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Abril pro Rock - terceiro dia: palcos 2 e 3

A noite do terceiro dia começou apática. Como todo domingo de APR, um monte de gente dispersa, com alguns núcleos (leia-se: os fãs das bandas) que cantam todas as músicas e montam uma verdadeira festa na frente do palco. O resto do público assistia a tudo, mas não parecia entender muita coisa.

Êxito d'Rua no Abril Pro Rock 2007

Palco 3
Um monte de garotos fazendo rimas com cara de mau, no palco 3, abriu a noite. Era o Êxito d’Rua. O coletivo cativou seu público, que pagou um ingresso caro para prestigiar a banda. O que atrapalhou foram alguns problemas no som, que deixou a banda visivelmente irritada. Quase criavam uma rima para reclamar com a equipe técnica. Além do discurso melado, um monte de dançarinos de break e street tentava chamar mais atenção do que a banda.

Valentina no Abril Pro Rock 2007

O Valentina, banda de Goiás, começa meio tímida no minúsculo palco 3. Com um vocalista maquiado e andrógino, a banda mostrava a sua mistura de glam-rock com pós-punk. Foi um show consistente, de ritmo uniforme. Daquelas que quando menos se espera, acabou. O vocal Rodrigo Feoli era a pinta em pessoa, com sua atitude ensaiada de ídolo de rock decadente. Divertido.

Monomotores no Abril Pro Rock 2007

Palco 2
Saindo do minúsculo Palco 3, o Monomotores iniciava os trabalhos roqueiros no Palco 2. Marcos Lau, o vocalista, fez as vezes de um show man impecável. Falava antes de cada música, apresentou a banda, conversou com a platéia. Vencedora do Festival Microfonia, a banda promoveu uma espécie de festinha adolescente (não pelo público teen que vibrava na frente do palco), que celebrou as origens do rock: básico, despreocupado, sem muita frescura. O Monomotores não se arrisca de nenhuma forma, seu som é direto, baseado nos clássicos de AC/DC e um pouco de Beatles. Desta forma, ninguém tem do que reclamar e sai todo mundo feliz. Sobretudo a banda.

Canto dos Malditos na Terra do Nunca no Abril Pro Rock 2007

A vocalista Andrea Martins, do Canto dos Malditos na Terra do Nunca chega tentando impressionar. Todos seus trejeitos são ensaiados para transmitir a imagem de garota má, brava, que afoga suas agruras pessoais com muita atitude rock e bla bla bla. Com uma voz embolada, forçada, a banda tenta tornar assimilável a sua mistura de blues com metal. Mas como tenta. Chega uma hora que tudo se mistura. Primeiro tocam um trecho de “O Pulso” dos Titãs, em seguida soltam “Puts your hands up in the air”, e pra finalizar exageram nos vocais guturais em quase todas as músicas. Nesse momento, não estava entendendo mais nada, é “mistura” demais pra mim. Como quem comprou a rebeldia numa promoção, Andrea alisa a barriga, insinuando que vai tirar a blusa. Só a MTV mesmo para justificar uma besteira dessas num palco do Abril pro Rock.

Orquestra Contemporânea de Olinda no Abril Pro Rock 2007

A Orquestra Contemporânea de Olinda criou o clima carnavalesco necessário para animar o público de verdade. O público do domingo é mais aberto a esse tipo de proposta, e foi uma decisão acertada escalarem a moderna orquestra de Olinda para este terceiro dia. Todo mundo dançava a misturada de ritmos regionais. Para o APR, não existe atitude mais roqueira.

The Playboys no Abril Pro Rock 2007

Ele Ouviu
Paulo André não poderia estar mais satisfeito. Escalados para tocar na última noite do festival, o The Playboys era a maior piada interna do APR, além de, com esta atração, criar uma auto-referência que vai entrar para a história do festival.

