“Vocês vão ter que me engolir”. “Os incomodados que se mudem”. “Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira”. Todas as máximas anteriores servem de ilustração para Johnny Hooker, tri-selecionado do Microfonia. E, o que é pior, de forma mais do que merecida.
Se tem alguém que soube usar o Microfonia para sedimentar seu nome na “cena” (existe isso?) pernambucana este alguém atende pelo nome de Johnny Hooker. E nem adianta vir com choradeira: sua nova banda, a Candeias Rock City, é boa pacas. Uma pena que Johnny nunca dê seqüência aos projetos que cria. Mas aí já é outra história.
Voltando ao evento em si: apesar de extremamente mal divulgado, as coisas até que correram bem no primeiro dia de eliminatórias. O Uk Pub acabou se revelando uma escolha acertada, o público compareceu e as bandas, em sua maioria, deram conta do recado. E, sinal dos tempos, o Microfonia deixou de ser coisa de iniciante. Tinha muito veterano participando: Gleisson Jones (Rádio de Outono), Fernando (Volver), Ênio (Mellotrons). Sem falar do tri-merecido selecionado Hooker.
Aos shows: Banda nova formada por velhos de guerra do rock local, o Javacafé apresentou um bom pop retrô que acabou sendo bastante prejudicado pela falta de qualidade vocal de Jeff Clause. O nível subia consideravelmente quando sua voz era coberta pelos vocais de Gleisson Jones (bateria) e Fernando (baixo). O trio, que opta pela simplicidade da combinação guitarra/baixo/bateria, se garante legal na parte instrumental, mas dá umas escorregadas feias quando canta.
Já o The Haze fez um show redondinho, mesclando pop com uma pegada punk. Se sua fórmula não apresenta nada de novo, por outro lado eles mostram muita competência no que fazem. E, importante, não inventam, enrolam ou embromam. Mesmo ao ousar uma versão aceleradinha para “Enjoy The Silence”, do Depeche Mode, não soa forçado. Ao contrário: foi tocado com uma naturalidade que chegou até a ofender os mais conservadores. Bela apresentação.
Outra bom show foi o da Gandharva, banda que aposta nas guitarras calculadamente distorcidas que caracterizaram o final dos anos 90, daí ser tão nítida a sua principal influência, o Queens of The Stone Age, e o cover correto que fizeram para “The Lost Art Of Keeping a Secret”. Trata-se de uma banda com potencial a ser explorado, e que, independente do resultado do Microfonia, tem tudo para vingar.
O La Garantia foi a grande incógnita da noite. Ao começar o show, bateu a sensação de “mais uma banda que acha que o Recife é a Manchester do início dos anos 80”. No final, deixou a impressão de flertar com o rockabilly. E, no meio, mandou um cover muito bem executado de “Paisagem da Janela”, de Beto Guedes. Pareceu sem identidade, embora visivelmente promissor.
Na boa, Johnny Hooker é um artista. No que a palavra carrega de bom e de ruim. Mascarado, canastrão, exibicionista. E, mais legal de tudo, ele tem absoluta consciência disso. E a Candeias Rock City é sensacional. Farofa pura, rock ambíguo, metal posudo, solos de guitarra fantásticos, banda incrivelmente ensaiada. E Johnny soltando os “Obrigado, bando de filho-da-puta” da vida. Crianças, podem chorar. Já é finalista…
A banda mais madura e coesa da noite foi a Seufulô e a Fuleragem. O problema é que destoou demais de todas as outras. Fazem uma espécie de blues com sotaques brasileiros, tudo com muito esmero e extremo profissionalismo. O vocalista deu um banho de performance comparado com demais. Dava pra sacar que era gente já tarimbada, escolada. Macaco velho mesmo. Mas ficou perdido em meio as tantas “guitar bands” que surgiram antes e depois. Uma pena…
A puberdade é uma fase inglória mesmo. Que o diga o vocalista da Caravana do Delírio. Tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão, mas tão desafinado que só os hormônios da adolescência mesmo para justificar. Tudo bem assassinar “Eu Me Amo”, do Ultraje, pois o próprio Roger está longe de ser vocalista. O problema é sentir que a banda estava afundando seu repertório autoral mesmo. Um dia (espero que seja logo) eles ainda vão rir muito da noite de ontem no Uk Pub. Até lá, infelizmente, ela parecerá um interminável pesadelo. Relaxem e deixem o tempo passar. A adolescência é a pior fase da vida de qualquer um. Não seria diferente com vocês…
O ótimo Love Toys fechou a noite com uma bela histeria a la White Stripes e The Hives. Formada por uma molecada cheia de vontade e literalmente pulsando rock nas veias, a banda foi responsável, ao lado do Candeias Rock City, pelos melhores momentos do primeiro dia das eliminatórias. Arrisco-me a dizer que cravaram uma vaga na final.
