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Sábado Mangue: Baque Makossa e Carfax

O Gosto Novo da Novidade

Carfax no Sábado Mangue

A chuva deu trégua e o povo apareceu. Depois de alguns fins-de-semana sem muito movimento na noite recifense, o Sábado Mangue no Pátio de São Pedro fez todo mundo se reencontrar pra ouvir rock’n’roll. E eu não estou falando da primeira banda da noite, Baque Makossa.

Cheguei na metade desse show. Já tinha ouvido uma ou outra música da banda, mas nunca tinha ouvido ao vivo. O som é aquele mais-que-batido samba-rock que fez muito sucesso há uns anos atrás, mas que já deu tudo o que tinha que dar. Os músicos, todos aparentemente bem alimentados, cantam que “o preço do feijão não cabe na música”. E eu fiquei pensando que era a essa música que não cabia (mais) em lugar nenhum. Ouvi um pouco, mas depois não me dei ao trabalho de ficar atenta ao show, pois foi muito previsível. O som tem influências do mangue, da cultura popular e toda a herança que Chico Science deixou quando se foi. Só que, como minha mãe sempre diz, “se você ganha, não dá valor: você deve conquistar”. Eles querem inovar, mas não vão conseguir enquanto fizerem o que muita gente já fez (melhor) antes.

Apesar disso, teve gente que estava lá pra se divertir e, quem não tinha problema com samba-rock, assim o fez. O show foi longo e quando se pensava que tinha acabado, voltou.

Só perto de meia-noite a Carfax subiu ao palco. O show foi dividido em três partes e a primeira tratava do CD O Gosta Antigo da Novidade. Ou seja, começaram com a seqüência Aqui, Ali ou Em Qualquer Lugar, Retalhos e Ainda Queima” pra levantar as mais de 300 pessoas no Pátio. Tendo os fãs mais fiéis dentre as bandas de rock do Recife, foi o momento da Carfax ouvir letras cantadas em coro.

Apesar de ter um público poucas vezes visto num Sábado Mangue comum, a dança não foi o ponto alto do pessoal. Principalmente na segunda parte, com a participação da Orquestra Biscoito Recheado (naipe de metais incorporado à banda para projeto 100 Anos de Frevo, mas que acabou extendendo os vínculos) na qual a Carfax mostrou um lado obscuro. Afinal, se o rock sempre foi considerado um filho bastardo da música, o que é o frevo para um roqueiro? O resultado foi ótimo, por que desconcertou o público (de uma maneira boa) e ainda deu pra homenagear as mães presentes (era véspera de dia das mães) com um frevo-canção.

Na terceira parte, as músicas novas. Antes do show eu encontrei a vocalista Iana e a primeira coisa que ela disse foi “estou tão ansiosa para ver a reação das pessoas nas músicas novas”. Em geral, uma banda cria, ensaia, ensaia, ensaia, apresenta e fica na expectativa da resposta. No caso do Carfax, aposto que Iana não se desapontou. Dos caminhos que a banda percorreu no primeiro CD, eles escolheram o que eu considero o mais legal para explorar e seguir adiante: um grunge de bater cabeça com letras abstratas, porém palpáveis. Não deixaram passar em branco a experiência com o frevo e incluíram um trompete numa das músicas. A banda estava tão empolgada que foi notável a dedicação que dispuseram na construção desta nova fase, bem mais madura e sem preconceitos. Ouvi dizer que a qualidade do som não estava das melhores, mas eu nem notei por que o show foi tão legal que me distraiu. Assim como a maioria do público, que ouviu com atenção e aplaudiu com vigor ao final de cada música. Foi, com certeza, o melhor show da Carfax que já vi.

Fotos do Carfax no Sábado Mangue:

Set list da Carfax:
Aqui, Ali ou Em Qualquer Lugar
Retalhos
Ainda Queima
Alegoria
Pega Ladrão
Corpo Fechado (Participação da Orquestra Biscoito Recheado)
Voltei Recife (Participação da Orquestra Biscoito Recheado)
Lili… (Participação da Orquestra Biscoito Recheado)
Ieh Ieh Ieh!!! (música nova)
O Triste (música nova)
Nitro (música nova)

CARFAX NO SÁBADO MANGUE
data: 05/05/2007 (Sábado) - local: Pátio de São Pedro
com as bandas Carfax e Baque Makossa
Resenha por Sofia Egito (palco 1)
Fotos (ruins) por Guilherme Moura

Cotação: 4/5 (bom)

MTVirgem Maria!

