
Auditório da Livraria Cultura. Terceiro dia de palestras do Grito Rock Porto de Galinhas. O público chega aos poucos. O clima do debate do dia anterior ainda repercutia. A platéia, que não demorou a ocupar boa parte do auditório, era formada por músicos, produtores culturais, jornalistas e, mais importante de todos, público consumidor, gente que consome e se interessa por música. Entre os debatedores, os músicos Zeh Rocha e Cannibal, o jornalista Bruno Nogueira e Roger de Renor. O tema, espinhoso, centro de todas as discussões sobre as novas possibilidades geradas pela revolução de se consumir música hoje em dia: Sustentabilidade no Mercado Autoral. Nenhuma resposta pré-fabricada, nada de receitas de sucessos. O que se viu/ouviu foi um monte de gente com interesses em comum querendo saber como será possível viver de música numa época em que nunca foi tão fácil divulgá-la, e jamais, paradoxalmente, tão difícil de sobreviver dela.
Zeh Rocha inicia os trabalhos. Faz um resumo de sua biografia como artista, da época em que era parceiro de Lenine (da banda Flor de Cactus a ida ao Rio de Janeiro) e de como abundava dinheiro a rodo na então polpuda indústria nacional do disco. Tempos em que, segundo ele, a gravadora se dava ao luxo de apostar em um futuro sucesso em disco ainda não gravado, pagando ao compositor um belo adiantamento que, dependendo do estilo de vida do músico, dava para viver na maré mansa por pelo menos um ano. Saudade… Para não perder o embalo, desceu a lenha no Ecad, que classificou como órgão arcaico. O que, de fato, ninguém parece discordar. E alertou para uma tomada de conscientização da classe artística, por vezes (ou quase sempre, em terras pernambucanas) dependente do poder público.
Bruno Nogueira, cujos estudos de mestrado e doutorado navegam justamente na nova construção da cadeia produtiva de música em tempos de Internet, foi rápido, direto e objetivo. Para ele, o processo todo passa por três etapas: a) a cadeia produtiva; b) a conexão entre os agentes dessa cadeia produtiva; c) a proximidade entre público e artista que essa nova cadeia produtiva possibilita.
Roger de Renor, rejeitando os rótulos de apresentador e agitador cultural, reforçou seu desapontamento com o discurso de Renato L no dia anterior, quando o novo secretário de Cultura afirmou que a Rádio Frei Caneca ainda não estava no ar por entraves burocráticos. Deu nome aos bois dos donos de concessão de algumas rádios locais, como Marco Maciel (Rádio Cidade) e Orestes Quércia (Nova Brasil FM), e voltou a afirmar que o monopólio midiático não tem o menor interesse na construção de uma rádio local que rompa com os paradigmas (leia-se jabá) das rádios comerciais. Um tanto ressentido, criticou a escalação de João do Morro no Rec-Beat, classificando o músico de “hype de jornalista que quer convencer a classe média de que aquilo é a legítima representação da periferia, quando não é”. E disse aquela que talvez seja a maior verdade entre todas as dúvidas e questionamentos levantados. “O problema é que somos classe média falando para a classe média e reclamando para a classe média”. Traduzindo, a periferia fica excluída de toda a discussão, metaforicamente, por não se fazer presente nos debates, e fisicamente, por não ver em suas comunidades os shows gratuitos que se tornaram rotineiros no centro, mas ainda distantes da periferia. E, talvez ainda mais grave, por não ter artistas de suas comunidades como atrações desses eventos.
Sobrou para Cannibal o papel que desempenha tão bem: o de agente social e de condutor que tenta ser entre as classes periféricas e os mais favorecidos. Usando o seu Alto José do Pinho como exemplo, nutriu a platéia com informações que ela talvez não esperasse ouvir. Que, por exemplo, o Alto José do Pinho não é o “paraíso dos antropólogos” (a expressão é minha) que tanta gente de classe média acha que é. O crack (tráfico e consumo) anda aterrorizando o local. Ao contrário do que julga o senso-comum, as bandas do Alto José do Pinho não gozam de nenhum privilégio dos poderes públicos (Governo e Prefeitura). Que os perrengues que eles enfrentam para realizar os eventos que teimam em fazer começam na elaboração do projeto até a grana do equipamento do som, que na última hora é cortada.