E, no final das contas, o Microfonia já cumpriu bem o seu papel: o de dar visibilidade a novos nomes do cenário pernambucano. Que venha a segunda noite…



57 Comentários
na moral, eu tava lá e não vi isso não, vi um monte de amigos de johnny hooker os de sempre.
E se para chegar na final tem q mandar todo mundo se fuder e chamar de puto já vi que o nível do festival ta baixo.
Acho que falar em nível é algo desnecessário se formos pensar em algumas bandas que passaram por alí.
E sobre quem não entende a dimensão que a música tem, fazer o quê?
Adorei o texto!
E Johnny, parabéns! Pra você e todo mundo que participou.
Beijo!
Fiquei sem pronome :/
Vós é muito feio.
Candeias Rock city foi, sem dúvida, o melhor show da noite, seguido por love toys.
johnny! hoooooooooooker!!!!
muuito boom o show pÔ! contagiante demais, eu não via uma alma sequer parada, também né?! com johnny no palco arrasando como sempre(mas sem esquecer que melhorando cada vez mais), e a banda maravilhosa.. não podia ser diferente..só sei que estou doida pela final, onde sem dúvidas Candeias Rock City irá quebrar tudo novamente.. we’re gonna put it on fire baby!
Parece mentira isso.
hahahahhahahahaha
Cara, lamentável seu comentário destrutivo quanto aos garotos da Caravana do Delírio. Jornalismo musical tem de ser crítico, independente da pouca idade da banda resenhada, mas você foi malicioso em sua crítica. O vocalista desafinou, sim, soube depois ter ele 17 anos, e estava nervoso. Nada que se deva omitir, mas sem o tratamento pejorativo tecido por você. No entanto, as desafinadas não despiram as canções da inspiração singular que elas carregam; com simplicidade, são material muito mais autêntico do que o forçado Johnny Hooker – a quem você, com certeza, é relacionado.
Eles, ao menos, têm o tempo para melhorar as pontas soltas e aprimorarem-se, e vejo um futuro promissor para eles. Sua falta de isenção jornalística, no entanto, não dá sinais de ter coisa alguma a mudar com o futuro.
Paciência. Jornalismo é emitir opinião, se não tem colhão pra subir no palco, o comentário é o certo, portanto. Minhas condolências.
Johnny Hooker se garante! Parabéns, foda o show!
Ps: Mas o miguxos dele parecem ter um império na barriga.
Apesar de EU não achar Johnny Hooker lá grande coisa, acho completamente entendível que alguns o achem e até caiam na babação (falo do que ouví por aí, não necessariamente dos comentários reciferockeanos… mas, por que não, também?). A banda (Candeias Rock City) é realmente bem ensaiada, bons músicos e, no tal do Johnny, com certeza sobra energia, inegável. Resumindo: apesar de isso não expressar MINHA opinião sobre o que é melhor, colocá-los na final não é nada que vá gerar protestos de minha parte…
Agora… LOVE TOYS? Fizeram um show feio, quase chegando ao ’sebosismo’, com umas desafinadas de vocal, uns ‘gritos’ nada a ver colocados lá no meio e uma certa falta de coerência.
Opinião de quem OUVIU aos shows, sem ficar pulando, gritando ou levando em conta se os outros fazem o mesmo: para mim, os melhores shows da noite foram La Garantia, Gandharva e, porque não, Candeias Rock City.
PS: Favor consertar o nome da La Garantia na matéria.
Uma das melhores críticas que já li.
Tá certo que os integrantes já estão na terceira “final”, juntos ou separados, numa banda ou outra, mas em algum momento não foi merecido?
Ao contrário de bandas de garagem que só tocam para conseguir gatinhas (com certeza não é o intuito de Johnny), eles fazem música por paixão, seja techno, punk ou puro, sujo e bom rock ‘n roll. Pela nível de muitas bandas, até como brega e pagode eles entrariam fácil.
Outros assim como Seu Fulô e – toda – a Fuleragem junto com La Garantia, foram os seguidos melhores fora o sempre citado John e banda, sendo o La Garantia o melhor cover.
Bem, trabalho é ruim mas não mata, dizem que dá até para colher bons frutos, como a galera de Candeias prova a cada Festival.
ah, sim, faltou apenas acrescentar aos MEUS melhores shows da noite o do Seu Fulô e a Fuleragem, o problema é que eu concordo com Hugo, quando diz que essa banda dstoa das demais, da linha mais rock.
Eu vou ser bem direto.
Parabéns aos meninos da Love Toys, estou muito feliz por vocês estrearem assim.
