercebidas. Talvez fosse o cansaço da maratona de shows ou outra intempérie, mas o fato é que o rock dos dois parecia feito no piloto automáticos. Tão “normais” que não incita nenhum tipo de reação ou sentimento além da apatia.

O Rockassetes contou com fãs que cantavam todas as músicas na frente do palco. Dava pra perceber as influências de Beatles (nas músicas mais melódicas) e Jovem Guarda. Pela segunda vez no Recife, a banda bem que merece outra oportunidade, mas ali, pareceu “só mais um show”. 

Já o Superguidis não empolgou em nenhum momento. O que é algo para ficar surpreso, sobretudo para uma banda eleita revelação em 2006, ano do lançamento de seu disco homônimo. Nenhuma música tocada no show ameaçou ultrapassar o limite do tédio. Sua curta apresentação serviu apenas de intervalo para a atração principal - e essa não era, definitivamente a proposta do palco 2.

Por fim, o trio Pata de Elefante, também gaúcho, conseguiu chamar atenção com seu som instrumental. Baseados no que há de mais básico no rock, soul, blues e psicodelia, a banda causou estranheza no início mas logo impressionou o já cansado público com sua viagem sensorial. Como era a penúltima apresentação do segundo dia (muita gente nem mais assistia ao grupo e fazia plantão em frente ao palco de Lobão), muito das características do grupo não puderam ser percebidas. Vale a pena ouvir o disco “Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha”, para experimentar a sinestesia e texturas do som do Pata de Elefante. 
 

Palco 3 – por Hugo Montarroyos

O pop ainda verde do paraibano Madalena Moog abriu os trabalhos da noite. A banda até demonstra ter potencial, principalmente na parte instrumental. O problema é que seu vocalista estava extremamente nervoso, e desafinou horrores. Sua voz, por vezes, chegava a dar agonia. Mas no geral ficou clara a proposta deles, que foi até bem executada em palco: pop leve e descontraído, com backing vocal e percussão feminina, dando um certo charme ao conjunto. Só precisa amadurecer mais.

Quem acabou comprometendo foi o Erro de Transmissão. Ao contrário do ótimo show que fizeram na última edição do Pátio de São Pedro, desta vez eles acabaram destoando do resto da programação. Fizeram uma apresentação bem fraca mesmo, talvez pelo nervosismo de chegarem tão cedo a um dos principais palcos do País. A palavra “verde” aqui se aplica com muito mais justiça ao Erro de Transmissão do que ao Madalena Moog. Nada que tempo e ensaio (e maturidade e maior vivência de mundo) não resolvam. Mas ontem ficou evidente que eles estavam muito aquém de todo o restante da programação.

O ótimo e escrachado Barbiebill, de Natal, nem deu bola para os problemas de som que enfrentaram no palco 3. Destilaram inteligência, ironia e safadeza debaixo de camadas de batidas eletrônicas e algumas jóias como “Raspadinha”. Ainda “lamentaram profundamente” a aposentadoria artística de Gretchen, rebolaram, esbanjaram presença de palco e fizeram o mais difícil de tudo: soaram espontâneos. A impressão que passa é que eles são do mesmo jeito fora do palco. Belo show que divertiu bastante.

Palco 1 – por Hugo Montarroyos

Os acordes de ”Mundo Moderno” ecoaram pelo Chevrolet Hall e indicaram que estava para acontecer um dos melhores shows da noite. Com o capeta no corpo, Gabriel destilou todos os seus riffs poderosos, ditou as coreografias e mandou pauladas como “Nada a Ver”, “Paciência” e “Você Sabe”. Foi a primeira apresentação da noite que colocou boa parte do público para dançar. Mas o grande destaque – e surpresa – foi a inclusão do clássico “1,2,3,4”, da antiga banda de Gabriel, Litlle Quail and The Mad Birds, em releitura bem Autoramas. Terminaram o show agradecendo ao setor de “Achados e Perdidos” do Aeroporto Internacional dos Guararapes”, que recuperou um monte de pedais de guitarra que ele julgava ter sido extraviado (leia entrevista com Gabriel a seguir).