Um elo era claro ali entre os debatedores, o público e o Lumo Coletivo: a idéia de que a melhor maneira de fazer as coisas é fazendo. Botar o bloco na rua. Juntar forças. Permutar. Detectar necessidades e interesses em comum. O caminho é esse. Como trilhar é o enigma a ser decifrado. E não dá para ser de outro jeito. É abrindo espaço na marra, como Roger fez na época da Soparia e ampliou seu raio de alcance para as rádios e TVs. No trabalho comunitário desenvolvido pela Alto-Falante do Alto José do Pinho. E, por que não, nos estudos acadêmicos e na construção de um diálogo entre universidade e os modus-operandis do mercado musica?l. Especialização só faz bem, venha de onde vier.
O debate aberto ao público foi um show à parte, com direito a intervenção inusitada de José Mário Austragésilo, que conseguiu a façanha de fazer uma síntese surreal de tudo que foi dito na mesa, fazer propaganda do seu programa na Rádio Universitária, dizer para Roger que a Frei Caneca é uma mentira que não vai sair do papel nunca (não, pelo visto José Mário não gosta de concorrência) e de falar para Cannibal que ele, José Mário, é o maior colecionador de Pernambuco de discos de reggae. Não entendi lhufas, mas beleza.
Enfim, depois de toda uma enxurrada de informações de três dias de debates, fica uma única certeza: todos saímos ganhando com essas trocas de idéias e experiências. Ainda que esse ganho não seja palpável, rentável e perceptível em um primeiro momento. Enquanto isso, pé na estrada, protetor solar e rumo a Porto de Galinhas curtir o festival, que ninguém é de ferro!



53 Comentários
Tá massa esse texto. deu ainda mais agonia por não poder ter ido ontem. Rumo à Porto agora!
Pois é…
O pior é que eu ainda lembro de quando as famílias eram responsáveis pela criação e manutenção de sua prole, e me causa uma enorme inquietação constatar que em algum lugar do espaço e do tempo, legamos a formação de nossos filhos ao PREFEITO e ao POLICIAL.
O estado obriga-se INDISCUTIVELMENTE a promover o bem-estar da sociedade civil. Mas será que os indivíduos precisam nesse caso abdicar de suas responsabilidades enquanto AGENTES TRANSFORMADORES de um meio específico?
Sinceramente nunca curti a idéia de pedir ESMOLA, e se a esfera estatal não tá nem aí pro fomento à produção cultural, que outra opção nos resta senão a busca pelo reconhecimento de nosso trabalho por vias alternativas?
Creio ter havido certa confusão provocada pela má interpretação/ generalização deste termo (alternativo) no transcorrer do terceiro dia de debates promovidos pelo LUMO coletivo. Nunca achei na verdade, que os coletivos (organizados ou não) se constituissem solução definitiva para a problemática das transformações no mercado fonográfico. Mas taxar de ineficazes mobilizações independentes dos poderes constituídos é, no mínimo desmerecer o trabalho de organizações como o próprio LUMO, o circuito FORA DO EIXO, e a ABRAFIN.
Tenho cá minhas críticas e restrições com relação aos trabalhos desenvolvidos pelas instituições supracitadas, mas questionar a validade das ações promovidas por estes (e outros) grupos num debate promovido pelo próprio LUMO coletivo é contrasenso e ponto final.
Quem quiser que vá bater panela na porta na porta dos órgãos competentes pra conseguir o que é seu por direito (parece até briga por herança de família), mas eu sinceramente tenho coisa melhor pra fazer do que correr atrás de uma rádio que não sai do papel há quase MEIO SÉCULO. E olha que o Chinese Democracy era a piada do ano até agora…
Essa BALELA de que o acesso aos novos meios de comunicação não é democrático já não cola comigo… Quem vive na periferia sabe que a quantidade de LANHOUSES por metro quadrado põe em xeque esse tipo de afirmação. E tomando por base o modus operandi do aparelho estatal, quem me garante que o acesso a uma rádio nos moldes da FREI CANECA seria democrático?
