Archive for Resenhas

RESENHA: Profiterolis - Troco EP

Profiterolis - O Troco EP

Profiterolis – Troco

Algumas bandas fazem questão de complicar as coisas. Às vezes funciona. Mas quando o tiro erra o alvo, o resultado beira o desastroso. Mas acaba sendo divertido. Afinal, não é toda banda que consegue ir do céu ao inferno em uma mesma canção. O Profiterolis é mestre na arte da inconstância. E parece que é proposital mesmo. Eles não querem ser entendidos. Tomemos como exemplo O Troco, primeira faixa do ep de mesmo nome do Profiterolis. Ela começa bem, lembrando coisas do Hermeto Pascoal. Depois entra em cena o tal do hermetismo: a voz estranha de Tomaz Souza recitando letra igualmente incompreensível. Quando você pensa em desistir da faixa, entra um solo de tuba (!), a guitarra fica em primeiro plano, o vocal entra nos eixos e a música ganha um tratamento pop esplendoroso. A letra continua sem sentido, mas isso deixa de ter importância.

Doce e Salgado começa brejeira, viola e piano. A levada é deliciosamente irresistível. E novamente uma guitarra, no meio da canção, vem colocar ordem ao caos. Causa estranhamento e fascina. É pop sem ser popular, acessível sem entregar o jogo fácil.

Sapatos Coloridos é um falso tango que vai ganhando contornos mais abrangentes com o desenrolar da canção, tendo coragem de juntar viola, guitarra, percussão e violino. É a melhor do disco.

O álbum só não ganha um “ótimo” cravado por causa de Licor de Jenipapo. Não dá para engolir. Eis a letra: “esse licor de jenipapo já tá no papo. Mas o licor de Geni, depois de um papo, ela já tá no papo. Licor Geni” E continua com “Rosinha me falou de amor como se fosse coisa de fresco”. Fica difícil para quem não é adepto de entorpecentes. E é outra música que melhora muito do meio para o fim, mesmo com a letra. Ou seja, o Profiterolis parace fazer pequenos roteiros. Começa bem, fica confuso no desenrolar e explode do meio para o fim.
Não é uma banda fácil. E talvez o segredo para gostar dela seja justamente não tentar entendê-la. Até porque você não vai conseguir.

Cotação - bom

Escute: Profiterolis - O Troco

Escute: Profiterolis - Licor de Jenipapo

Agradecimento especial a Bruno Nogueira, que nos cedeu esse cd para resenharmos. (Adicionado em 30/03)

Profiterolis (divulgação)

Demolindo: Os Picassus e Preatcher

O Demolindo desta semana traz o rock um tanto equivocado de Os Picassus e o metal do Preatcher. Escute, opine, concorde e discorde.

Os Picassus

Os Picassus

Pensei mil vezes antes de decidir escrever sobre Os Picassus. Não quero ser duro com banda independente, nem mal educado e tampouco contribuir para o fim precoce da carreira de alguém, mas a banda é emblemática de tudo o que não se deve fazer antes de gravar. Primeiro, o elogio. São bons músicos. Mas isso hoje em dia não quer dizer nada, a não ser que você queira passar o resto da vida tocando cover. Existe gente que nasceu para ser músico e gente que nasceu para ser compositor. Quando essas duas aptidões convergem numa mesma pessoa, bingo!, tudo está resolvido. Vocês precisam de um compositor. Urgente! As letras são muito fracas, primárias, ruins mesmo. Parecem saídas do caderno de um adolescente da 6º série. O instrumental também não ajuda. Riffs manjados, usados à exaustão por milhares de bandas. Tem até uma música que parece trilha sonora de comercial de cursinho pré-vestibular. Bem, eu começaria tudo de novo. E abriria uns livros também. Não dá para ser bom letrista se o nível de leitura fica apenas em Paulo Coelho e O Senhor dos Anéis. E arrumem um compositor. Porque bons músicos vocês são. Boa sorte.

Escute: Os Picassus - Fuga

links:
Os Picassus no RecifeRock!
Os Picassus no Tramavirtual

Preatcher

Preatcher

Rapaz, que boa surpresa. Ótima banda de metal, na linha Iron Maiden mais pesado, com pitadas de Metallica e de Testament. Baixista e vocalista são impressionantemente bons, embora toda a banda faça bem o seu papel. Aqui e ali, a influência acaba se transformando em reverência, seja com Raphael Dantas, que às vezes lembra demais Bruce Dickinson, ou nos vocais em conjunto, que remetem ao Metallica da fase Masters os Puppets e parecem um tanto forçados. Mas não compromete o todo. Não faria feio em nenhum festival. Acho que é questão de tempo para começarmos a ouvir falar no Preatcher. Ah, e muito bem gravado!