Wander Wildner fez um dos shows mais inusitados de sua carreira. Primeiro preferiu dar ênfase ao repertório do novo “La Cancion Inesperada”. Depois acabou tocando “Mantra das Possibilidades”, num pequeno aquecimento do que viria: versões vertidas para o frevo, com a ajuda de músicos da Orquestra Contemporânea de Olinda, de “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro” e “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”, em que Wander trocou o “verso” “eu tô de porre” para “eu tô porreta”. E o Abril pro Rock caiu no frevo pelas mãos do gaúcho inventor do Punk Brega. Genial!

Num país onde alguém do quilate de Ivete Sangalo é alçada a condição de rainha da dita MPB, CéU só poderia ser considerada a coisa mais sofisticada da face da Terra. Mas não é. É apenas um produto superestimado consumido por uma classe média iletrada que se guia pela “Veja” e pelo “Fantástico” e “Domingão do Faustão”. Até alcança alguns bons resultados quando tenta dialogar com a obra do genial Fela Kuti. Mas a forçada de barra para parecer cool e descolada chega a ser insuportável. Virou a nova queridinha dos jovens alternativos, a cantora que as menininhas de 16 anos acham legal dizer que gostam. Porém, Fernanda Takai, com toda a sua simplicidade e apelo zero consegue ser trocentas mil vezes melhor e mais competente que CéU, que não é melhor nem pior do que qualquer outra nova cantora da MPB. É apenas mais uma, embora o público do Abril pro Rock, extremamente receptivo ao seu show, discorde.

O doidaço Júpiter Maçã demorou a sintonizar bem seu show, que também foi muito bem recebido pelo público. Se por vezes rendia bons momentos como em “Síndrome do Pânico”, tratava logo de levar tudo ao infinito da chatice com a insuportavelmente longa e enfadonha “As Mesmas Coisas”. Depois a coisa engrenou, e ele chamou algumas garotas e uns carinhas para dançarem com ele no palco, e terminou em clima de apoteose com a genial “Um Lugar do Caralho”, tocada aqui pela primeira vez no próprio Abril pro Rock, em 1998, quando Júpiter ainda era um cara tímido, de cabelo curto e óculos que lhe rendiam um visual nerd. Quem diria que a música se transformaria num clássico…

Assustador mesmo foi o show do fenomenal The Datsuns, que fazem um rockão setentão com o pé fundo no acelerador. Impressionante a facilidade com que os caras conseguem incendiar tudo. Tocam com uma naturalidade inversamente proporcional a sonzeira que produzem. “Who Are You”, “Sittin Pretty”, “Girls Best Friend” e “Human Error” foram o bastante para perceber que eles não pegavam leve. Um músico ao meu lado não resistiu e comentou: “não adianta, é o tipo de som que só gringo sabe fazer”. Vai ver que é mesmo. Infelizmente o público já estava bem cansado àquela altura do campeonato, e pouca gente conseguiu curtir o show de pé.

Lobão nos brindou com algumas surpresas em seu show. Entrando em cena já lá pelas três da matina, tratou de acrescentar coisas antigas e fora do repertório do acústico oficial, como “Robô, Robô” e “Ronaldo Foi Pra Guerra”. Acompanhado de uma banda impecável, comoveu metade do público (a outra metade, já exausta, não agüentou a espera e foi pra casa) com baladas como “Por Tudo que For” e “Chorando Pelo Campo”. Do ótimo e desprezado disco “A Noite”, lançado em 1998, tirou do bolso a sagaz “Samba da Caixa-Preta”. Encantou com “A Queda” e na soturna “A Vida é Doce”, tocou “Rádio Blá” e “Corações Psicodélicos”. Saiu do palco e voltou para o bis, formado por “Vou te Levar” e “Revanche”. E saiu, definitivamente de cena e apressado, dizendo no backstage que já era quatro e vinte da manhã e correndo com mala em punho para o aeroporto.
O único vacilo de seu show (e muito feio) foi o cover de “Gitã”, de Raul Seixas. Logo Lobão, que tanto criticou tanta gente por tanto tempo por viver fazendo releituras das obras alheias, algo que ele classificava “sutilmente” como “gozar com o pau dos outros”, para depois, ele próprio acabar “gozando com o pau de Raulzito”. Desnecessário e contraditório, para dizer o mínimo. No fim das contas, Lobão virou prisioneiro de seu próprio discurso. Vai ser difícil agora se libertar dele. 