Não quero dizer com isso que devemos deixar de cobrar providências dos órgãos públicos responsáveis, mas ficar na dependência da boa vontade do império pra da vazão à produção cultural dessa cidade é de lascar.
Pra quem faz parte da cadeia produtiva fica a sugestão… Deixar a preguiça e a apatia de lado é salutar. FAZER CONTATO NÃO DÓI, e oferecer qualquer tipo de contribuição material/intelectual é NOBRE.
Espaço se CRIA, contexto se RECONHECE. Foi assim com o movimento PUNK, com a cena MANGUE, e não será diferente daqui pra frente, ainda que os nossos “sábios” afirmem que o contrário.
Rock!
Correção:
[...ainda que nossos "sábios" afirmem o contrário.]
Rock!
a turma sabe mesmo falar bonito viu, e reunião pra desocupado? vai te catar, invejozinho :)
Radio Frei Caneca? hahaha Essa rádio tomou foi no Caneco! quem vai ser o corajoso para botar essa rádio pra funcionar, já que todo o sistema radiodifusor está nas mãos dos politicos?
Pois é galera, Recife a maior cidade pequena do mundo, com suas PANELINHAS que não tem fim. Sabem de uma coisa, mandem todo mundo as favas. Produzam os seus eventos ou algo semelhante.
P.S Deve ter alguem ganhando uma ôia com essa onda do João do Morro ai.
muito engraçado roger criticar o espaço das produções artísticas vindas da periferia, uma vez q ele mesmo não dá espaço nos seus projetos p/ esse tipo de produção. exceto quando o bairro perférico é tema do programa, aí sim, coloca-se uma banda do coque pra tocar, por exemplo.
quantas bandas de periferia tocaram no extinto sopa diário? em contrapartida, quantas vezes eddie, isaar, mundo livre, etc tocaram no mesmo programa? não estou questionando a qualidade desses grupos, só acho que o programa não se torna um grnade diferencial em suas carreiras já consolidadas. agora será q isso não passa na cabeça do “agitador cultural” (esse termo é a maior piada)?
Parabens hugo, excelente materia, o cap rock star pareceu o José Mário Austragésilo falando(isso é um elogio).
Gostei do comentário de roger a respeito do joão do morro, agora vale lembrar que ele(roger), no seu extinto programa diario, levou varias vezes a nega do babado(que tinha passado a fazer samba), isso é favorecimento que infelizmente sempre vai existir, por isso as pessoas devem não ficar presas nas suas reclamações e procurar outros meios de divulgar seus trabalhos.
Só uma questão que andei caraminholando e serve para estimular o debate aqui: por que pega bem dizer que gosta de Textículos de Mary e Matalanamão e é “feio” falar que João do Morro é legal? Talvez porque os dois primeiros façam rock e o terceiro, pagode.
Sei lá, só para colocar a discussão na mesa…
exatamente hugo. nem precisa pensar muito pra chegar a essa conclusão…
quem gosta de rock gosta de matalanamão e texticulos. quem gosta de pagode gosta de joão do morro. simples assim.
bem, esse seria o esquema se joão do morro não fosse hype né.
mas nas circunstâncias atuais é assim:
a) quem curte rock curte: textículos, matala e joão do morro.
b) quem curte pagode curt: joão do morro. e torce o nariz pra texticulos e matalanamão. “vixe, isso é muito barulhento”
lembrando que esse rock é no sentido mais dilatado possível da palavra. tipo esse site aqui que é recifeROCK, mas tem matéria sobre joão do morro e na agenda tem guaiamum treloso e prévia da sala de justiça.