Mais enfim isso era apenas algo que eu não podia deixar de comentar. Mas eu aposto tudo mesmo em Johnny Hooker e Candeias Rock city.
Quem quiser reclamar que reclame, quem quiser falar besteira que fale. Mais ninguém nunca, mais nunca vai tirar o talento de Johnny hooker.
Parabéns de chapéu até o chão.
Muito bom!
Meus meninos de Candeias mandaram ver ein!
Acho que crianças sempre choram, sempre vão chorar.
Um dia eles crescem!
Eu acho que o próprio Johnny tá constrangido com esse texto.
ou com dor nos ovos, vamo babar mas sem machucar!!
rsrsrsr!
Sempre me aconselharam a ficar calado e não comentar nos fóruns de música, principalmente quando sua banda está sendo posta contra o muro, mas como eu não me considero uma “mosca morta”, vou falar.
Eu sei que fizemos(Candeias Rock City) um bom show ontem. Tocamos há um bom tempo, todos da banda já passaram por muitas outras. Eu mesmo já toquei na primeira fase da Johnny Hooker, onde ficamos em 4º na primeira edição do Microfonia. Depois fundamos a Monomotores e levamos o primeiro lugar. Somos bem entrosados, até porque todos nós somos amigos desde criança, isso refletiu no palco e deu esse entrosamento.
Quanto a crítica de Hugo, sempre gostei da forma com que ele escreve. Já vi resenhas que quebraram o pau em bandas do estilo emo, e tempos depois vi a mesma pessoa pedindo desculpas por ter sido tão áspero.
Felizmente, ele Hugo nunca falou mal de alguma banda minha, mas nem por isso concordo com tudo que ele diz.
Um bom caso disso é o da “Caravana do Delíro”. Adoro as letras da banda, inteligência e bom humor. Acho que o cover não foi muito bem escolhido. Quanto ao vocal, eu gosto dessa forma estranha de cantar, vide Mopho, uma das maiores bandas pra mim.
Microfonia – A Seu Fulô e a Fuleragem realmente mostrou ser a banda mais bem ensaiada e possuir músicos de maior qualidade. Não acho que estar no meio de “guitar bands” deva fazer alguma diferença no julgamento.Banda boa é banda boa e fim de papo.
Adorei o cover da La Garantia. Estou cantando a música até agora. Ênio, como sempre, tá botando quente nas guitarradas.
Achei o nível muito alto este ano. Apesar de todos os “pecados” cometidos pelo festival, o nível das bandas foi o melhor de todas as edições.
Não teve isso de colocar uma banda pra representar determinado estilo. Se não acharam legal uma banda de “Emo”, não coloca. Não tem isso não. “Parafraseando-me”: Música boa é música boa!
O que eu não entendo é ter lido aqui mesmo que a gente precisa ter paciência com Mallu Magalhães, por que ela é novinha, tá verde e coisa e tal, enquanto que com os meninos da Caravana do Delírio Hugo simplesmente jogou uma maldição na puberdade deles.
Isso desestimula a produção musical deles, e eu achava que a proposta do recife rock era exatamente o oposto disso.
Famosa crítica, oras!
Comentário totalmente infeliz sobre os caras da caravana do delírio, babação totalmente sem noção a os caras da Candeias Rock City, podia passar sem essas duas.
Pessoal acho q tive uma visão completamente diferente deste comentário deste Hugo.
Em minha opinião musica é arte, arte é expressada de varias formas porem n gostei de Johnny Hooker a banda e muito boa e preparada.. porém é arte chegar a um palco chamar todos de filhos da puta ?! é arte mandar todos se fuderem e dar dedadas para as pessoas q pagaram para apoiar as bandas ?! esta simbiose de David Bowie com Merilyn Manson não agradou nem um pouco aos meus ouvidos (opinião própria)
Quanto a forma que o tal Hugo tratou a banda Caravana do Delírio foi lamentável vc como bom entendedor de musica deveria aconselhar e ou fazer uma critica construtiva e não depredar tanto os caras que com certeza estavam super nervosos !!!
O que eu pude observar neste show e que as bandas La garantia, SeuFulô, Gandharva foram as bandas da noite !!!
Para completar o meu comentário e minha indignação contra este comentário Seboso seu caro Hugo a banda La garantia n possui IDENTIDADE (até o nome da banda vc escreveu errado)?!
No mais penso q vc foi muito infeliz em tudo o q vc mencionou (lamentável para com as bandas que tentaram dar o seu melhor)!!!!