Cobertura: Abril pro Rock 2008 - Primeiro dia

Paulo Floro, editor da excelente revista eletrônica “O Grito” www.revistaogrito.com , foi o responsável pela cobertura dos shows do palco 2.

As mudanças de proposta e de local do Abril pro Rock pareceram não combinar muito. Se a meta era – e foi atingida – mais realista, com objetivo de atrair pelo menos três mil pessoas por noite, essas três mil pessoas mais pareciam um grupinho muito pequeno diante de um lugar tão grande como o Chevrolet Hall. Ou seja, a impressão que passava era a de um vazio permanente, de gente faltando e espaço sobrando. Enfim, para quem não estava a par das novas ambições – mais enxutas e mais modestas – do festival, foi difícil esconder uma expressão de desolação e a sensação de fracasso. Para quem sabia do novo paradigma que o APR tentava estabelecer para si, restava a certeza de que a missão estava cumprida.

Em compensação, no quesito qualidade das atrações, a coisa melhorou muito. Show ruim, daqueles de virar a cara ou encher o saco de qualquer cristão, não teve um sequer. Apenas alguns melhores do que outros e alguns regulares, e outros que poderiam ter seu tempo reduzido (caso do Bad Brains). No mais, tudo certinho, não fosse um detalhe. O som do Chevrolet Hall colaborou pouco, e até o espectador achar a posição ideal para curtir o show sem maiores interferências (microfonias, som de baixo estourado) levava um certo tempo. O ideal é ficar do meio para trás, onde o som é recebido de forma mais pura e chega mais cristalino ao seu receptor. Mais à frente a coisa fica complicada.

Mas, no frigir dos ovos, uma decepção era indisfarçável. Foi triste ver tão pouca gente presenciar uma apresentação tão boa e histórica quanto a do New York Dolls. Frustrante mesmo. E, de encher os olhos era ver Wander Wildner pogando feito criança na platéia ao som do NYD. Ele, sim, conseguiu ser alegre o tempo inteiro ontem. Sua alegria era absolutamente contagiante, e a gente até esquecia a vergonha (nessas horas bate uma vergonha desgraçada) de viver num local onde o público não sabe reconhecer a pedra filosofal de um estilo, lenda viva capaz de lotar qualquer show em qualquer lugar um pouco mais informado e civilizado.

