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Rdo e Autoramas na Casa do Frevo


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RDO E AUTORAMAS NA CASA do FREVO
data: 21/01/2005 (Sexta) - local: Casa do Frevo
com Rádio de Outono e Autoramas (RJ)
Resenha por Sofia Egito - Fotos por Bruno Negaum

Sensacional…
em 21/01/2005 por Sofia Egito

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006. Às 22h30 existia na Rua do Apolo um certo rebuliço, provocado por uma concentração de roqueiros que aguardavam o início das apresentações da banda local Rádio de Outono e da carioca Autoramas, tomando cerveja e escutando o CD genérico dos recifenses - vendido por um ambulante a cinco reais em frente à Casa do Frevo.

Pouco depois das 23h30, Gabriel Thomaz, vocalista e guitarrista do Autoramas, assumiu o som da casa pra aquecer o público e atrair aqueles que ainda não haviam entrado. Somente perto da uma da manhã a Rádio de Outono subiu ao palco e começou o show com O Fim, última música do EP, que - diga-se de passagem - estava sendo lançado naquela noite.

O público enchia a casa: mais de 200 pessoas - lotação que provavelmente ficou abaixo da esperada pelos produtores do evento – dançando, empolgadas. Quando o baixo de Kleber Crócia, junto com a bateria de Gleisson Jones, iniciou o hit Além da Razão, as pessoas já estavam ensandecidas.

Lá pela terceira música – Popular -, Gabirel Thomaz se aproximou do palco, vindo do backstage, com os olhos vidrados no show. Perguntei a ele o que estava achando do show, ao que fui respondida enfaticamente: “Sensacional… e a Bárbara tem um domínio de palco de gente grande!”. Realmente. Considerando que o baterista e o tecladista (Dídimo Vieira) não tinham muito pra onde ir e que o baixista parecia um tanto tímido, coube à Bárbara tomar conta do pequeno palco e animar o público - tarefa que ela cumpriu com naturalidade.

As pessoas ficaram empolgadas ao longo das canções, mas ao som nervoso do teclado de Só o Pó, o povo se descabelou. Era uma cena ótima de se ver: a energia fazia aquilo tudo ter sentido. Bárbara - provavelmente absorvendo essa energia – também se descabelava no palco e eu olhei para Gabriel com um olhar de “tenho que concordar com você”. O melhor: com essa energia toda, ela não poupou pulmões para gritar “…quebrou minha conta corrente!!!” em certo ponto da música. Se aquilo não é RockÂ’nÂ’roll…

A banda continuou com Espelhos Quebrados de Ronnie Von - que gravaram recentemente para uma coletânea -, músicas novas que poucos conheciam (mas isso não era motivo pra ficar parado, claro) e Eu Sou O Tao, onde Bárbara, Gleisson e Dídimo Vieira cantaram lindamente juntos. Depois de um cover de Elástica (Connection), a RdO mandou Uma Janela Para o Sol e, para surpresa de todos, Gleisson deixou a bateria para cantar o último refrão da música com a platéia que fazia coro e batia palma. Lindo. Aplausos, claro. Para a despedida, a já clássica Sabe-Tudo, que fez o povo dançar e cantar como se estivessem ouvindo a primeira música da noite. Uma hora de show passou desapercebida.

Enquanto Breno Soares botava um som e os Autoramas espalhavam setlists pelo palco, Gleisson Jones passou por mim com um sorriso de orelha a orelha. Vinte minutos depois - duas e quinze da manhã – as luzes se acenderam e no palco se viu Gabriel, a la Elvis Presley: topete, costeletas, camisa de botão e calça coladas, um cigarro na boca (Elvis fumava?) e tocando um… brega?? Nem eu entendi, mas deixei pra lá. Logo depois, eles largaram nas nossas cabeças um peso que eu nunca poderia imaginar que sairia de uma guitarra (Gabriel Thomaz), um baixo (Selma Vieira) e uma bateria (Bacalhau). Tratava-se de Você Sabe, música de trabalho da banda e que rendeu vários prêmios a eles no VMB do ano passado. A platéia se empolgou e eu pensei – erroneamente – que eles tinham servido o prato principal antes da entrada, mas o melhor estava por vir. Gabriel e Selma dançavam e aumentavam a euforia da galera.

O Rei da Implicância, Eu Era Pop e Carinha Triste vieram ainda com mais peso, mas sem deixar de lado a base jovem guarda que a banda tem. Imagino que se Roberto e Erasmo tivessem feito o movimento hoje em dia, ele seria assim. E quando o pessoal pensava que ia descansar as canelas, lá vinha a bateria louca do Bacalhau de novo. Eu fiquei pensando num termo pra descrever o show que causava essa inquietude incontrolável nas pessoas e tive que criar um: “Imparável”. Quem precisa de música eletrônica, meu deus?!