é bom lembrar que parte do sucesso que João do Morro faz hoje em dia é culpa deste site que começou a cantar a bola logo depois que viram ele tocar no Espaço Aberto achando tudo muito legal
Eu ainda acho muito legal, mas não me sinto culpado pelo sucesso ou fracasso de ninguém. E também gosto pacas de Matalanamão e Textículos de Mary. Aliás, se tivesse o poder de pavimentar o estrelato de alguém, só o que já escrevi sobre o Devotos aqui dava credenciais à banda para estar todo mundo no “Domingão do Faustão”. É ingenuidade achar que o site tem essa moral toda…
ops, quis dizer toda semana no “Domingão do Faustão”. Muito tempo sem dormir dá nisso…
A grande bronca de certos boca nervosas como Roger é que o tiroteio contra tudo e todos é tão grande que pro cara falar uma merda daquelas é um pulo. Que papo escroto esse de que o tal do João do Morro não é uma “legítima representação da periferia”. E quem seria então? Devotos? Eddie? Etnia? Alguma banda que ele anda produzinho, se é que ele ainda produz alguma?
A periferia é uma coisa tão ampla e diversificada que cabe vários espectros dentro dela. E o João do Morro tá inserido nisso, queira seu Roger aceitar ou não. Muito antes de virar hype de jornalista, o cd do cara já bombava nos carrinhos e barraquinhas piratas do subúrbio. Coisa que outras tentativas de hypes não conseguiram, a exemplo do Cinval Coco Groove, que o José Teles ainda teima em citar até em suas colunas dominicais de crônicas no JC.
Mas o produtor de João do Morro num é Gutie?
Num faz sentido tudo isso? Num acha óbivio ele estar no RECBEAT?
Agora se é bom ou ruim, legitimo ou não,nesse caso vale a interpretação de cada um que para pra ouvir ou assistir.
Se Roger tivesse um festival quem ele colocaria achando legítimo?
Sei que ele curte muito o Ediie.As vezes eu acho Eddie baixo astral, a voz de Fabio é muito grave e tem uma intonação pra baixo, se contrapõe com a imagem luminosa, o carnaval , casario colorido e o ceu azul de Olinda.Mas o som é denominado “Olinda style”. Será LEGÍTIMO usar esse termo?Sempre fiquei incucado com isso apesar de achar uma coisas bem legais da Eddie.
Cada um no seu quadrado!
Galera,
estamos postando em tempo (sur)real uma cobertura do primeiro dia do Grito. quem estiver online agora pode entrar no http://gritorockporto.blogspot.com
Abracos.
Ps: o que você ta fazendo lendo isso ao inves de estar no Muru-Muru?
achei ridícula essa foto do debate, Bruno com essa mãozinha, debatendo. Uma mesa cheia de gente ridícula e sem ter o que fazer.
Muito mais simples que uma reunião, é só chamar João do Morro em um canto e perguntqAr a ele:
“JOÀO, COMO É QUE SE FAZ?
COMO É QUE VOCE FEZ O QUE AGENTE NUNCA CONSEGUIU FAZER?”
Não seria mais fácil?
Eu também não gostei da foto :P
O que aconteceu com João do Morro, na verdade, foi um pouco do que a gente conversou por lá, né? Ele encontrou um monte de gente no Morro da Conceição que adorava a música dele, ao ponto de começar a divulgar ela espontaneamente.
Gravavam seu show, multiplicavam em CD-R e espalhavam entre amigos. No começo da história a comunidade que criaram para ele no Orkut era bem impressionante. Gente que tinha transformado música em ringtone, que estava subindo vídeos no Youtube, etc.
Ninguém vê o público fazendo isso pelas bandas de rock, né? Lembro uma vez até que o Eta Carinae e Eddie mandaram tirar as MP3’s deles de todos os sites e até davam bronca no Orkut em quem mandava um link do rapidshare. Mas parece que agora isso já está mudando. Tomara.
No geral, parece que somos mais preguiçosos :)
Ah, eu posso estar enganado, mas acho que Gutie não é empresário de João do Morro. Ele agênciou uns shows para ele em São Paulo, fez algum tipo de parceria. Mas o empresário mesmo dele é um baixinho de bigode que está sempre colado nele. Uma vez me apresentaram, mas eu esqueci o nome :P
Bruno, gostaria de te perguntar uma coisa:
porque voce não usa seus conhecimentos teóricos na prática, ou seja, bote a mão na massa.