Palco dois – por Paulo Floro

O Project 666 dava o recado: aquela era a noite do peso no Abril Pro Rock, sem a presença de headbangers e sua disputa de “bate-cabelo”. Teve a vantagem de pegar um público disposto que acabara de chegar no Chevrolet Hall, e sua apresentação não foi acometida pelo cansaço da platéia - até o New York Dolls sofreram com isso.
Sem ninguém deitado pelos cantos da casa, o Project 666 despejou toda a agressividade e fez uma ótima abertura dos trabalhos de peso da noite. O interessante na banda é que, apesar da obviedade do nome, da proposta sem muita inovação, o som consegue chamar atenção até dos detratores do metal (ou rock pesado, por extensão). É difícil ficar incólume àquela fúria. Deve ser coisa do demo mesmo.
O “projeto” tem influências bem acabadas de vários estilos de metal. E parece que conseguiram um público também heterogêneo. Tomados pela catarse promovida pelo vocalista Rodrigo Colaço, estavam metaleiros, adolescentes do hardcore, mods e - juro que dava para encontrar - indies.
Já a Zumbis do Espaço não manteve o carisma do Project 666. Muita gente que insistia em fazer roda punk em frente ao palco se divertiu bastante, mas não estavam interessados na banda. Os paulistas fizeram um show homogêneo, nada marcante. Apesar de bem humorado, ninguém conseguia captar as referências do rock nerd da banda.
O apelo country do Zumbis passou desapercebido, mas encontrou resposta em alguns fãs antigos, o que para uma banda que faz seu primeiro show no Nordeste, não significa muita coisa. Quem sabe em outra oportunidade eles consigam arregimentar mais adeptos fiéis. Antes de terminar, as últimas cartadas: o hit “Três noves invertidos” e os riffs clássicos de “Iron Man”, do Black Sabbath.

O show do Vamoz! veio sem surpresas, mas correspondeu às expectativas dos fãs. Veteranos na cena indie de Pernambuco, a banda coleciona apresentações em palcos importantes da cidade, e pela boa recepção de seu último disco “Damned Rock n’ Roll” precisa ir a lugares mais distantes. O Vamoz! precisa sair do Recife logo.
Sua apresentação foi comprometida pelo marasmo que alastrava pelo local, e perto do fim só ficaram os muito pacientes, os fãs e aqueles que descobriram o som cheio de elementos do rock old school do Vamoz!. Lembrando que a banda foi uma exceção na política da organização deste ano do APR que privilegiou bandas que não tinham tocado em palcos gratuitos da cidade ou mesmo no próprio festival. Agora, o Vamoz! já tem dois Abril Pro Rock no currículo (a primeira vez foi em 2004). Precisa de mais nada

Palco 3 – por Hugo Montarroyos

Com fome de palco, os caras da AMP entraram em ação por volta das 21h, despejando seus riffs cavalares na linha Queens Of The Stone Age que pareceram hipnotizar o público. Absurdamente entrosados e ensaiados, mandaram uma pedreira atrás da outra, sem intervalos, e chamaram Fabrício Nobre, do MQN, para mandar ver nos vocais de “Acidez”. Jornalistas de fora de Pernambuco, em uníssono, diziam que há tempos não viam surgir uma banda pernambucana tão boa. Afirmação que este que vos tecla concorda em gênero, número e grau.

“O sonho de qualquer banda independente é tocar no Abril pro Rock”, foi a primeira frase do bom show do The Sinks, dita pelo baixista Anderson Foca, que não escondia a emoção de tocar no festival após 11 anos de espera. Sonho realizado, tratou de brindar os presentes com rock puro e simples, emoldurando grunge e Weezer, numa combinação que soa extremamente gostosa de ouvir e que legitima o ótimo som que fazem. Se a performance de Foca é desengonçada e meio atabalhoada, é no guitarrista e vocalista Dante que as atenções acabam se concentrando. Moleque de voz boa e de presença de palco marcante, não se intimidou depois em entrar na roda-de-pogo do show do Bad Brains, e assim realizar dois sonhos em uma só noite.
Músicas absolutamente bem trabalhadas em peso e simplicidade como “Ignored”, “You” e “Do You Wanna Give Up” garantiram a felicidade dos roqueiros presentes, e credenciaram, definitivamente, o The Sinks como uma das bandas mais legais a surgir no Nordeste nos últimos anos.