Escute: Preatcher - Killing Machines

links:
Preatcher no RecifeRock!
Preatcher no Tramavirtual
Preatcher no MySpace

Demolindo: Tonys Juice e Casablanca

O Demolindo desta semana traz duas boas bandas cujas principais influências vêm do pop europeu contemporâneo: Tonys Juice e Casablanca. Foi uma boa surpresa escutar bandas tão novas em estágios já tão maduros.
Tonys Juice

Tonys Juice

Bem, o Marcos Toledo gosta de vocês :). Gosto das influências da banda, embora deteste a segunda fase do Silverchair e tenha azia ao escutar Coldplay. “To Get so Far”, apesar de bem chorosa, é muito bem arranjada. A gravaçõ não é das melhores, mas isso não compromete a música. Belo baladão com trabalho interessante de guitarras. Lembra um pouco as coisas do “The Bends”, do Radiohead.

“Like a Hero” tem a manha de começar com um baixo em evidência. Parece mais com coisas do Nada Surf com andamento meio Smiths/Strokes/Cure. Sinto falta de identidade, mas é difícil nesse estilo. Enfim, parece mais uma boa banda no lugar errado. Toda a banda é coesa, redondinha.
Uma dica: as músicas são um pouco longas. O que poderia ser ótimo por vezes se limita a ser bom por conta da duração.

O começo de “The Light” remete às bandas de metal tipo Iron Maiden, até que a canção se define em forma de Coldplay. Pulei para a seguinte…
“The Way I Feel”, baladão com potencial, tem tudo para se transformar em algo bem melhor, se bem produzido. A manha de começar ao piano/violão/voz é bem manjada, mas funciona aqui. A guitarrinha Coldplay irrita um pouco, mas não chega a atrapalhar. Mas demora muito a atingir o clímax. Uma enxugada seria interessante.

Dicas: expandam seu universo musical. Escutem jazz, samba, mpb, metal, punk, forró, rap. Isso vai acabar refletindo no som da banda, não em forma de música, claro, mas quanto maior o repertório de ritmos, maior a criatividade na hora da composição.
Outra coisa: um dos integrantes precisa cortar o cabelo. O corte está igual ao de um dos guitarristas do Radiohead! Pode causar a falsa impressão de ser banda cover.
Diagnóstico: ótima banda com pouquíssima identidade; o velho problema de adotar tal sonoridade. Mas eu compraria o disco de vocês fácil.

Escute: Tonys Juice - To Get So Far

Escute: Tonys Juice - The Way I Feel

links:
Tonys Juice no RecifeRock!
Tonys Juice no Tramavirtual


Banda Casablanca

Casablanca

Parece promissor. “O Cara” tem uma levada contagiante, com letra bem elaborada (simples, mas sem ser simplória). Possui discretos e eficientes solos de guitarra, econômicos e precisos. Grande música, fiquei realmente impressionado. Vocês se dizem indie, mas acho que fazem o bom e velho rock n’ roll mesmo, apenas um pouco mais apurado do que o comum.

“O Triste Fim de Rit…” começa com duas guitarras trabalhando no talo. A gravação é boa, mas a voz parece fora do lugar, embora o vocalista não seja ruim (tá, ele é bom). Essa é bem Strokes. Não sabia que eles eram tão popular assim aqui. É Strokes cuspida e escarrada, mas é muito boa.
“Linha Torta” parece emular um falso início soturno, e depois desemboca num psicobilly (falta de denominação melhor) bem interessante. Em relação às outras duas, a qualidade da gravação é bem inferior.

Acho que há boas perspectivas aí. Nunca tinha ouvido falar de vocês, mas a banda é realmente boa, embora tenha torcido o nariz no início, pois, se não estiver enganado, o pai de um dos guitarristas foi meu chefe na Unicap há tempos atrás!
Trabalhem, roubem, peguem empréstimo. Arrumem um bom estúdio, bons produtores e mandem ver.

links:
Casablanca no MySpace

RESENHA: Mula Manca e a Fabulosa Figura - Amor e Pastel

Mula Manca e a Fabulosa Figura - Amor e Pastel

Mula Manca: mais para fabuloso do que para triste

Amor e Pastel
, segundo álbum da Mula Manca, que trocou o “triste” pelo “fabulosa” no nome, é punk no conceito e brasileiríssimo na estética. Punk porque quase nenhuma de suas quinze faixas ousa ultrapassar os três minutos de duração, o que acaba conferindo agilidade ao álbum. E brasileríssimo porque nele aparecem sambas, gafieiras, xotes, chorinhos, jovem guarda, brega, bossa nova. Chico Buarque, Erasmo Carlos, Reginaldo Rossi, Zeca Baleiro, Tonico e Tinoco e Raul Seixas. Ao contrário do que pode sugerir, não é um álbum sem identidade. Ao contrário, a voz vacilante e chorosa de Tibério está ali, assim como um certo ar circense, melancólico, cínico, quase debochado. Tudo emoldurado por boas letras, artigo em falta hoje na música brasileira. O estranho é que não é um disco de música popular. Ou talvez seja um popular com tratamento acadêmico. E o resultado, quem diria, está mais para fabuloso do que para triste.