Tudo na apresentação do The Playboys fazia referência ao episódio do palco 3, em 2005, quando a banda tocou mesmo sem ter sido chamada, o que originou a música “Paulo André Não Me Ouve”. Uma alfaia, uma mesa de despacho de macumba, a cena em que Chico Science retorna do além, tudo na já conhecida apresentação do The Playboys rendia um comentário acerca do episódio. Abusados, anunciaram o “Palco 4″ e que só tocavam agora, porque após 10 anos, finalmente instalaram o ar-condicionado no Centro de Convenções. João Neto aproveitava sua catarse e mandava todos os hits do grupo como se fosse a primeira vez. “Pancadão Armorial”, “Garotas Culturais do Burburinho”, “Niilista de Fim-de-Semana”. Todas as letras do grupo ainda continuam afiadas contra a ceninha de Recife. Por isso, vai demorar um bocado pra algo tão criativo surgir por estas bandas.

A tão esperada “Paulo André Não Me Ouve” nem foi tocada pela banda. Quer dizer, mais ou menos. HVB, vocalista da Le Bustier en Decadence, fantasiado de Elvira Pagã (vocalista das Backing Ball Cats Barbis Vocals) cantou a música. Agora que PA ouviu os The Playboys, precisa ouvir as Barbis e o Le Bustier em Decadence, era o recado da banda. Sempre um passo a frente, a banda surpreendeu de novo.

Pela energia e animação, os 30 minutos de show foi um dos melhores do APR (falando do palco 2 e 3, que me cabe nesta cobertura), mas a banda já fez shows melhores. Com tanta coisa a dizer, o The Playboys talvez tenha ficado perdido em tantas referências. Pra finalizar, João Neto afirmou que era uma honra tocar no festival. Demorou, mas valeu a pena.

Rebeca Matta no Abril Pro Rock 2007

Não tinha quase ninguém no show da Rebeca Matta. As pessoas ou foram embora ou descansavam para o show do Lee Perry. Zappa no telão, pra poupar trabalho, anunciava as influências da moça. À margem das cantoras de boas maneiras da MPB atual, Rebeca é esquisita, canta de um jeito meio esquizofrênico, com sua voz num volume altíssimo. Antes de dizer que é chata, digo que é autêntica. Mas àquela hora, já deu. Quem sabe na próxima, Rebeca.

Entrevista Monodecks: ‘Uma rara oportunidade’

Monodecks

Conhecida por um esquisito som que já foi definido como “música sensorial”, o Monodecks é uma banda atípica, sobretudo aqui no Recife. Com canções praticamente instrumentais, com um incrível paredão sonoro, experimentais, as músicas vão do lo-fi ao noise puro. Mesmo tendo sido formado em 2005, só agora faz seu segundo show, hoje no Recife Antigo. A primeira apresentação aconteceu no Festival No Ar: Coquetel Molotov, em 2005. Desde então, a banda não fez mais shows. Agora, promete voltar e não deixar a banda morgar outra vez.

O show que rola hoje no Novo Pina faz parte da festa Pré-Existência: Ambientações Sonoras do Terceiro Grau e conta ainda com as bandas Angst e Hrönir. O paredão sonoro promete mostrar um outro lado da cena local. A banda é formada por D Mingus (Guitarra, Flauta, Voz e Programações), Breno Mendonça (Guitarra), Ramiro (Baixo e Guitarra), Leo Abath (Guitarra, Voz e Teclado) e Tiago Barros (Bateria e Percussão). Conversamos, por e-mail, com o líder da banda D Mingus:

trilha sonora: Monodecks - Trêmulo (mix1 edit2)

A banda tocou pela primeira vez no Festival No Ar: Coquetel Molotov em 2005. De lá pra cá, não tivemos mais shows, o que houve?
Acho que de repente faltou um maior senso de mobilização por parte de todos - como este que rolou agora pra gente fazer essa festa no Novo Pina. A gente não tem um produtor no momento, então fica muito fácil de cedermos ao mais cômodo ante à dificuldade de todo esse processo burocrático pra se tocar nos lugares e ficarmos tocando somente no âmbito do “privado”. Mas quem experimenta e guarda somente pra si é muito tacanho. Tem que dar um taquinho pros outros provarem também. Nem que o cara engasgue ou faça cara de nojo… Daí a gente dar essa festa pra isso.