Eu pensava que Gordo Freak Show era o auge. Mas se uma porcaria caiu, subiram outras. O programa no qual o presentador mandava o telespectador desligar a TV e assumia o lixo que trazia pras casas brasileiras – entre vários palavrões - foi só o começo pra MTV. Ok, a pós-modernidade pediu: “depois dos reality shows, como podemos denegrir ainda mais os outros?” Mas a gente não merecia.Já aturávamos o sexista e preconceituoso Neura MTV. Cazé humilhando as mulheres como pode e Marina não conseguindo ser feminina sem soar como uma Barbie. Em geral, quando ela abre a boca, eu fico com vergonha. Pior é quando Cicarelli comenta alguma coisa em Batalha de Modelos (onda as belas moças ficam em situações patéticas) ou Beija Sapo (onde praticamente todos do estúdio ficam em situações patéticas).

Mas nenhum destes se compara, em termos de preconceito e sexismo estratosféricos, ao Mucho Macho. Por estudar o assunto, eu me convenci a assistir dois programas para poder julgar. O que é aquilo, minha gente? Alguém pode me explicar onde neste mundo ver um convidado lambendo um suposto clitóris gigante e dizendo que já “comeu” algumas “vacas – sem ser o bicho!” – é entretenimento? E as “gostosas”? Exploram-nas como podem para confirmar o estereótipo de “loiras burras” e as coitadas não têm nem como se defender. Os “homens” do programa são altamente ofensivos e denigrem não só a imagem delas, como das mulheres em geral. A campanha “faça uma ‘baranga’ feliz” é o cúmulo! O quanto as pessoas precisam se humilhar para consquistar 15 segundos de fama? Está passando dos limites, isso eu posso dizer.

Acho que é óbvio, mas vou explicar que estes programas podem influenciar negativamente a formação dos adolescentes (público-alvo da programação da MTV), já que a lei supõe que menores de idade não têm seus valores totalmente construídos. Se um adulto assiste ao programa que tem uma bunda se abrindo na abertura e ri porque Marcos Mion humilha duas loiras, vá lá. Mas alguém que está construindo valores ainda tem direito e a chance de não ser igual.

Quem der uma olhada no Estatuto da Criança e do Adolescente ou na Constituição Federal vai notar que este programa (assim como o Gordo Freak Show) descumpre a lei. E eu nem preciso de apoio legal pra colocá-lo na berlinda. A mídia em geral não entende que o direito à liberdade de expressão que nos é assegurado tem o intuito de nos fazer melhores enquanto pessoas e cidadãos. Não de deturpar valores e humilhar os outros a troco de dinheiro e poder. Tudo no meio “televisão” é tão efêmero, passa tão rápido, que parece uma bobagem. Mas cada uma dessas porcarias está no nosso cotidiano, transformando nossas vidas com muito mais impacto do que parece.

A própria MTV, exibindo uma vinheta quanto à classificação indicativa, diz o seguinte: “a televisão brasileira (…) já colocou diversas porcarias no ar, isso por que alguns profissionais são capazes de qualquer coisa na luta pela audiência”. Outra grande hipocrisia da emissora é aquela vinheta que aparecia, não raro, por alguns minutos, onde se lia: “Desligue a TV e vá ler um livro”. Se a MTV produzisse conteúdos de qualidade, essa “dica” não seria necessária. Eles sabem que produzem lixo, mas simplesmente continuam produzindo!

Vocês podem até achar que só assim se garante a audiência, mas isto é um equívoco. Programas inteligentes também dão audiência. O “Programa Legal”, por exemplo, era feito para jovens, discutia assuntos sem sensacionalismos, tinha bandas ao vivo e dava tanta audiência que incomodou a Globo. Por falar em bandas, lembram quando música era o único assunto da Music Television Brasil? Pois é, já faz tempo.

