Fazia tempo que o Abril pro Rock não apresentava uma programação que fizesse tanta justiça ao seu nome. Das 23 atrações anunciadas (fora as duas que serão selecionadas pelo Link Musical), apenas duas (Céu e Vitor Araújo) não transitam no universo rock – se bem que Vitor tem a ousadia e atitude de romper com os padrões impostos pelos Conservatórios da vida, o que faz dele um cara de personalidade roqueira -.
Em números, isso significa que a programação deste ano é 92% roqueira, contemplando quase todas as subdivisões do gênero.
Duas coisas devem ser comemoradas muito:
a) as escalações de New York Dolls e do Bad Brains, uma lenda viva do punk e outra do hardcore. Só o Bad Brains tem nas costas 31 anos de carreira. Praticamente inventaram um estilo. E os Dolls são uma espécie de últimos sobreviventes de uma geração que rendeu nomes como Television, Ramones, Talking Heads, Blondie e etc. Será histórico vê-los tocar no Recife.
b) a vinda de Helloween e Gamma Ray. Apesar de detestar power metal / metal melódico, só um tapado completo – tapado eu até sou, mas completo, ainda não! - não reconhece a importância dessas duas bandas alemãs.
Também acertaram em cheio na escolha das bandas locais. Algumas delas, como Vamoz! e Project 666, já eram apostas antigas minha. E, entre os nacionais, os destaques vão para Autoramas, Pata de Elefante e Lobão. Este último talvez seja o único nome nacional que consiga lotar um evento roqueiro que fuja do mais-do-mesmo estabelecido por Charlies, Nandos, Rappas e Jotas da vida.
Duas dicas: abram o olho para a neozelandesa The Datsuns e para o excelente Superguidis, banda gaúcha nova que possui dois discos sensacionais no currículo: “Superguidis” (2006) e “Amarga Sinfonia do Superstar” (2007).
Até mesmo os “velhinhos” gaúchos Wander Wildner e Júpiter Maçã caíram bem no contexto geral, além de se tratar de dois nomes com público relevante por essas praias.
A única bola fora mesmo foi Céu, o patinho feio e totalmente deslocado e descontextualizado do festival. Mas nada é perfeito e programação nenhuma no mundo agradará 100% a todo mundo.
No mais, meu amigo, pagar cinquentinha (vinte cinco estudante) para ver NYD e BB numa única noite, e oitentinha (quarentinha estudante) para Helloween e Gamma Ray é uma pechincha das boas. Pode até não sobrar muita coisa pra cerveja, mas roqueiro que é roqueiro sempre dá um jeito!
Editado 06.03 / 17h15