Palco principal – por Hugo Montarroyos

O Mukeka di Rato subiu ao palco e o vocalista Sandro tratou logo de dedicar o show ao cantor brega Adelino Nascimento, falecido naquela mesma noite, de problemas cardíacos. Donos de um dos discos mais representativos da história do punk/hc do Brasil, o indiscutível “Acabar Com Você”, acabaram extraindo dele seus melhores momentos, como “Viva a Televisão” e o clássico “Maconha”. A volta do vocalista Sandro em substituição a Bebê confere ao disco – e a todo show – uma maneira mais limpa e arrojada de cantar, fazendo com que as ótimas letras do Mukeka não desaparecessem em meio a tempestade de decibéis que a banda sempre provoca por onde passa. Foi, depois do New York Dolls, o melhor show do palco principal, superando até mesmos os ídolos Bad Brains.

É complicado escrever sobre uma lenda. Sobretudo quando tal lenda ainda está viva. E mais ainda quando ela representa três gerações do hardcore (embora eles odeiem se enquadrar em tal rótulo) e tenham feito algo que a maioria prefere creditar ao The Clash: misturar a velocidade do hardcore com as batidas do reaggae (ok, o The Clash fez o mesmo, só que com o punk). Mas certas coisas não passaram despercebidas ontem.
Da formação original, restaram o baterista Earl Hudson, o guitarrista Dr. Know e o baixista Darryl Jenifer (este, quase gagá). Coube ao vocalista Israel Joseph injetar sangue novo na banda, e o contraste entre sua disposição e o cansaço dos demais integrantes era evidente. Outro ponto delicado de ser tocado é justamente aquilo que um dia soou como inovação para o Bad Brains. Se eles são ótimos, perfeitos no hardcore, nas partes violentas e mais rápidas de seu set, garantindo fácil a abertura de uma roda-gigante e animada, nas partes mais lentas e de culto rasta a coisa se tornava absurdamente monótona. Confesso que este é um defeito particular meu, e não da banda. Como adoro hardcore e detesto reggae, o Bad Brains nunca esteve em alta cota comigo, embora reconheça sua importância histórica e seu papel de divisor de águas no gênero. Mas ontem, fora Cannibal – visivelmente emocionado por ver de tão perto seus ídolos – e outros tantos, a maioria parecia concordar comigo: ficava empolgada pra valer durante as partes mais secas, cruas e violentas do show, e aproveitava para dar uma volta ou ir ao banheiro nas partes mais voltadas ao reggae. Ou simplesmente sentava quando misturavam ambas. No fim das contas, o show acabou sendo mais longo e mais chato do que precisava ser.

Uma lenda-viva chamada David Johansen entrou em cena e de cara deu a impressão de que os 38 anos que se passaram entre seu início de carreira e a noite de ontem não tinham afetado sua voz e sua presença de palco em nada. De peruca e sempre nos mostrando que Joey Ramone e Steven Tyler foram crias suas, esbanjou disposição, carisma, talento, bagagem punk. Sua voz soa tão perturbadora como era nos anos 70. Dava sinais de ser bem mais jovem do que os excelentes músicos novos que o acompanhava: Sam Yaffa (baixo), Steve Conte (guitarra) e Brian Delaney (bateria). O outro sobrevivente, o guitarrista Sylvain Sylvain, também permanecia confortavelmente conservado, uma legítima testemunha e um dos sujeitos de uma história que envolveu muito sexo, drogas e rock n’ roll. Um a um, clássicos como “Pills”, “Looking For a Kiss” e “Personality Crisis” eram jogados na nossa cara. Se o show tinha um público infinitamente menor do que merecia, um clima intimista acabou se instaurando entre banda e platéia. Show que, daqui a dez anos, poucos terão o privilégio de dizer que testemunharam. Assim como hoje nos referimos com tanto carinho ao show de Chico Science e Nação Zumbi em meio ao temporal no Circo Maluco Beleza em 1996. Alheio a isso tudo e em estado de transe, Wander Wildner percorria dançando todo o Chevrolet Hall, em exercício de total contemplação e devoção e desmentindo um de seus grandes sucessos, aquele em que ele diz que não consegue ser alegre o tempo inteiro. Ontem, pelo menos durante todo o show do New York Dolls, ele conseguiu ser. Assim como todas as poucas testemunhas de tal momento histórico também conseguiram ser. Uma pena que tal alegria tenha sido compartilhada por tão poucos. Coisas de Recife

Quer ganhar um ingresso pro Abril Pro Rock 2008 ?