Segundo voces, bandas boas em recife tem aos milhares, João do morro já deu o mapa da mina, o pessoal do site gosta de produzir eventos, então porque voce não testa o que voce aprendeu na aeso com nossa matéria prima, com a Volver por exemplo.
Sei que voce vai dizer que não é produtor nem empresário, mas voce pode dar uma consultoria, que tal?
O Austregésilo deve achar que a banda do Canibal toca reggae! ehehehehee
Esse cara é muito por fora, ele só gosta das coisas de 1950 pra baixo, é um Ariano Suassuna da vida(respeito muito o escritor, mas não a ideologia dele).
O Bruno mandou bem no debate, mas o Roger foi o melhor.
“achei ridícula essa foto do debate, Bruno com essa mãozinha, debatendo. Uma mesa cheia de gente ridícula e sem ter o que fazer”.
Caraca, dizer que essa galera não tem o que fazer é típico de gente que não tem o que fazer…
Apesar de ter comparado João do Morro com outras bandas bregas,mas, de fato há um diferença primordial, pois a maioria dessas é pré-fabricada, enquanto que JM tem seus meritos em saber divulgar seus trabalhos.
Agora divulgar musica apelativa com essa imprensa nossa, inclusive virtual, é muito facil, pois parece uma grande rede dirigida por uma única pessoa.
Bem hugo, não gosto do matala nem do testiculos, porem a proposta do primeiro era fazer letras baseadas na obra de nelson rodrigues e o segundo tentava “chamar atenção do conservadorismo xenofobico”, já joão do morro faz o trivial, letras preconceituosas e apelativas(que muitas bandas bregas já fizeram),então, não é só o genero musical e sim a própria proposta que os difere.
não gosto com se tem tratado João do Morro, legítimo representante popular.
joão tem talento de sobra e o povo reconhece isso.
É diferente de artistas já tão citados nesse site que não conseguem atingir um número grande e diferenciado de pessoas.
João nào é artista de um determinado segmento, ideoligia, situação social ou qualquer tipo de gueto.
Por isso tão tacando o pau nele. Não adianta empurrar os Chinas e Canibais da vida no povo, ele não é besta não!
atualizado todo, esse site né verdade?!
Acredito que João do Morro é algo temporário, mais um som do verão como as outras bandas… Quem se lembra?
“Ôh ôH Ôh Ôh Ôh éH éh éh éh”
“Ô meu Dêu,Ô meu Dêu,Ô meu Dêu”
Entre outras pérolas. Ano que vem aparece outro artista do gênero.
Aliás, João do Morro é um cara simpático, mas conheço o pessoal que tocava com ele antes. Ele foi mesmo é esperto. O 1º cd dele gravado ao vivo na festa do Morro da Conceição foi tocado nos carrinhos de som depois que a banda acabou. Aí ele se aproveitou da fama dos carrinhos e montou uma outra banda e usando apenas o nome João do Morro e os caras que realmente tocaram com ele antes estão na merda. MAs a vida é dos espertos, né… Vamos ver até onde vai chegar o João. Se a música for boa mesmo(apesar dele ser desafinado pra caralho) ele vai durar pra sempre se não, vai ser esquecido próximo Carnaval.
li os comentários e vou dar minha opinião.
Que possamos um dia chegar num acordo.
Nosso problema é que nossos principais artistas não surgem a partir do gosto popular. Eles aparecem através de vários atravessadores e seus interesses, que são os produtores culturais.
Ou bem ou mal, em Salvador os artistas nascem a partir de uma identificação popular, e os resultados em relação a Recife são bem diferentes.
Os artistas de Salvador ganham grana e são famosos no Brasil inteiro. em recife vivem com um pires na mão atrás de verba pblica e tem um público setorizado.
fico revoltada quando uns bairristas daqui dizem que o bom é aqui que tem o Abril e o Recbeat. Mas quero ver é um músico daqui sustentar uma familia dignamente tocando em Recife.