Gelera, não é preciso ler Kant ou Descartes pra saber que a imparcialidade não existe. Esse paaradígma de que jornalista musical tem que ser neutro, imparcial e etc. já foi rompido há décadas, graças a Zeus. E outra, vocês não precisam concordar com a opinião do escriba, mas, em nome da liberdade de expressão jornalistica, vocês deveriam defender a liberdade de expressão do jornalista em si. poder escrever sobre o que quiser, como quiser e etc. é uma verdadeira vitória. Desculpem a sinceridade, mas, na minha humilde opinião, só pessoas muito fracas e degeneradas se doeriam com essas críticas. Melhor do que ler algo e se doer, é ir num analista pra descobrirem por que se doem.
enio.
Só pra completar: pra mim, mais do nunca, os “roqueiros” são as entidades bípedes mais quadradas e castradas que eu já vi.
O mais curioso foi ver que quase todas as bandas estavam estreando (e bastante nervosas). ´Esse é nosso primeiro show!´ foi a frase da noite (seguido de ´Obrigado filhos da puta´).
Achei interessante o Caravana do Delírio. Letras são bem sacadas e absurdas: ´Não deixe o sistema nervosoooooo!´ – essa é hit :). A escolha da cover não foi boa (O Traje a rigor – sic!). O vocal, apesar de ter desafinado horrores, tem muito potencial, ele tem um timbre bem diferente. Acho que a banda tem que aumentar e chapar aquele tecladinho! peçam umas dicas pro André Sette do Anjo Gabriel :P
Mesmo assim… achei os shows do Caravana e Javacafé os mais fracos. Os vocais dobrados do Java… num deu.
The Haze e Love Toys foram bem caóticos e energéticos, mas tava muito desafinado (hora as guitarras, hora as vozes).
O maior erro do Seufulô foi a cover de Lula Queiroga. O show começou devagar, apenas com a voz… (e quando a banda entrou deu uma atravessada monstra). O show do microfonia é curto, tem que começar bem pra cima! ENERGIA!
Gandharva tem potencial, mas ainda muito presa no indie rock dos anos 90. As músicas são longas, acho que tem que quebrar mais as baterias, ainda tá tudo quadrado (principalmente na 1. música). QOTSA é massa, mas o cover parecia estar em câmera lenta, faltou ´entrochar´ mais a música (e a banda toda).
La Garantia foi o melhor som e melhor cover.
Pela reação do público as favoritas são La Garantia e Candeias Rock City…
Semana que vem tem mais oito bandas.
rock!
g!
ps1. Vou ajeitar as fotos pra por no site.
ps2. Deixe sua opinião, mas mantenha o respeito :P
“O crítico é aquele que pode traduzir, de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas”.
Esse comentário que Oscar Wilde escreveu no início do livro “O retrato de Dorian Gray” deixa bem claro o que eu penso a respeito disso.
Nós do La Garantia agradecemos as pessoas que foram, que curtiram e que comentaram, positiva ou negativamente, sobre o nosso show, isso nos deixou com o sentimento de dever cumprido.
Valeu a força.
“Foram enganados é o caralho! Música foi inventada para se divertir, não para competir. Tem que fazer para se divertir.”
Supla sobre o Gas Sound
daqui:
http://www.sambapunk.com.br/sem-categoria/supla-para-o-star-61-foram-enganados-e-o
muito bonita a frase de Wilde, André. Agora, você sabe que o belo que Wilde fala é um conceito estético/metafísico filosófico, né? o mesmo belo que Nieztsche, Schopenhauer, Schiller, Kant, Heidegger etc. escreviam sobre. o lance é que, depois do sec 19, começo do século 20, principalmente com os filósofos franceses como Fucualt, Deleuze e Sartre, que são filósofos da pós-modernidade, ou seja, da pós-metafísica, esse seu conceito de belo não se aplica a nada. se quiser falar do balo como um olhar apontado para o século 19, falemos, mas, se quiser realmente se expressar sobre a percepção subjetiva do belo de nossos tempo, unsemos outros artifícios mais criativos.
enio
errata: Foucault
Como estamos falando da crítica da forma, eu me referi a ela,Então, espero que você possa se encontrar apenas na parte de alguém expressar sua opinião, o belo você entende como quiser, isso foi apenas um conceito dado por certos malassombros.
Como estamos falando da crítica e da forma com que ela é posta aqui no site, espero que você tenha comentado a respeito disso.
Eu só quis dizer que acho interessante mostrar a questão “SUA impressão” das coisas. O termo belo você pode conversar depois, ou agora mesmo, já que eu o considero como produto final. Não interessa o que você ou ele quis dizer com “belo”.
Não acho que as idéias mudem tanto assim.
O conceito de belo pode mudar seja em qualquer aplicação ou época. O importante no que citei é mostrar que a impressão é dele e acabou, assim como eu tenho minha impressão desta expressão.