Esse ano o Abril Pro Rock 2008 fez pouquíssimas promoções com ingressos. Descobrimos os DOIS únicos jeitos de ganhar ingressos grátis para o APR 2008:

1. Promoção do Blog do Jamildo / JC / Petrobrás
O blog do Jamildo vai sortear 4 ingressos hoje! Corram e se inscrevam
Onde ? no site http://jc.uol.com.br/blogs/blogdejamildo/
Quantos ? 4 ingressos

2. Sorteio no Ciclo de Palestras
Ontem, após o fim do primeiro dia de palestras, a produção do APR sorteou 2 ingressos. Hoje vai ter mais. As palestras começam às 14h na Livraria Cultura (Shopping Paço da Alfândega)
Onde ? Livraria Cultura, a partir das 14h
Quantos ? 2 ingressos

Hoje é dia de Rock!: Abril Pro Rock 2008

Cartaz APR 2008

Se liguem que o horário do show de Céu mudou!

PROGRAMAÇÃO DE SHOWS DO ABRIL PRO ROCK 2008


SEXTA-FEIRA
(11.04)
Abertura dos portões: 20h

20h30 - AMP (PE) - palco 3
21h00 - Project 666 (PE) - palco 2
21h35 - The Sinks (RN) - palco 3
22h05 - Mukeka di Rato (ES) - palco 1
22h40 - Zumbis do Espaço (SP) - palco 2
23h15 - Bad Brains (EUA) - palco 1
00h35 - Vamoz (PE) - palco 2
01h10 - The New York Dolls (EUA) - palco 1

SÁBADO (12.04)
Abertura dos portões: 17h

17h30 - Madalena Moog (PB) - palco 3
18h00 - Erro de Transmissão (PE) - palco 3
18h25 - Sweet Fanny Adams (PE) - palco 2
18h55 - Barbiekill (RN) - palco 3
19h20 - Autoramas (RJ) - palco 1
20h05 - Violins (GO) - palco 2
20h35 - Wander Wildner (RS) - palco 1
21h20 - Vitor Araújo (PE) - palco 2
21h45 - CéU (SP) - palco 1
22h30 - Rockassetes (SE) - palco 2
23h00 - Jupiter Maçã (RS) - palco 1
23h45 - Superguidis (RS) - palco 2
00h15 - The Datsuns (Nova Zelândia) - palco 1
01h10 - Pata de Elefante (RS) - palco 2
01h40 - Lobão (RJ) - palco 1

DOMINGO (27.04)  *
Abertura dos portões: 20h
Helloween (Alemanha) - palco 1
Gamma Ray (Alemanha) - palco 1

* em breve

Local: Chevrolet Hall (Olinda)
Dias 11 e 12 de abril
R$ 50 inteira, R$ 25 meia-entrada. Ingresso social: R$ 30 + 1kg de alimento não perecível
Camarotes para 10 pessoas: R$ 800 (primeira fila), R$ 600 (segunda fila) e R$ 500 (terceira fila)
Dia 27 de abril
R$ 80 inteira, R$ 40 meia-entrada. Ingresso social: R$ 50 + 1kg de alimento não perecível
Camarotes para 10 pessoas: R$ 1500 (primeira fila), R$ 1000 (segunda fila) e R$ 800 (terceira fila)

* As primeiras 2 mil pessoas que comprarem ingressos para 2 ou 3 dias, juntos, ganham um CD promocional do Abril Pro Rock
* Censura: 14 anos. Menores, de 14 a 18 anos, devem estar acompanhados de parentes de até 3o grau, maiores de 18 anos.