Em Nada a Ver, Gabriel e Selma foram à frente do palco e exibiram uma coreografia ensaiada. Motocross, Megalomania e Fazer Acontecer caminharam no mesmo ritmo. Ao riff de Fale Mal de Mim, um dos sucessos da banda, a platéia explodiu em pulos e gritos, dando um grande coro à última estrofe. Gabriel elogiou a Rádio de Outono logo antes de tocar a melodia e cantar a letra brega de Música de Amor. O público não parava de ferver e o Elvis lá do palco mandou Blue Suede Shoes para delírio das pessoas. A banda se despediu, mas o público pediu mais e foi atendido: duas outras músicas antes do adeus. Aquelas praticamente três horas seguidas de shows deram vazão à ótima energia da platéia e não deixaram nada a desejar.

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Links:
» Rádio de Outono no RecifeRock
» Site dos Autoramas

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Volver e Asteróide B-612 Na Gororoba

VOLVER E ASTERÓIDE B-612 NA GOROROBA
data: 28/10/2005 (Sexta) - local:
com Volver e Asteróide B-612
Resenha por Sofia Egito - Fotos por cobertura sem fotos

em 28/10/2005 por Sofia Egito

É noite de Gororoba! Numa esquina da Rua da Moeda, decido comprar uma dose de vodca, ansiosa para ver os shows da noite. Com coca-cola para refrescar. “Roquenrrooouu!”. A moça quase derruba a garrafa, tamanho o susto que o vocalista da Asteróide B-612 dera na coitada. Eram 23:30 da noite quando Zeca Viana chama a platéia mais para perto. Todas as mesas ocupadas nos quatro cantos da rua. Muitas pessoas em pé, talvez duzentas. “Me dá logo esse troço, moça!” e corro com dinheiro, copo, garrafa, papel e caneta na mão. no palco, me deparo com quatro figuras de preto. Uma introdução deixa a rua inteira apreensiva e vidrada. A pergunta “que diabos é isso?” paira no ar. Logo, “O Fantasma Elétrico” surge e deixa a platéia – e a banda - um pouco mais à vontade. Vejo umas bocas cantarolando, uns quadris chacoalhando e muitos olhos atentos.

Em “Bossa Supernova”, que é instrumental, vejo o baixista David Adonai ensaiar uns passos, porém o resto da banda se retém aos movimentos que seus instrumentos exigem. “Hey, Mr. Trouble Boy” surpreende pela ausência da bateria. Enquanto isso, Syd Barret acena pra mim, lá do palco. Lá pela oitava música a platéia se dá conta do que se trata: guitarra elétrica e melodias atraentes. Melancólico-dançantes, eu diria.Um bêbado celebra “Dorian Gray”, se esbaldando entre o palco e a platéia, que só faz observar. Um riff pop aqui, uma bateria à la Franz Ferdinand ali e o show se desenvolve, parando apenas para a troca do cabo do baixista (os equipamentos de som não estavam colaborando, mesmo).

Nos intervalos das músicas, o vocalista grita uns “ouraite” e insiste para que todos bebam uma cerveja (umas quatro vezes…). “Serve vodca?”. Ele só não respondeu porque estava ocupado cantando a melodia singela de “Rua da Aurora Boreal”. Então, Bárbara Jones (Rádio de Outono) é convidada ao palco para cantar uma música que “fala de amor sem ser brega”, segundo Zeca. Trata-se da “Antidotal”, canção da Rádio de Outono, onde o rapaz já tocou bateria, em outros tempos. O dueto vocal agrada aos ouvidos e a presença da moça – afinal um movimento no palco! - parece familiarizar o público, que até canta junto.

Aplausos encerram a participação e introduzem “A Incrível História de John Tristonho”. Bem executada, até o eco que se ouve na gravação foi cantado pelo vocalista. Já com uma dose de vodca na cabeça, arrisco meus passos, juntamente com uns gatos pingados na platéia. Mais aplausos. “Côco A Go! Go! ” (Ei, não me olhe assim! É como estava escrito no set list!) – uma homenagem à Selma do Côco – tem a letra em inglês e trata de bossa nova, rock´n´roll, côco… Interessante. Mais interessante ainda é o jogo de pernas – Oh! - que Zeca faz num dado momento da música. Com uma loucura programada no teclado, a banda se despede menos de uma hora depois de subir ao palco.