Abraço
André, eu não estou atacando você. só quis dizer que o que Wilde disse, o belo que ele se referiu, é um conceito estético, mas que vai além da beleza. a beleza é a representação do belo, a forma que o belo se mostra. o belo em si, a coisa que por trás da beleza é imperceptível, ele só existe abstratamente enquanto conceito. mas eu entendi o que você quis dizer.
logo, a crítica que fazem ao texto de Hugo não é pela capacidade dele de demonstrar o belo, já que, 1- não poderiamos dizer que ele não o faz só por que não concordamos. 2- mesmo que ele fizesse, não teríamos a percepção dele do belo em si. a frase de Wilde não se aplica, pelo fato de que o que incomada o povo não é a falta de percepção dele do belo em si, mas da forma que ele representa a representação do belo – que é a beleza.
pra fechar o assunto: se a percepção do belo é de cada um, se é da experiência sensorial individual, então o belo não pode existir. o belo é um conceito metafísico, ou seja, é catálogo. percepção de cada um é pós-metafísico. pra se dizer que algo é belo, temos que eleger o que é belo em si, mas não temos acesso ao belo em si, apenas a beleza, que é a sua representação, logo, não podemos eleger o belo em si, apenas suas representações. se o belo exist, ele é no máximo um “acordo de cavalheiros” ou uma alucinação consensual.
pronto, parou. sem mais filosofia
Vídeo da Love Toys tocando o cover do Dead Boys, no show de ontem.
http://www.youtube.com/watch?v=WxVwmOkgZ54
Eu sei que você entendeu o que eu quis dizer. Tá tranquilo!
Achei realmente que você estava me ofendendo, mas acho que foi viagem minha. Também não quis ofender.
Só pra concluir, a única coisa que eu quis dizer com a frase foi que independente do conceito do belo, o crítico vai dizer o que este belo significa pra el. Só isso.
Quanto a essa briga ai, tenho nada com isso.
Foi uma noite divertida.
De meninos nervosos tocando rock poser e desafinado, à uma bicha-louca que sabe o que faz. La garantia foi muito bom, com uma energia e força fodas. Existe algo que ainda me incomoda na banda, talvez seja o vocalista. Não pela pessoa, até porque não o conheço. Mas me pareceu “destoar” do restante da banda, no palco (enquanto a banda se comportava com instiga, moral, etc, o cara fazia dancinhas “fofinhas”. Rock é duro, porra. Aprenda isso).
A do Haze também foi bacana, porém, mais do mesmo(parem de ouvir bad religion e ouçam outras coisas também). Candeias Rock City, pelo o que conheço de shows, é o somatório de rock com teatro, com amizade, e com experiência de palco. Eles botam quente nisso. Incorporando personagem ou não. Os caras conseguem curtir o que tão tocando, sem esbanjar nada. E isso, querendo ou não, contagia. A banda, só por existir, já é polêmica.O nome é feio pra caralho. Eles tem uma torcida que ninguém tem nos festivais. O vocalista é uma moça. Um dos guitarristas parece ter saído de uma banda de brega. fora o fato de parecer que só fazem a banda pra tocar no microfonia e pronto, 3 meses depois a banda acaba. Isso, somado aos fatores positivos ditos acima, faz o negócio dar certo. Mas, só uma coisa: aquele “hino” – “Candeias rock city” não colou, galera. Desistam dessa música.
A Gandharva foi fraquinha pacas. Aquela do cara que perdeu a memória então…Mas acho que dá pra andar. Eu curti o vocal. O seu fulô, eu achei a primeira música muito bacana. Apesar de destoar do clima do uk, banda muito boa e competente(ver ex-metaleiros 666 tocando samba-blues é no mínimo divertido). Mas, depois da primeira, me senti num show de Ana Carolina. A garganta arranhou e o ouvido doeu.
Caravana do Delírio foi foda. Concordo com o lance da puberdade Mas não pela voz, e sim pelas letras. Ri deveras com isso. Velho, a diferença entre Mallu Magalhães e Delírio é que ela quando pensa em tocar um cover, pensa em tocar Johnny Cash, e não O Traje a Rigor. O que você faz também é fruto de boas referências. Nem o nome da banda eles sabiam, imaginem só o resto. Mas sei lá. Me lembrou o show de Psicopatas, no abril pro rock. Mas psicopatas foi bem melhor, e os caras tinham 13 anos. Ok, tudo passa, normal. Como Guilherme falou, a voz do cara tem um timbre estranho. jajá ele aprende a aproveitar isso e pode se garantir muito. E as letras, são parte do lance de realidade/cotidiano mesmo. Psicopatas cantavam a música lá da Matemática. Caravana canta sistema nervoso. Professor de 3o ano deve adorar.