Quem assistia à MTV no começo e meados dos anos 90 nunca imaginaria que ela chegaria a isso, mas é fato: ela está seguindo a tendência mundial, priorizando a “abundância corporal” à “competência cultural”, o “estúpido” ao “inteligente”, o “medíocre” ao “extraordinário”. E a gente vai junto, mesmo sem querer, na onda. Que essa também morra na praia.

Switch Stance no Recife


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SWITCH STANCE NO RECIFE
data: 12/03/2006 (Domingo) - local: Armazém 14 (Recife Antigo)
com Switch Stance (CE), Allface (RN), Fillen, Fabulla (ex-Felling Up), Obsession, Terceira Edição e BellaDona
Resenha por Sofia Egito - Fotos por Guilherme Moura

em 12/03/2006 por Sofia Egito

Resenha em breve…

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Links:
» Terceira Edição no RecifeRock!
» Fillen no RecifeRock!
» Fabulla no RecifeRock!

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Rec-beat 2006 (Segundo Dia)

REC-BEAT 2006 (Segundo Dia)
data: 26/02/2006 (Domingo) - local: Paço da Alfândega (Recife Antigo)
com 3ETs Records, Cinval Coco Grude, Beto Kaiser, Carimbó Uirapuru (PA), Jumbo Elektro (SP) e Pavilhão 9 (SP)
Resenha por Sofia Egito - Fotos por Divulgação do Rec-Beat 2006

O festival tem a proposta de trazer o novo e, nesse domingo, assim o fez…
em 26/02/2006 por Sofia Egito

Domingo de carnaval: mais uma vez milhares de pessoas se reúnem para prestigiar o Rec-Bat, um dos eventos mais importantes do carnaval multicultural do Recife. A noite começa devagar, perto das oito horas, com 3 ETs Records. Cheio de batidas loucas e letras mais ainda, Paulo do Amparo e seus três ET’s (marionetes) fazem seu show para poucas pessoas.

Quase uma hora depois, Cinval Coco Grude entra em cena para despertar ainda mais a curiosidade das pessoas. Havia mais ou menos 300 pessoas ouvindo a psicodelia das batidas programadas acompanhadas de uma guitarra, percussão e um trompete, além das letras loucas (“é a noite que o bicho pega/ o som do grilo é um tapa na orelha/ o mundo gira e você quer uma cerveja”) cantadas por Cinval. Uma performance teatral de qualidade musical duvidosa, porém com alguns momentos interessantes: o trompete marcava presença em todas as músicas com uma sonoridade agradável e as letras contemporâneas e críticas de Cinval chegavam a ser engraçadas quando dava para entender. Rolou até uma versão doidona de “Satisfaction”, dos Stones. Foi aplaudido ao final do show.

Dez da noite. Eu não esperava muito de Beto Kaiser com seu rock/blues instrumental num domingo de carnaval no Recife Antigo. Mas me surpreendi. O público - agora constituído de mais de 700 pessoas - estava atento a cada passo que os quatro músicos (Beto na guitarra, Gustavo Albuquerque nos teclados, Bruno Vasconcelos na bateria e Sérgio Eduardo no baixo) davam. A banda faz um rock psicodélico, progressivo, muito bem arranjado nos quatro instrumentos. Tocaram cinco músicas, entre as quais, “Espanhola”, um cover do guitarrista Robben Ford e “Seu Deda”, onde Beto Kaiser sozinho toca seu violão, recebendo aplausos antes mesmo de terminar a música. Ainda ameaçam o “Hino das Vassourinhas” só para empolgar o público, mas logo vão embora, depois de meia hora de show.

Pouco depois das onze da noite é a vez do Carimbó Uirapuru, do Pará. Carimbó é um ritmo popular da região amazônica. O grupo Uirapuru veio de Marapanim e parecia bem tradicional. Das dez pessoas no palco, somente uma não estava vestida a caráter: um menino com seus sete ou oito anos, cantando e tocando banjo. Acompanhando ele, sete percussionistas (incluindo dois tocando o instrumento que dá nome ao ritmo), mais um banjista (que também cantava) e um saxofonista. A música é muito dançante e a percussão só parava para descansar. A diferença entre uma música e outra só era notada nas letras e melodias, a batida era sempre a mesma. Umas 100 pessoas dançavam e mais umas outras centenas ficaram só assistindo. Letras como “ai, quem me dera/ se eu fosse rico/ se eu tivesse dinheiro/ eu casava com ela” mostravam a inocência do som feito ali. À meia-noite, quase uma hora de batuque depois, o show termina.