Vinte minutos se passam e, distraída, só noto a banda Volver quando eles já estão no palco, tocando o hit do verão, “Você Que Pediu”. Oh, my! O movimento na rua foi tão intenso que fiquei meio assustada. Várias pessoas dançando pela platéia agitada. Inclusive o mesmo bêbado que dançara o show inteiro do Asteróide. Erros técnicos deixam a música sem baixo por um tempo considerável e uma microfonia atrapalha um pouco as primeiras músicas, mas Bruno Solto compensa cantando mais animadamente ainda e a platéia não deixa por menos. Em “Não Trate Ele Assim”, seguida de “Máquina Do Tempo”, o som melhora e a ninguém fica parado.

Depois de pedir desculpas em “Lucy” e mandar às favas em Charminho”, Bruno Solto convida Rodrigo Chagas, vocalista da banda The Honkers (que tocou no projeto uma semana antes), ao palco. Ele toma parte no vocal da cover “It´s You”, do Milkshakes, Bruno faz o backing vocal e a banda interage melhor no palco. Depois de arder nas “Chamas do Inferno”, Volver se despede com a guitarra embalada e o refrão eletrizante de “Mr. Bola de Cristal”. A Rua da Moeda deu espaço para a loucura de cada um e o final do show foi só a premissa para o resto da noite que estava por vir.

Links:
» Asteróide B-612 no RecifeRock!
» Volver no RecifeRock!

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Lançamento da Demo da Estrógeno


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LANÇAMENTO DA DEMO DA ESTRÓGENO
data: 23/07/2005 (Sábado) - local: Lado B
com Estrógeno
Resenha por Sofia Egito - Fotos por Renata Aguiar

As meninas do Estrógeno animam a platéia no show de lançamento do CD Demo 2005 e saem satisfeitas
em 23/07/2005 por Sofia Egito

É noite de lua cheia no Recife. Mas de dentro do lotado e escuro “Lado B” só o que se pode ver brilhando no alto é o telão que mostra imagens das damas da noite: a banda Estrógeno. Antes mesmo de o show começar (à 0 horas e 45 minutos), as imagens já chamam a atenção das mais de 100 pessoas que lotam o lugar. Eu, que não conheço a banda, estou de coração e ouvidos abertos ao que vier pela frente.

O DJ abaixa o som e ouve-se um instrumental. “O show começou?”. Minha resposta está na correria das pessoas em direção ao palco. Corro, também, para pegar um lugar de visão privilegiada. O hormônio homônimo à banda dá sinais de vida: todas estão de saia - exceto a baterista (me admiraria se estivesse!) - jogando charme com seus instrumentos e sorrisos à platéia, que vibra. As musicistas mostram que - ao contrário da introdução, um metal pesado - o clima no palco é leve, feminino.

Mas, cadê a vocalista? Ao início do dedilhado de Demolindo Você, entra Rebekka Martins. Aplausos. O operador de som ajusta o volume do microfone e eu consigo ouvir Érika (da banda Penélope) cantando. Era só ilusão. A guitarra base, cheia de peso, morre na praia e é trocada por outra, com a ajuda do operador. Enquanto isso, a guitarrista solo, Rebeca Claus, manda um solo melódico que anima o pessoal.

Acabada a segunda música, Rebekka faz um agradecimento e, ao citar a “caravana” de Natal, um rebuliço se dá na platéia: vários fãs potiguares aplaudem e assobiam. Coração Blindado começa com o riff pop da Rebeca mais a batida envolvente da bateria, mexendo com o público. Posso ouvir Kelly Key cantando com raiva (como assim “é isso meiiijjjjmo!”?). Só ilusão, novamente. Mas os ânimos se exaltam “meijmo” no fim do refrão onde se ouve um categórico “Vá pra puta que pariu!”, numa rima pobre (“é isso que você ouviu”), dando força à mensagem “mulher desiludida” da música.

PRAS traz guitarras rápidas e graves, como a melodia da estrofe. Enquanto isso, a baixista Patrícia Cedraz brilha com uns ligeiros solos de baixo e um refrão cheio de slaps sacolejantes muito bem colocados. Percebo que o palco é pequeno pra uma banda de rock de tamanha energia, que me parece contida por algumas integrantes, mas que está mais do que explícita na guitarrista base Cláudia Ferraz. O espírito “rock” que ela passa desconsidera o problema “espaço” e se sobressai entre as integrantes.