A última banda foi engraçada. Pra mim, foi uma surpresa total. Rock rasgado, sujo e mal feito. Porém totalmente instigado. Talvez a boa essência esteja aí. Jajá tiram o forgotten boys da playlist e começam a fazer algo com diferencial forte.
Minhas apostas:
La Garantia, Candeias Rock City (que nome feio da porra) e Lovetoys.
Semana que vem tem mais.
Até lá.
É muito engraçado a “verdade” perante os olhos de cada um que comenta aqui…. O mais legal é a afirmação convicta e cheia de pompa que implementa ligações entre uma banda e outra, numa espécie de relação criado/criador, discípulo/mestre…. É nessas horas que eu vejo a ironia e o sarcasmo como um estágio superior da interface entre humanos.
Ainda bem que as pessoas são diferentes, deus me livre ser assim…
Ontem perdi o Javacafé, mas vi todos os outros shows. Candeias Rock City nem vou falar pq são todos macacos velhos e Johnny Hooker sabe fazer um show incendiário. Todas as outras bandas estavam num bom nível. Mas duas bandas me chamaram atenção: La Garantia e Caravana do Delírio. Eles estavam nervosos mas conseguiram mostrar algo de substancial(seja nas letras ou no modo peculiar de cantar), inclusive originalidade é um dos quesitos avaliados. No caso da La Garantia curti a performace da banda, acho que o vocalista conseguiu interpretar bem as letras de um modo engraçado, com umas danças estranhas, eu curti, o caminho é esse. Os outros caras da banda (inclusive o nietzschiano Enio tbm é macaco velho hahaha) estavam bem concentrados (mas tbm estigados) e conseguiram um som coeso. Tbm acertaram o cover. Já no caso da Caravana do Delírio achei os caras verdes mas com grande potêncial. Pensei que seria uma banda psicodélica. No começo achei estranho e depois achei massa o jeito do cara lá cantar, nem achei desafinado, mas com um timbre de voz estranho e um sotaque figura, a la Mopho como André falou. Concordo com Guilherme, tem que pirar esse tecladinho ae. Achei massa. Parecia uma banda carioca do fim dos anos 80, tipo sem noção mas racional. Mas como eu disse a moçada tá verde. Ah sim, acertaram o cover tbm. Mas já sabe né? É só minha opinião.
Como diria a musiquinha “ado, a-ado, cada um no seu quadrado”!
Realmente gosto é muito pessoal, e, como já foi dito, imparcialidade jornalística não existe. Principalmente se tratando de música. Música é sentimento, e quando se escreve sobre ela, o texto vai mostrar a sensação causada em quem a ouviu.
Quem é acostumado a ler os textos de Hugo sabe que ele é bastante passional, o que não é ruim, só é o estilo dele!
Não levem o que ele diz a ferro e fogo. Foram só as impressões dele, ué! Ele não precisa gostar de tudo que ouve, nem falar bem sem achar que deve! E quem está nessa de ser músico, tem que estar para o que der e vier, pronto para elogios e críticas!
E tenho dito!
“Velho, a diferença entre Mallu Magalhães e Delírio é que ela quando pensa em tocar um cover, pensa em tocar Johnny Cash, e não O Traje a Rigor.”
Ainda bem que estamos comentando só um show… se fosse em qualquer outra situação doeria bastante ouvir que a caravana do delírio não sabe escolher covers bons…. mas concordo que o de Ultraje a Rigor não é dos melhores…
eu proponho uma coisa a todos…. inclusive a Hugo…
vamos ao próximo show das bandas que tocaram no primeiro dia do Microfonia para poder avaliar melhor, porque você devem concordar comigo… é impossível avaliar uma banda por 15 minutos de apresentação num espaço apertado daquele…! =)
Vamos lá…. e espero que meu comentário não seja subtraído!
Abraço
Nem tudo que a gente acha é verdade, por isso devemos ter cuidado ao expôr nossas idéias. Com críticas, isso deve ser principalmente mais pensado. Monteiro Lobato criticou Anita Mafaltti, o modernismo era diferente demais. Depois foi desqualificado como crítico de arte e culpado pelo recuo da artista em matéria de vanguarda. Ele deveria estar sendo sincero em suas opiniões e, é claro que deveria divulgá-las, porém havia melhores maneiras de fazê-lo. O mesmo acontece aqui. Não que a Caravana do Delírio seja precursora em algo como o foi Anita, ainda é cedo para sabermos, mas com certeza é diferente do já visto no cenário musical recifense. Essa originalidade é buscada pelo evento em questão e deveria ser melhor aproveitada. Johnny Hoocker é de fato um grande músico, mas é totalmente clichê. Não me empolgam os filhos da puta gritados por ele num show como não me empolgaria assistir a uma corrida de fórmula um e ver levantado o dedo indicador de Michael Schumacher em mais uma de suas vitórias. Os meninos da Caravana estão amadurecendo ainda em termos de música, é verdade. Todavia, acho nítido o potencial desses garotos. As letras das músicas são criativas e não precisam ser mascaradas por grunhidos indecifráveis. O som meio retrô anos 80 é uma delícia de se ouvir e a voz peculiar do vocalista torna a banda ainda mais instigante.