Abram alas para os malucos do Jumbo Elektro! Guitarra, baixo, bateria, teclado e dois vocais (um deles dj) compunham a banda. Meia-noite e vinte é hora de ouvir o que os paulistas, que lançaram um disco chamado “Freak To Meet You - The Very Best Of Jumbo Elektro (The Ultimate Compilation)” (2004) têm a dizer. Trabalho complicado, porque mesmo que você consiga entender o que eles cantam - em inglês ou alemão ou francês, não se sabe ao certo - não vai fazer muito sentido. O hit é “Freak Cats” e quase todos da banda cantam (ou fazem backing vocal) dizendo nada com coisa nenhuma. Muito bom. Outra música tem um refrão bem singelo: “I wanna fuck!” repetido três vezes em alto e bom som. Músicas como “She Has A Penis”, “Freak To Meet You”, “Stereo Man”, “Happy Mondays” e outra que tem três títulos (e eu não consegui entender nenhum dos três) só podem chamar atenção. E milhares de pessoas estavam lá, ouvindo. Além da bizarra criatividade verbal, o som é outro capítulo à parte: um rock eletrônico bem compassado e muito dançante, que você encontraria facilmente em algumas boates recifenses, não fossem as firulas, efeitos e backing vocals surreais. A platéia, que, diga-se de passagem, estava num clima carnavalesco, adorou: riu e dançou até se descabelar.

Perguntei ao tecladista Dudu Tsuda (ou Dimas Turbo, enquanto personagem da banda) quais as impressões do show e ele disse que a receptividade tinha sido impressionante. “Frevo ali, Pavilhão 9 aqui, a gente tocando… Teoricamente não tem nada a ver, mas o público adora”. Isidoro Cobra (ou Hans Sakamura), baixista, disse que, no começo, não sabiam qual seria a reação do público – que foi o maior que já tiveram -, mas que quando viram as pessoas animadas foi legal. O vocalista Tatá Aeroplano (ou Frito Sampler) – que, aliás, tem uma ótima presença de palco, pulando de um lado a outro ensandecidamente – disse que “com certeza foi o show mais bacana, demais”.

Para fechar a noite, Pavilhão 9. O volume do som já estava alto quando a Jumbo Elektro estava em cena, mas quando o Pavilhão 9 subiu ao palco, o peso tomou conta. O espaço destinado à platéia do Rec-Beat – que não é pequeno – estava lotado. A banda esbanjava energia e, com seus dois vocais e duas guitarras, além do baixo, da bateria e do dj, fez o público (predominantemente masculino) pular entre um hardcore e um rap. Tocaram várias músicas do disco novo, “Público Alvo”, como “Mundo Loco”, “Expressão” (nessa música, uma roda punk levantou poeira na platéia) e “Polícia e Ladrão”. Também rolaram alguns clássicos como “Vai Explodir” (trilha sonora de “O Invasor”), “Reação”, “Otários Fardados” e “Opalão Preto”. Nesta última, sobre uma base do DJ, os vocalistas cantaram o refrão de “A Cidade”, de Chico Science & Nação Zumbi. Tocaram ainda “Grito de Liberdade”, “Terra de Ninguém”, “Trilha do Futuro” e também uma versão da música “Gimme Tha Power”, da banda mexicana Molotov. Músicos habilidosos, com uma boa presença de palco, passando sua mensagem em forma de rap, porém com gosto de rock da pesada.

O festival tem a proposta de trazer o novo e, nesse domingo, assim o fez. O novo que é velho no Pará, o novo que é velho em São Paulo e até o novo que é velho no Recife, mas sempre o novo que é novo para a maioria. O público durante a noite foi mudando, se adaptando aos “novos” que chegavam e a noite acabou com cara de quem agradou a muitos por algum tempo, mas não a todos o tempo todo. Alguém já disse: é impossível.