O som da banda é diferente do que vem sendo produzido aqui no Recife, apesar de várias bandas no Brasil, seguirem esse lado experimental. Isso é bom ou ruim pra vocês?
Bem, acho que a pergunta anterior meio que comprova a situação “mercadológica ou de reconhecimento” não tão favorável na prática. Mas ao mesmo tempo é tudo meio como aquele ditado galeroso diz: “quem tá no roque é pasifudê”…Um dia quem sabe, Fábio Massari e Paulo André nos ouçam também. :P

Depois de todo esse tempo, como será o show de vocês? (ou, como é um show do Monodecks?)
Depois de todo esse tempo acho que será quase como um “primeiro show” novamente. Além de que estaremos tocando com a formação de cinco pessoas pela primeira vez, efetivamente, em público. O paredão sonoro agora forma-se de três guitarras, o que muda um pouco a concepção sonora das duas guitarras iniciais. Enfim, também acho que de lá pra cá aprimoramos mais nosso senso coletivo mesmo - de todos participarem e intervirem em tudo na mesma proporção.

Com essa volta, significa que novos projetos estão em vista, como um disco ou até mesmo mais shows?
Podes crer. A gente tá se policiando bastante pra não deixar a banda morgar de vez - como tava quase acontecendo… Tanto é que lançamos um singlezinho (ainda que capengamente) e estamos promovendo esse evento de amanhã junto com o Angst e o Hrönir. Então é isso - pretendemos tocar em outros lugares por aí e gravarmos um EPzinho inicialmente (se bem que a duração - “13:30″ - desse single da gente é quase a de um EP).

Hoje, no Novo Pina…
Bem, acho que como as bandas participantes do evento quase não tocam na cidade, é uma rara oportunidade pra quem quer conferí-las ao vivo. O legal que além de estar a fim de tocar eu tô bem ansioso pra sacar as outras apresentações também.

Serviço:
Pré-Existências: Ambientações Sonoras do 3º Grau
Monodecks, Angst e Hrönir
Sexta (23/03/2007) 22h
Local: Novo Pina (Recife Antigo)
Preço: R$ 5,00 - Info: 81 8715.3981 (Domingos)

video no YouTube: Monodecks - Reverbera na Caverna

The Playboys: Paulo André, Lucio Ribeiro e Fábio Massari ouviram

Nesta última semana, o programa de rádio virtual Poploaded dos jornalistas Lúcio Ribeiro e Fábio Massari tocaram, na sua segunda edição “Paulo André Não Me Ouve“, música do The Playboys. Antes de apresentarem a música, os dois bateram um papo, onde a banda foi bastante comentada e elogiada. A The Playboys foi considerada pelos críticos como uma das melhores bandas do Recife dos últimos tempos.

Massari chegou a afirmar que possui os cassetes raros do início da carreira da banda e Lúcio Ribeiro disse que a música é um “clássico instantâneo dos tempos recentes” e uma das “bandas mais legais de Recife”.

A música “Paulo André Não Me Ouve” foi uma provocação da The Playboys ao produtor Paulo André Pires, por nunca terem sido chamados pra tocar no Abril Pro Rock. Cheia de referências locais, a música cita jornalistas, produtores, além de usar a voz do já imortalizado Roger (cadê Roger?) dizendo “Paulo André foi pra Nova York“. Numa tática de guerrilha, a banda chegou a montar um palco alternativo no Abril pro Rock 2005, para mostrar suas músicas. Ironia ou não, o Palco 3 foi institucionalizado nesta edição do Abril pro Rock.

A The Playboys toca no terceiro dia (domingo 15/04) do Abril pro Rock 2007. Para ouvir o podcast Poploaded acesse http://radiopoploaded.blig.ig.com.br e escute o Poploaded 2 - Parte 2 (que tem a música da The Playboys) ou clique em http://igpop.ig.com.br/upload/Poploaded02pt2.mp3 para ir direto no arquivo.