Por fim, falar mal de João do morro e aplaudir um artista com China é muita hipocrisia. Tocar cover de Roberto Carlos para hordas de playboys é algo que dignifica nossa cultura? O que tem isso de melhor e mais nobre ou popular que João do morro?
qual a importãncioa cultural de um Dj Dolores ou de um Ortinho? Por que trabalham para Roger pode? Por que João do morro trabalha para Gutie, inimigo de Roger, não pode? Tem algum sentido Roger meter o pau no negão e falar bem de Isaar, que em nada nos representa?
Precisamos amadurecer e repensar esse nosso modelo imposto por produtores culturais, não tem funcionado!
ah, uma pergunta:
nessa foto que ilustra o texto, tem Canibal, Roger, Bruno e Ze Rocha.
Algum de voces vive de música, consegue se manter com a musica? Com que moral voces podem falar em subsistência com a musica? Beijinhos!
hoje no Diario de Pernambuco vi que quanto mais o tempo passa mais nos tornamos uma sociedade fechada, frustrada e olhando para o próprio umbigo.
Na primeira página do caderno de cultura Viver, uma pequena e jocosa matéria com o show de Alanis Morisseti, uma das maiores cantoras e compositoras do planeta, com um publico de fãs por todo o mundo. Sua vinda solidifica o intercãmbio(finalmente)de Pernambuco com o resto do mundo, abre fronteiras e mostra a nossos jovens outras formas de se pensar cultura. A jornalista dedicou menos de meia página a esse show.
Em contrapartida, mais da metade da página dedicada a senhora Paula Ronoir, irmã de Roger de Renoir, os maiores aprovadores de projetos na Fundarpe e Sic, em um matéria falando do “sucesso” de um festival de teatro ocorrido por aqui. É brincadeira meu!
Assim agente vai ficar nessa eternamente, pobres e lascados, falando do sucesso dos outros, elogiando o próprio umbigo.
@Mercy
Não sei até onde eu toparia trabalhar de graça :) Acho que a Volver já tem um ótimo produtor, que consegue cavar apresentações de todo tipo para eles. Recentemente eu passei a trabalhar com um artista, administrando a vida online dele. Talvez essa mudança de lado acabe acontecendo naturalmente.
Eu não tenho nenhuma resposta mágica para nada e o que eu aprendi no curso de jornalismo não tem nada a ver com isso. Minha pesquisa sobre consumo de música foi na UFPE e não na Aeso.
@Vivian
Eu fiz essa mesma pergunta ao povo do Coletivo Lumo quando eles me convidaram para a mesa :)
Vivian, Salvador não é exemplo pra nada, não pra mim.
É tudo muito simples, o axé é uma música descartável, de fácil aceitação…
Por mais que sej pedante essa afirmação, pô, todos sabem que a maioria gosta de merda mesmo, sendo assim o caminho é bem mais fácil.
Aqui em Recife, as bandas prezam pela qualidade, pelo “caminho de pedra”, é bem mais díficil.
Não há grau de comparação, uma é água a outra é óleo.
O bom da quebra das gravadoras, foi que eles não têm mais grana(jabá) pra empurrar as merdas goela abaixo do povo.
Repare, Salvador não “revela” mais ninguém nacionalmente há anos.
Os novos tempos são muitoooooooooo melhores!
La vem o culto a ineficiencia.
João, salvador não representa nada para voce, respeito isso, mas representa muito para a grande maioria dos brasileiros que pagam para ver um show entende?
respeito tua opinião João, mas pergunta para quem vive de música em recife se é melhor tocar com Ivete Sangalo ou Isaar. A regra em musica joão, para os musicos, é que bom é tocar para publico, casa cheia. O resto é papo resenha para boi dormir, desculpa de amarelo.
Não sei sinceramente o que é qualidade para voce, quais são teus critérios.
Achar voce pode achar a vontade, mas em regra, qualidade é o que o povo consome, na musica e na politica.
Esse papo de ser bom e não vender, ser cult, tocar na rua da moeda, não ter publico, ser um guerilheiro musical,não ir a lugar algum sem a ajudinha da prefeitura é um papinho que já está com a data de validade vencida.
Salvador nào revela mais ninguem há anos e Recife há decadas.
Pense um pouco nos musicos tambem querido antes de falar abobrinha e tentar avivar um ufanismo besta e um orgulho sem sentido.