Ciclo de Palestras Inaugura o Abril Pro Rock 2008


release:
CICLO DE PALESTRAS INAUGURA 16a EDIÇÃO DO ABRIL PRO ROCK

Apesar dos shows no Chevolet Hall começarem apensa na sexta-feira, a 16a edição do festival Abril Pro Rock tem sua estréia oficial nesta quinta-feira (10), com o primeiro ciclo de palestras que promove no Recife. Durante dois dias, importantes produtores e pensadores da cadeira produtiva da música independente passam pela cidade para falar sobre produção, circulação e consumo de música. O evento é gratuito e tem entrada aberta para todos que comparecerem, a partir das 14h, no auditório da Livraria Cultura.

O ciclo de palestras é uma parceria do Abril Pro Rock com a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso). Direcionado principalmente para as bandas, o evento procura explicar para os iniciantes o processo de produção, tanto artístico quanto executivo, de um grupo independente. Como ele pode circular em turnês pelo Nordeste e se divulgar na Internet. Ainda fala sobre a produção de festivais, dando dicas de como iniciar um evento de médio porte, além de como manter um veículo de mídia na Internet que possa interagir com o mercado de música.

Abaixo, seguem o perfil de cada um dos palestrantes, com contatos, data, hora e títulos das respectivas palestras. O representante do MySpace Brasil, Luiz Pimentel, junto com o produtor musical Iuri Freiberger, também aproveitam a viagem para conhecer o primeiro curso de produção fonográfica do Nordeste, na Barros Melo / Aeso e conversar com os alunos, adiantando um pouco do que será debatido na Livraria Cultura.

PALESTRA – PRODUÇÃO EXECUTIVA E ARTISTICA DE BANDAS
Quinta-feira, às 14h

Fabrício Nobre (Monstro Discos) fabricio_nobre@uol.com.br
Vocalista da banda MQN, de Goiânia, Fabrício é o atual presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes. Na palestra, ele vai falar sobre produção executiva de artistas, com base na experiência que teve com grupos como o brasiliense Lucy and the Popsonics, que encerrou recentemente uma longa turnê na Europa e Estados Unidos, com passagem em importantes festivais como o South by Southwest.

Iuri Freiberger (produtor musical)  iff.voy@terra.com.br
Músico da nova e elogiada banda gaúcha Tom Bloch, recentemente contratada pelo selo Som Livre Apresenta, Iuri é um dos produtores artísticos mais requisitados do rock independente no Brasil, com mais de 40 discos já produzidos. Ele fala na palestra sobre como funciona esse trabalho dentro do estúdio, com base em casos como das goiânias MQN e Valentina, além da pernambucana AMP.

PALESTRA – TURNÊS NO NORDESTE
Quinta-feira, às 15h30

Anderson Foca (Centro Cultural DoSol Rockbar) eventos@dosol.com.br
Produtor e músico, Foca mantêm em Natal o Centro Cultural DoSol Rockbar, espaço que movimenta turnês de bandas nacionais pelo Nordeste. Com isso, também faz circular grupos das capitais vizinhas, promovendo intercambio na música independente no Nordeste. Na palestra que promove no Abril Pro Rock, ele fala dessa experiência e dá dica paras as bandas de como entrar nesse circuito.

Rafael Bandeira (HeyHo Rockbar) heyhorockbar@hotmail.com
Produtor cearense, Rafael mantêm na cidade o HeyHo! Rockbar, além de realizar o festival Ponto.CE anualmente e produzir a banda Fóssil. Ele promove turnês pelo Nordeste em parceria com o DoSol Rockbar, aproveitando a proximidade entre as cidades para dividir custos e trazer ao Nordeste artistas de outras regiões do país. Junto a Anderson Foca (acima) ele falará dessa experiência, passando um pouco do caminho das pedras para as bandas interessadas.