Passem períodos estudando ética e legislação, redação jornalística, teoria da comunicação e português e comunicação e façam uma crítica melhor.
Criticar é expressar sua opinião, será que isso não é claro até agora?
A não ser que vocês estejam caindo na Teoria da Bala Mágica… aí, vocês que acham que criticam melhor, procurem saber o que é(se já não sabem).
Não defendo ninguém nesse meu argumento, mas defendo apenas minha posição de futuro jornalista que posso expressar minhas opiniões também. É direito deontológico e inalienável.
Acho que pra algumas bandas desse primeiro dia, o Microfonia já cumpriu o seu papel. Seja de mostrar o nome da banda para o público, seja de dar alguma experiência de palco para eles… a verdade é que tinha muita banda com potencial de se tornar alguma coisa interessante algum dia, mas não passou de uma piadinha. Como exemplo eu cito Caravana do delírio, exatamente pelo que já cansaram de falar aqui e Love Toys, que tem alguns pontos bem legais mas precisa amadurecer muito ainda, aquele vocal imitando Forgotten Boys e aquele rock embolado, sem timbre, sem personalidade, precisa amadurecer e criar uma cara própria. Boa sorte pra eles, tem tudo pra aproveitar a visibilidade que ganharam no microfonia e crescer.
Já para outras bandas, foi só a confirmação do que já se esperava. Umas muito ruins, outras acima da média das bandas escolhidas.
O pessoal da La Garantia sabia claramente o que tava fazendo, neste ponto eu discordo totalmente da opinião do crítico que escreveu a matéria, dava pra ver que eram músicos competentes e rodados. E outra coisa, não teve absolutamente nada de rockabilly ali, nada mesmo, pelo contrário, reconheci naquela última musica do show uma influencia clara (talvez até demais!!) de The Smiths, guitarrinha chupada da música This Charming Man. Achei a banda bem preparada, quem destoou foi o vocalista bizarro que precisa se tranquilizar e controlar seus movimentos e danças que beiram o ridículo. O cover foi o melhor da noite e, me arrisco a dizer, um dos melhores de todas as edições do Microfonia, fizeram um cover como deve ser, dando sua interpretação da música e não só tentando imitar o que se ouve no cd. Foi uma versão surpreendente de Paisagem na Janela, nesse ponto realmente acertaram em cheio.
Já Johnny Hooker e sua patota, todo mundo sabe que o cara é bom em fazer o show funcionar e divertir, é um showman. Se o Microfonia desse ano tivesse bandas mais preparadas, provavelmente ele nem iria para a final, pq realmente não apresentou nada de novo, com muito Riff chupadíssimo de Stooges (tanto que o cover foi Lust for Life do rei Iggy Pop, se a Love Toys tivesse essa sinceridade que eles tiveram, teria feito um cover de Forgotten Boys) e farofa demais em cima de tudo. Foi um retrocesso à sua primeira banda, que levava o seu nome e participou do primeiro Microfonia, só que dessa vez mais experiente e preparado. Levaram vários amigos que ficaram na frente do palco, todos ensaiadinhos com as paradas e partes importantes das músicas devidamente decoradas (como nos outros anos), prontos pra gritar na hora certa e levantar as mãos, e isso ajudou bastante a animar o show e enganar os jurados, tenho cá minhas duvidas se o vocalista faria uma apresentação incendiária daquela pra uma platéia de desconhecidos, provalmente colocaria suas roupas masculinas de volta, como fez logo após do show, e iria para casa triste e com vergonha. Na verdade o erro foi escolher eles, pela terceira vez, entre as 16 bandas. A banda claramente foi criada só pra participar do microfonia, a comunidade do orkut foi criada essa semana, o myspace esse mês, estavam ali descontraidos e sem responsabilidade, nada a perder, fazendo piada, só de passagem, prontos pra abocanhar mais um prêmio em dinheiro e SUMIR para, quem sabe, voltar daqui a 2 anos, como já fizeram duas vezes. Mas temos que ser justos, o show foi o mais animado da noite e, tirando como parâmetro as outras bandas que eram bem verdes, já era, é final, senta e chora.