Links:
» Rec-Beat no RecifeRock!
» 3 ETs Records no RecifeRock!
» Cinval Coco Grude no RecifeRock!

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Volver e Gram no Armazém 14

VOLVER E GRAM NO ARMAZM 14
data: 12/02/2005 (Sábado) - local: Armazém 14 (Recife Antigo)
com Volver e Gram (SP)
Resenha por Sofia Egito - Fotos por Bruno Arrais

Dois shows ótimos (daqueles que dá orgulho dizer que presenciou, sabe?)
em 12/02/2005 por Sofia Egito

A noite era agradável e prometia. O movimento era um pouco menor do que o esperado para uma noite com Volver e Gram, pois outra grande festa estava acontecendo. Melhor assim: sem sufocos, a platéia se constituía de fãs das duas bandas, que estavam ali porque realmente queriam presenciar os shows.

Eram 23:30 quando os rapazes do Volver subiram ao palco acompanhados de Gleisson Jones (Rádio de Outono) - que assumiu a bateria da banda temporariamente. Subiram cantando uma música - tipo sertaneja - que rola na internet (“eu vou te deletar, te excluir do meu orkut / eu vou te bloquear no ‘êmi-ésse-êni’/ não me mande mais scraps, nem e-mail PowerPoint / me exclua também e adicione ele”), uma tiração de onda, pra esquentar os ânimos. Calculei entre 200 e 300 pessoas, nas primeiras músicas do Volver.

Cantando Alguém, Charminho e Canção Perdida junto com Bruno Souto, o público dançava e aplaudia bastante. Lucy e Não Trate Ele Assim empolgaram a banda e a presença de palco era ótima. A Muito A Sério fez o público gritar a letra e virou um jazz interessantíssimo, onde Diógenes Baptisttella fez um solo de guitarra lindo. Na balada Máquina do Tempo, o público espontaneamente bateu palmas, acompanhando a banda. Ficou bonito. Com Sabor de Choque Elétrico e Não Ria de Mim foram aplaudidas.

Mas quando Bruno Souto chamou Bárbara Jones (Rádio de Outono) ao palco, o pessoal se agitou de verdade. Bárbara e Bruno dividiram as estrofes de Sabe-Tudo e ficou ótimo! Você Que Pediu também mexeu com a platéia. Na comunidade da banda, um cover de Renato e Seus Blue Caps tinha sido requisitado e Feche Os Olhos aconteceu para alegria geral da nação. Fecharam a noite com “Mr. Bola de Cristal” que é animadíssima. À 00:20 o show havia terminado. Durante o show, notei uma coisa esquisita: apesar de o som parecer ok, eu conseguia ouvir todos que falavam comigo… Num show de rock?! Minha mãe não acreditaria…

O Gram abriu o show com Sonho Bom, à uma da manhã. Aproximadamente 500 pessoas estavam presentes e empolgadas. O vocalista Sérgio Filho ora tocava um teclado, ora uma guitarra, ora um violão, ora só cantava, interpretando com uma paixão notável. Sua performance dava tempero a cada uma das músicas que a banda executava: Seu Troféu, Moonshine (cujo backing vocal ficou a cargo da platéia), Quase Ilusão, Faça Alguma Coisa, a nova O Rei do Sol, Reinvento (por um momento, ele parecia que ia chorar) e outras.

Quando a banda começou a tocar sua versão de We Can Work It Out, dos Beatles, a platéia se arrepiou! Sem dar trela pra marasmos, grudaram Come Together e fizeram todos ganhar a noite, gritando o refrão. Entre melancolia e peso, o Gram honrou os fãs recifenses com músicas recém compostas (uma até sem nome!) e uma atuação de respeito. O grand finale: “Você Pode Ir Na Janela”. Foi a hora de se descabelar e, ao final, ler os lábios de Sérgio dizendo “puta que pariu, muito obrigado”. Que mais um fã pode querer? Eu - que nem fã sou - tive vontade de chorar.

Uma hora de show do Gram e mais de 500 pessoas satisfeitas. Dois shows ótimos (daqueles que dá orgulho dizer que presenciou, sabe?), cheios de emoções, como os bons shows devem ser.

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Links:
» Volver no RecifeRock
» Site do Gram

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