PALESTRA – FESTIVAIS INDEPENDENTES
Quinta-feira, às 17h

Gustavo Sá (Porão do Rock, Brasília) gustavorumbora@hotmail.com
Gustavo faz parte da equipe que produz o Porão do Rock, na capital do país. Considerando um dos eventos de maior porte no cenário independente, ele contrapõe um dos extremos da palestra sobre festivais no Brasil, falando da experiência própria em montar um evento de música na terra do Ministério da Cultura.

Marcelo Domingues (Festival Demo Sul, Londrina) | demosul@pop.com.br
O produtor do festival DemoSul traz o outro extremo para a palestra de festivais independentes. Ele fala da experiência de montar um evento de médio porte sem grandes apoios ou patrocínio, mas ainda assim trazendo bandas de outros estados para se apresentar em Londrina. A Eddie, de Pernambuco, já foi uma das atrações do Demo Sul.

PALESTRA – DIVULGAÇÃO DE BANDAS NA INTERNET
Sexta-feira, às 14h

Luiz Pimentel (MySpace Brasil) luizp@myspace.com
Luiz é jornalista e já foi fundador e um dos editores da revista Zero. Ele agora é gerente de conteúdo do MySpace, maior plataforma social de música no mundo, no Brasil. No Abril Pro Rock, ele fala da experiência de implementação do site no país, dando dicas de como melhor utilizá-lo para divulgar uma banda na Internet.

Fernanda Cardoso (Tramavirtual) fernandacardoso@trama.com.br
Jornalista e representante do site Trama Virtual, que lançou no Brasil a melhor experiência até o momento de comercialização de músicas online. Chamado de “download remunerado” o sistema encontra empresas interessadas em financiar as MP3’s de bandas cadastradas no site, já tendo pago valores acima de R$ 2 mil por mês para os músicos com maior número de downloads. Fernanda vem ao APR explicar como funciona o download remunerado e como melhor utilizá-lo.

PALESTRA – MÍDIA INDEPENDENTE
Sexta-feira, às 15h30

Paulo Terron (With Lasers) pterron@yahoo.com.br
O blog With Lasers é hoje a principal fonte de notícias sobre as duas bandas independentes de maior repercussão no exterior, o Bonde do Role e o Cansei de Ser Sexy. Todas as notícias sobre eles saem primeiro via Paulo Terron, para depois chegar na grande mídia. Como conseqüência, Terron é hoje convidado para colaborar com veículos de grande porte, como a revista Rolling Stone. Ele fala no APR sobre como articular um espaço próprio na Internet e conquistar espaço na grande imprensa.

Bruno Maia (Sobremusica) brunomaia@gmail.com
Jornalista carioca, Bruno conseguiu, através do trabalho que faz no blog Sobremusica, ser convidado para cobertura em alguns dos principais eventos de música no mundo, como o festival Roskilde, na Dinamarca (o segundo maior da Europa). Paralelamente, ele produz o programa AleatórioFM que foi chamado para integrar a programação da rádio Multishow FM e é foi contratado como representante do departamento de mídias digitais da gigante EMI.

PALESTRA – COOPERATIVAS DE MÚSICA
Sexta-feira, às 17h

Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo, Cuiabá) cuboplanejamento@gmail.com
Produtor da banda Macaco Bong (que se apresentou em 2007 no Rec-Beat), Capilé é um dos articuladores do Espaço Cubo e circuito Fora do Eixo em Cuiabá. Sistemas de cooperativa que desenvolveram uma moeda própria no cenário independente, onde as bandas se apresentam e recebem horas de gravação ou material de divulgação como cachê. Ele fala no Abril Pro Rock sobre a experiência de implementação desse serviço chamado “Cubo Card”.

Claudão Pilha (A Obra, Belo Horizonte) |  claudao@aobra.com.br
Com base no trabalho implementado por Pablo Capilé, Claudão Pilha, que produz o festival “1º Campeonato Mineiro de Surf” deu inicio ao modelo de uma associação brasileira de casas de show. A idéia é articular produtores com problemas similares ao encontrado em Cuiabá e poder difundir essa nova forma de trabalho pelo Brasil.