Então é isso, pra mim os finalistas são Candeias Rock City e La Garantia, porque estão claramente um nível acima das outras bandas.
Para outras bandas, participar do microfonia já foi lucro e eles devem levar isso como experiencia e crescer, porque tem potencial. É o caso de: Love Toys, Caravana do Delírio, Gandharva…
Vejo vocês na próxima quarta.
Embora não pude ver as bandas que tocaram após Candeias Rock City (Seufulô e a Fuleragem,Caravana do Delírio e Love Toys)acredito assim como o Hugo que os “meninos” tenham garantido o seu lugar na final.
Queria levantar três pontos: Todo esse falatório sobre Johnny Hoocker e suas bandas (em três edições, três projetos)deve ser pelos mesmos problemas que todas as bandas iniciantes enfrentam – a falta de pespectiva, pois talento por talento o JH possui (acredito nisso, pois para mim ele é artista coisa que poucos no cenário (seja ele onde for) conseguem.
Segundo: “Originalidade” enquanto não assumirmos que somos brasileiros (e nordestinos) e limitarmos isso apenas ao sotaque, seremos meras cópias mal-feitas. Pelo que li TODAS AS BANDAS são RETRÔ! E olhem que tecla aqui é um cara que fazia new-wave nos anos 90 (ou seja, uma merda! Fora de época).
Terceiro: O UK é um espaço interessante, mas aínda não tem condições de abrigar um evento de médio porte à contento por razões técnicas – nenhum vocalista se ouve bem, a parte elétrica dá choque além dos músicos que têm o hábio de tocar alto em qualquer lugar o que prejudica ainda mais a performance (pois o espaço é muito pequeno), por isso acho natural desafinar – por mais que os vocalistas não tenham técnica ou não estivessem com os nervos sob controle, afinal além de um show curto é uma competição.
Mas o mais legal é saber que de alguma forma tudo isso movimenta, instiga e até embeleza esta cidade de piso sujo, sedenta por boas notícias e música de qualidade.
Boa Carlos CC!
E quanto a guitarrinha the Smiths, Carlos acertou em cheio. O lance é que a música(Bilhete do Show) é meio contry, e colocar guitarras tipo Hellacasters(uma influência minha de contry music, estilo que eu adoro) em rock sempre vai dar em Smiths. É como usar guitarra com reverb com alavanca, sempre vai dar em Surf Music(outro estilo que adoro, ainda mais que o country).
Dessa vez, Jhonyy, tu leva o Microfonia. A não ser que tenha panelinha na escolha! Mas, sem onda, o som de vocês é muito bom, lembra as bandas dos bares de NY.Valeu!
Os comentários do RecifeRock! são moderados por mim (Guilherme Moura). Sou editor, dono do site, pago as contas, mantenho ele no ar… etc… etc… e decido que comentários ficam ou vão pro limbo :) Simples assim.
Ao contrário dos comentários, todos os textos do site são assinados. Todos textos publicados refletem as opiniões de seus autores, que não necessariamente refletem a minha opinião ou dos outros colaboradores do RecifeRock! :)
Quem se sentir ofendido por qualquer texto ou comentário, basta entrar em contato pelo e-mail: reciferock ARROBA gmail.com (pra evitar spams).
rock!
g!
Sou da banda caravana (bateria) e
Agradeço aos Andrés e a todos que deram a força pra caravana valeu mesmo
Falou galeraaas!!!
Se o propósito do Microfonia é o de revelar novos talentos(apesar de todos os méritos aos JH mas o cara já é veterano),pois bem, então que seja este o resultado final: o de dar oportunidade a galera nova que está começando.
Quem estava lá tocando eram artistas iniciantes, nervosos, que cometeram sim alguns erros mas que merecem todo o respeito pois deram suas caras a tapa e, afinal de contas, foram classificados para a primeira etapa do festival.
Meus parabéns a todos e, galera, não vamos perder o foco: O FESTIVAL É PARA NOVOS TALENTOS, ou seja, as “bandas verdes” que, com seus erros ou acertos, estavam lá no lugar certo.
Performance de veteranos a gente vê em outros lugares.
3 Trackbacks
[...] mais madura e coesa da noite foi a Seufulô e a Fuleragem.” É o que fala o jornalista do Recife Rock, Hugo Montarroyos, dentre outras coisas( Ler texto do [...]
[...] mais madura e coesa da noite foi a Seufulô e a Fuleragem.” É o que fala o jornalista do Recife Rock, Hugo Montarroyos, dentre outras coisas( Ler texto do [...]
[...] Abril Pro Rock 2009 são Voyeur, Candeias Rock City, The Keith e A Comuna. Confira a cobertura do primeiro dia e do segundo dia das eliminatórias do Microfonia [...]