Seu Próprio Inimigo chega com uma estrofe leve e um refrão de bater cabeça. “Pais, padres, policiais” gritam Rebekka, Patrícia e alguns outros na platéia. A música parecia estar acabando com uma guitarra usando o efeito Wah-wah, mas, pra minha surpresa, aquilo era a introdução de um dos melhores covers que já ouvi. Aproveitando o clima de revolta contra o poder de Seu Próprio Inimigo, Rebekka grita um “We don´t need no education!” que faz a platéia vibrar. Observo que algumas pessoas que estavam alheias ao show chegam correndo, curiosas e animadas. O maior sucesso de Pink Floyd, Another Brick In The Wall, inundava o lugar. Não ouço uma boca calada no refrão. Acho que muitos estudantes ali mais do que queriam gritar “Hey, teachers, leave us kids alone!” (“Hey, professores, deixem-nos, garotos, em paz!” - tradução livre) enquanto levavam as mãos ao ar. Ao final da música, o solo digno de David Gilmour com as características batidas na condução da bateria comandadas por Inge Porto mostram que o cover não estava ali à toa.

Uma ligeira pausa para fazer propaganda do CD e começa You, que é em inglês, de letra poética e uma melodia aconchegante. Na versão disponível no site ela é uma balada, mas, ao vivo, estava bem mais rápida. Aplausos. Leite e Sangue chega com um toque agressivo de revolta feminista na letra, uma linha de baixo interessante e um solo melódico. A Guia Pro Nada – que, assim como You e Seu Próprio Inimigo, é da Demo de 2003 - começa com um riff meio grudento que se repete ao longo da música. A letra trata do vazio da vida urbana. Interessante. Noto, nesse momento, que a quantidade de mulheres na platéia é maior do que a de homens. Por que será? Pouco importa, pois a guitarrista solta o acorde que identificava Zombie, do Cranberries e a platéia logo se empolga. Posso ouvir Dolores O’Riordan cantando. Era novamente ilusão - mas uma boa ilusão, desta vez. O movimento é geral: a platéia canta e bate cabeça enquanto a baixista se aproxima da guitarrista base e rola uma interação bem legal. Ao final, assobios ensurdecedores aprovam o cover.

No Corredor é mais tranqüila e não empolga muito a platéia. Então, a vocalista anuncia uma brincadeira: a baixista vai tocar bateria, a baterista, baixo. A guitarrista base vai cantar e a ela mesma pega a guitarra base. Somente a solo permanece em seu posto. Tocam Bruise Violet, do Babes in Toyland, e a - agora vocalista - Cláudia Ferraz me surpreende com um vocal rasgado e enfático. Ganha de vez minha simpatia. E também a do público. A baixista, a baterista e a vocal tocam bem seus “novos” instrumentos. Em Starman elas voltam a seus postos. Rola um solo super agudo e longo e o vocal me parece melhor do que nas outras músicas. Sentimentos Morcegos tem um solo chacoalhante e uma bateria agressiva.

Alguém na platéia grita “Sweet Dreams!” e as meninas não deixam por menos. Rebeca mete aquele tão conhecido riff e a platéia vai à loucura, assobiando. O peso na medida certa das guitarras e o vocal bem feito da Rebekka me dão uma boa impressão. A vocalista convida todos a bater palmas e é atendida: logo umas cinqüenta pessoas na platéia levam as mãos ao alto, fazendo barulho. Cláudia se empolga tocando sua guitarra e Inge detona usando muito bem os tons de sua bateria. Outro cover que fez valer o show.

A vocalista anuncia a última música, Não Abusem, que é uma balada. Logo no começo, Rebekka toma em suas mãos uma gaita e toca algumas poucas notas, mas não dá para ouvi-la direito graças a uma ligeira microfonia que se sobrepõe ao som singelo do instrumento. A balada me lembra Pitty que, por acaso, estava em algumas das imagens mostradas no telão, onde as meninas da banda conversam com a baiana e tiram algumas fotos. A música acaba, mas a platéia quer “mais um” e, mesmo Nixon já tendo colocado um som, a banda decide tocar mais uma.

Violet é a escolhida. Vou a delírio. Minha música preferida do Hole e a de muita gente do público, pelo visto. Nixon abaixa o som, claro, e ouve o cover das meninas. Fechamento com chave de ouro. Uma pena que a vocalista tenha trocado a segunda estrofe pelos versos finais, adiantando, assim, o final da música. Segundo a baterista Inge, elas não ensaiavam a música há mais de 1 ano. Dava pra notar que era improvisado, mas ficou ótimo, mesmo assim. E a platéia não quis saber de erro nenhum e acompanhou Rebekka no resto da música com muita empolgação.

O público, composto em sua grande maioria por fãs da banda, deu a energia suficiente para satisfazer as meninas. Elas, muito contentes, agradeceram a presença de todos e deram espaço para Nixon terminar a noite com muito flash dance e Franz Ferdinand, entre outras coisas - tudo ilustrado pelas intermináveis cenas da banda no telão. Ao sair da boate, as quatro e tantas da manhã, ainda vi as Estrógeno esgotando suas energias na pista.

Links:
» Estrógeno no RecifeRock

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