The Playboys (divulgação)

Setlist completo do programa:
1- “Typical Girls”, Slits
2- “Time to Get Away”, LCD Soundsystem
3- “Tell me in the morning”, Cold War Kids
4- “FirstLove”, Maccabees
5- “Nuotando Nell’Aria”, Marlene Kuntz (Itália)
(momento Zappa subliminar… “Son of Mr Green Genes”)
6- “Antropologia! Uma análise comportamental do jovem moderno em uma metrópole paranaense à noite (Noite)”, Sebastião Estiva
(POPLOADED SESSION, ao vivo no iG)
7- “Paulo André Não Me Ouve”, The Playboys
8- “Aparelho”, Suíte Super Luxo
9- “Raoul”, Automatic
10- “Brianstorm”, Arctic Monkeys
11- “Year Zero”, Gris Gris
12- “Tenente Rodrigues”, Sebastião Estiva
(POPLOADED SESSION, ao vivo no iG)

links:
The Playboys no RecifeRock!
Single virtual ‘Paulo André não me Ouve’
Clipe de ‘Paulo André não me Ouve’ no YouTube

Entrevista Forgotten Boys: ‘Estamos muito ansiosos’

Forgotten Boys (foto de divulgação)

Um das mais prestigiadas bandas de rock atualmente, os paulistas do Forgotten Boys, desembarcam no Recife neste domingo (18/03) para um show no Downtown Pub. Eles tocam na festa The Rock Experience Live, produzida pelo estúdio Sun7 (de Pedrinho, baterista da Vamoz!). Além do Forgotten, a festa traz também os recifenses da Vamoz! e os cearenses do Joseph K.

Essa nova turnê pelo Nordeste começa em Fortaleza dia 16 e termina no Recife neste domingo. Depois, a banda segue para uma turnê pela America Latina que incluirá Buenos Aires e Santiago.

A banda, que completa 10 anos este ano, leva nas costas o sucesso de Stand by the D.A.N.C.E., seu último e mais bem produzido disco. Mantendo a tradição de seu rock inspirado em MC5 e Stooges, o Forgotten Boys promete mais um show memorável!
O RecifeRock! conversou com o guitarrista Chuck Hipolitho, por email.

Trilha Sonora da Entrevista:

Cumm On

Rock And Roll Band

Recife mais uma vez. O que mais chama a atenção de vocês aqui?
Bom… Creio que a comida, a distância e a efervescência cultural. É a primeira vez que tocamos no Recife e não é no Abril Pro Rock, então, estamos muito ansiosos.

A banda completa 10 anos este ano, a cena independente mudou junto com vocês neste tempo todo?
Acho que aconteceu uma evolução notável (para todos), com ela vieram as dificuldades. Mas, sabemos que fazemos parte de uma geração que veio para ajudar a quebrar certas barreiras e ajudar a todos a colher seus frutos.

Vocês passaram 8 anos na independência, agora com um contrato com a ST2, o que mudou na vida de vocês?
Ainda tomamos as decisões mais importantes na nossa carreira, temos carta branca da gravadora. Por isso, nos considero ainda independentes. Independência não tem nada a ver com “não ter gravadora”, cremos. Hoje temos mais apoio em marketing, grana para gravar nossos discos e mais pessoas pensando no nosso futuro, o que ajuda e acelera um processo, mas, só chegamos aqui depois desses 8 anos fazendo tudo sozinhos. Isso faz uma banda saber onde pisa, mas, não somos feitos de certezas, ainda temos nossas barreiras e demônios pessoais a enfrentar.

Olhando agora pelo outro lado, o futuro do rock brasileiro ainda está no underground?
O futuro do rock brasileiro? Está em boas bandas, com boas músicas. Independente de tamanho ou lugar.

Stand by The D.A.N.C.E. foi um disco bem elogiado, o que vocês estão preparando para o novo álbum?
Pretendemos superar os trabalhos anteriores, a idéia é sempre essa… Surpresas são normais nesse processo, mas, nada que nos tire do caminho. Mais do que tudo, apresentar boas músicas.

Serviço:
The Rock Experience Live

Quando ? 18/03 às 20h
Quanto ? R$ 10,00
Onde ? Downtown Pub (Recife Antigo)
Quem ? Forgotten Boys (SP), Vamoz! e Joseph K (CE)

Confira o vídeo de Não Vou Ficar

Mais vídeos ? Forgotten Boys no Youtube
ou no YouTube do Chuck Hipolitho
http://www.youtube.com/user/ChuckHipolitho
(lá tem os vídeos do Forgotten no APR2006 gravados por nós)