cotação - bom

Mula Manca e a Fabulos Figura (divulgação)

Demolindo: Som do Eco e RockStar

Nova seção do RecifeRock. A “brincadeira” começou da seguinte forma: na comunidade do site no orkut, apareceu um sujeito chamado “Macaco Cagão”, que começou a fazer resenha das demos das bandas pernambucanas. A galera gostou e foi postando os links de suas bandas para o cagão comentar. Gostei da idéia e resolvi imitá-lo. E, a partir de hoje, toda terça-feira colocarei resenhas de duas demos aqui. Quer participar? É só deixar o link no tópico intitulado “Imitando o Macaco”. O primeiro Demolindo traz as bandas Som do Eco e Rock Star. Amanhã estréia aqui a resenha de discos. Espero que gostem. As demos podem ser conferidas nos seguintes links: www.tramavirtual.com.br/som_do_eco e www.rockstar.palcomp3.com.br

Som.do.Eco

Som do Eco

Primeiro ponto: não parece mera cópia das influências, o que já é um bom sintoma. “A última passagem” começa bem boa, com uma introdução meio Cure e meio Strokes. Seria uma baita canção, não fossem as partes quebradas, onde o vocalista tropeça em alguns falsetes. Quando está em andamento mais acelerado, é ótima. Belo trabalho de guitarra e bateria.
Em “Hertz” a voz está mais alta do que o instrumental, mas aí é problema de gravação, dá para compreender. Acho bacana a coragem de usar essa sonoridade cantando em português. Tem que ter muita manha para não soar falso. A música vai num crescendo interessante, até atingir seu ápice. Ao vivo deve ser bacana. O vocalista parece meio nervoso na gravação.
Cicatriz” tem uma levada bem interessante, parece com as coisas feitas na Inglaterra no início dos 80. E fica “cheia” depois, no refrão. Aliás, vocês têm refrão??? As letras são bem sacadas. Se a banda fosse minha, tocaria no talo o tempo todo, ou seja, faria uso permanente das explosões de guitarra/baixo/bateria, que são os melhores momentos do grupo. Apesar do péssimo título, “Desilusão” é a música mais redonda dentre as gravadas. Segue a mesma linha melódica do começo ao fim. A levada de guitarra é muito boa, desde o riff, solos e detalhezinhos que são percebidos no meio da música. Mas continuo cismado com o vocalista. Ele não é ruim, mas parece que está em outra sintonia. Parece que a banda está em um tom, e ele, em outro. “Lumiar” é a que tem mais cara de “copiar e colar”, mas isso é inevitável com as influências que vocês têm. Não dá para ser criativo o tempo todo bebendo em fontes como Franz Ferdinand, Placebo e cia.
Enfim: boa supresa. Pontos fracos: vocal e passagens mais lentas. Pontos fortes: banda entrosada, com belo trabalho instrumental, boas letras e boas idéias a serem desenvolvidas. Insistam, pois tem futuro. Apesar de Recife ser bem cruel com quem adota esse estilo.
Escute: Som do Eco - Desilusão

Escute: Som do Eco - Cicatriz

links:
Som do Eco no RecifeRock!
Som do Eco no Tramavirtual

RockStar

Rockstar

Bem tocado pacas. As influências são meio díspares. Não consigo enxergar convergências entre Ramones e Iron Maiden, mas, enfim, o resultado final é bacana. O baterista e guitarrista são bem bons. E (aleluia) o vocal é legal. “Estrela do Rock” é redonda: instrumental forte, bons solos, letra esperta, candidata a hit. “Estrela Rock” é baladinha tipo comercial de cigarros. Não é muito minha praia, mas é bem trabalhada. Fiquei na dúvida se é canção de amor ou evangélica :) Mas, como “Deus é amor”, tá valendo. O guitarrista-solo é muito bom. O problema é que esse tipo de som envelheceu mal.
Homem do Espaço” por vezes parece emo (sorry). É a mais ingênua das músicas. Segue a temática de David Bowie dialogando com extraterrestres. É bem bobinha, e deve agradar meninhas de 15 anos. Aliás, o único motivo decente para montar uma banda é pegar as menininhas (sem ser no estilo Denny Oliveira, se é que vocês me entendem).
Enfim, como aqui é um espaço mais informal, posso falar das minhas preferências. Não faz meu estilo. Acho que rock com ênfase em guitarras deve ser mais sujo e distorcido. Entretando, é inegável que é bem tocado/composto/arranjado. E, melhor, consegue ser influenciado por Helloween (pelo menos vocês se declaram influenciados por eles) sem ser chato ou parecer cópia da cópia da cópia. O azar de vocês é morar no Recife. Seu som seria mais apreciado e melhor aceito em São Paulo, onde existe de fato uma cultura hard/metal/punk. Boa banda.

Escute: Rockstar - Estrela do Rock

links:
Rockstar no Palco Mp3
Rockstar no Tramavirtual