O axé e uma musica de fácil aceitação sim por que o povo se reconhece nele, isso não deveria ser considerada uma coisa ruim. Bom é a rebuscada banda Comuna né?
As bandas de Recife nào conseguem se fazer entender pelo publico, só conseguem ser uma mais esperta que a outra na hora de conseguir as vantagens dos politicos.
entre a grana, os shows, o carinho do publico dos baianos e a situação vexatória que os recifenses musicos vivem, fico com salvador, eu e o Brasil inteiro.
joão, voce quer inverter os valores, dizendo que o bom é aqui, é nada cara!
a não ser a turma que mama na prefeitura, nossos musicos estão numa situação dificil por vivermos fora do mercado entendeu? e essa utopia cubana de dizer que isso é lindo, não tem mais sentido.
Perdão João, mas parece que voce tem inveja dos baianos, que deram um show de popularidade em nós Recifenses!
É muito angustiante saber que nossos musicos não gozam de popularidade pelo pais, e os baianos sim!
A musica da Bahia é alegre, solta, leve, simples.
A de Recife é pesada, tensa, depressiva, cabeça, metida a merda, e ninguem consome, nem nós mesmos.
foi um prazer joão!
então vamos combinar assim:
a Bahia, representado por Pitty, fica com a mídia, o público, os principais festivais, grana e sucesso.
Pernambuco, representado por Isaar, fica com a opinião de acadêmicos, criticos de arte, blogueiros, artistas cabeça e associação dos críticos de São Paulo.
Quem abre o Carnaval de Pernambuco esse ano é o Baiano Caetano Velozo. Quem deveria abrir o carnaval da Bahia era Ortinho, mais que justo!
hehehehheehhehe
“A pessoa nasce para o que é”
PS: Domingo a Nação Zumbi tocou em Salvador para um concha acústica lotada.
O caminho é de pedra, mas não é impossível e quando o êxito é alcançado se torna muito mais prazeroso.
Coloquei êxito e não sucesso porque a palavrinha sucesso tem um significado bastante diverso.
Pra uns, é tocar no Faustão.
Pra outros, é fazer o que se gosta com honestidade.
Mas, repito, nada impede as duas coisas.
João, e quem disse que o êxito dos artistas baianos não é prazeiroso? só tem prazer a nacão zumbi?
tocar no faustão é melhor que no programa do Samir Abouhana te garanto.
Isso é complexo de inferioridade, comum aos pernambucanos. Aqui tudo é invertido, cuba é melhor que os EUA, Isaar e melhor que Ivete Sangalo, viver liso é melhor que ganhar grana, vai ser revoltado assim na china cara.
A musica baiana tem seu jeito e esse jeito alcança muito mais gente que a musica pernambucana.
apegar-se as conquistas de uma banda apenas não justifica desmerecer os baianos. eles são mais populares que nós e voce que viva com seus recalques.
Boa noite.
Ponto de vista não é recalque, bicho.
Tenho os meus e só abro mão quando sou convencido com bons argumentos, o que está longe de ser o caso.
Ganhar grana é maravilhoso, cara, o problema é a forma.
Se vc curte música que dura 2 meses e é feita como se fosse feito biscoito, tudo bem.
Por gostar muito de música, admiro e respeito quem a respeita, quem a trata como arte. Para os outros eu dou o meu desprezo e votos de felicidade.
A Bahia já deu artistas maravilhosos(Caymmi, Caetano, Gi, Batatinha, Novos Baianos, Raul), nada tenho contra a Boa Terra, pelo contrário, é um estado tão rico culturalmente quanto o nosso.
Agora, faz uns 20 anos que de lá não sai nada que preste, isso é fato.
Me lembrei de uma estória contada pelo Carlinhos Lyra(um dos cabeças da bossa nova), ele contou:
“Faz uns 5 anos fui fazer um show na Bahia, estava no aeroporto e derrepente se ajoelha um homem na minha frente e diz: Perdão, eu não sabia que eles iam transformar nesse monstro.
Era o Luiz Caldas(o pai do axé)”
Acho que isso ilustra bem.
Um abraço pra vc.
Ahhhhhhhh, só mais uma coisa.
Não tem complexo de inferioridade nenhum, Chico Science acabou com isso há tempos.
É bem o contrário, tá mais pra mania de superiodade.
Po, tem tanta banda legal da Bahia que surgiu nos últimos 20 anos :P Cascadura, Ronei Jorge, Vivendo do Ócio, etc.
Sem falar que lá tem o Retrofoguetes, a melhor banda de surf music do mundo :)
Não tenho a menor intenção de mudar teu ponto de vista, mas prefiro ficar com o ponto de vista da maioria.
Ponto de vista pode ser recheado de recalque sim joão e parece o seu caso.
Os baianos ganham grana da forma deles, grana publica é para o povo carente e eles inventaram um forma de subsistência autêntica e oportuna.
Nunca vi Ivete Sangalo roubar para ganhar o carinho do publico. Já aqui em Recife já vi muita gente com atitudes deploráveis apenas para aparecer em eventos públicos. Não inverta as coisas Joaozinho!
O seu conceito de arte é diferente da maioria então fique com o seu. Qual a arte que existe em Jorge Mautner, China, Otto, Ortinho, para com isso meu jovem.
A musica da Bahia não precisa de seu aval João, ela faz a cabeça do Brasil faz anos.
A opinião do magoado Carlinhos Lyra não conta muito, pois ele defende uma lingua morta e sem espaço que é a Bossa nova. Para cada Carlinhos Lyra que mete o pau na Bahia, tem cem mil de brasileiros que acham o contrário. Vale a maioria.
Se isto ilustra suas opiniões, lamento muito sua frustração e inveja de quem soube fazer algo de bom para nosso povo. Por isso que todos vão para o Carnaval da Bahia.
Enquanto a Nação zumbi lota um teatro na Bahia, os artistas de lá lotam os nossos por anos a fio. Desculpe mas não existe complexo de superioridade, o de inferiorida é o que mais tem em Recife.
Muito fraco teus argumentos jJoão. Compre um abadá, tire suas mágoas por um Estado que culturalmente só se sustenta com dinheiro publico e se escornado em artistas de fora!
Ponto de vista pode ser recheado de recalque sim joão e parece o seu caso.
Os baianos ganham grana da forma deles, grana publica é para o povo carente e eles inventaram um forma de subsistência autêntica e oportuna.
Nunca se viu Ivete Sangalo roubar para ganhar o carinho do publico. Já aqui em Recife já vi muita gente com atitudes deploráveis apenas para aparecer em eventos públicos.
Ponto de vista pode ser recheado de recalque sim joão e parece o seu caso.
Não inverta as coisas Joaozinho!
O seu conceito de arte é diferente da maioria então fique com o seu. Qual a arte que existe em Jorge Mautner, China, Otto, Ortinho, para com isso meu jovem.
A musica da Bahia não precisa de seu aval João, ela faz a cabeça do Brasil faz anos.
A opinião dos magoados Carlinhos Lyra e Luiz Caldas não conta muito, pois ele envelheceram e defendem uma lingua morta e sem espaço que é a Bossa nova. Para cada Carlinhos Lyra que mete o pau na Bahia, tem cem mil de brasileiros que acham o contrário. Vale a maioria.
Compre um abadá, tire suas mágoas por um Estado que culturalmente só se sustenta com dinheiro publico e se escornado em artistas de fora!
Enquanto a Nação zumbi lota um teatro na Bahia, os artistas de lá lotam os nossos por anos a fio.
Se isto ilustra suas opiniões, lamento muito sua frustração e inveja de quem soube fazer algo de bom para nosso povo. Por isso que todos vão para o Carnaval da Bahia.
Muito fraco teus argumentos João.
Enquanto a Nação zumbi lota um teatro na Bahia, os artistas de lá lotam os nossos por anos a fio.
lamento muito sua frustração e inveja de quem soube fazer algo de bom para nosso povo. Por isso que todos vão para o Carnaval da Bahia.
Muito fraco teus argumentos João.
Muito fraco teus argumentos João.